Pesquisar nesta mnemônica

Translate

Print Friendly Version of this pagePrint Get a PDF version of this webpagePDF

15 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 11

A Grande Curitiba
Por: Coré-Etuba M. da Luz


Boa tarde.


Após um intervalo razoável, mando-lhes mais material sobre Curitiba. Espero voltar a escrever sobre o tema com maior frequência daqui pra frente.


Vamos falar da Região Metropolitana.
Como lhes falei, eu considero toda a Grande Curitiba como uma coisa única. Trato da cidade, e não dos municípios que a compõe. As pessoas moram em cidades. Divisões políticas interessam mais aos políticos do que ao povo.
Vejam o mapa, elaborado por mim. 
Área Urbanizada


Em preto são os limites municipais. Em vermelho, a área urbana.
Vejam como a área urbana ignora as divisões administrativas. Já falaremos mais sobre como a cidade cresceu.
Antes farei um adendo sobre minha definição de região metropolitana, pois você vê que meu mapa é bem diferente do oficial da RMC.


Como sabem, não me prendo ao que é oficial, e sim o que é real. O mapa oficial da Grande Curitiba é uma peça de ficção. Inclui cidades que são interior, não têm qualquer relação com Curitiba em termos urbanos, apenas políticos. São cidades paranaenses e portanto seus prefeitos têm que vir pra cá pra tratar de assuntos políticos. Mas suas populações não trabalham aqui.


E interesses políticos é exatamente o que determinou a inclusão de cidades como Lapa, Doutor Ulysses, Cerro Azul e Quitandinha. Quem já foi a qualquer um desses locais sabe perfeitamente que eles não guardam qualquer relação com o espaço urbano que é a Grande Curitiba, bem ao contrário de municípios como Colombo e São José dos Pinhais, que não podem ser dissociados da capital.
Os critérios que adotei são os seguintes: região metropolitana implica metrópole, ou seja, um núcleo em torno do qual gravitam satélites.


Assim, são Grande Curitiba de fato apenas municípios em que população seja majoritariamente urbana e cuja parcela significativa dela trabalhe em Curitiba ou em um outro município que esteja ligado umbilicalmente a Curitiba (como São José dos Pinhais ou Pinhais). Obviamente, esse não é o caso de Doutor Ulysses e Lapa. Qual a porcentagem da população de Ulysses que se desloca diariamente a Curitiba? Zero. E da Lapa? Menos de 1%. Em Itaperuçu, entretanto, 80% de seus habitantes trabalham em Curitiba, Rio Branco do Sul ou Almirante Tamandaré. É nitidamente um município-dormitório, satélite de outros maiores e de economia mais próspera.


Há um critério prático excelente, que é consequência do anterior. Só foram contadas como RMC os municípios que têm serviço regular de ônibus urbano com o Centro de Curitiba. Isso quer dizer ônibus com 2 ou 3 portas e roleta.
Há ônibus rodoviários que tem cobrador, em que pode-se embarcar e desembarcar no meio do trajeto, entre Curitiba e Lapa, por exemplo. Mas possui só uma porta e não há roleta. E há ônibus urbano, com 2 portas, entre Lapa e Araucária. Mas nenhum desses dois serviços atende o critério de ser urbano e ir até o Centro de Curitiba, simultaneamente. Há também ônibus urbano entre Quitandinha e o bairro do Pinheirinho (Zona Sul), que obviamente é no município de Curitiba. Mas não é no Centro, então na prática é igual como se o ponto final fosse em Araucária ou Fazenda Rio Grande.


Além disso, esse critério é essencial mas não suficiente em si mesmo. Os municípios de Contenda e Mandirituba têm linha urbana que termina no Centro da capital, mas a maior parte de suas populações é rural e não trabalha em Curitiba nem em outros municípios. Por isso, também não foram incluídos.
Por enquanto. Isso porque esses dois municípios e Balsa Nova e Bocaiúva do Sul estão digamos em processo de metropolização. Vêm se tornando cidades-dormitório, e com o crescimento deles e dos municípios que se interpõe entre eles e Curitiba (respectivamente: Araucária, Fazenda Rio Grande, Campo Largo e Colombo), dentro de 10 a 20 anos poderão ser considerados Região Metropolitana. Contenda (que foi meu setor no Ipardes) é o exemplo típico. Dos que têm empregos formais, 90% trabalham em Araucária (principalmente) e Curitiba. Quando surgir mais um loteamento similar àquele em que fazemos a PME (chamado Habitar Brasil), o que deve ocorrer nessa década de 10 que agora inicia, poderá afirmar-se que Contenda já estará mais pra um subúrbio de metrópole do que pra uma cidade pequena do interior. Irei então agregá-la a Grande Curitiba. O mesmo ocorrerá com as outras já citadas: assim que mudarem seu perfil de agrário pra região dormitório, poderão ser parte efetiva (e não apenas no papel) da metrópole. Afinal, conforme a cidade vai crescendo, vai aglutinando mais municípios em sua área de influência.


Enfim, esse anel mais distante é Grande Curitiba oficialmente mas não o é de maneira efetiva. Poderá entretanto vir a sê-lo nos próximos 10 a 20 anos. Porém, algumas cidades não tem nada a ver com Curitiba, e foram inseridas na sua área metropolitana apenas por interesses políticos, de distribuição de verbas, etc. É o caso da Lapa, Agudos do Sul, Tijucas do Sul, Quitandinha, Cerro Azul, Tunas do Paraná e Doutor Ulysses. Pode ter certeza que esses municípios não farão parte tão cedo da RMC. Se isso um dia ocorrer será no século 22, 23 ou outros ainda posteriores.


Resumindo: fazem parte da Grande Curitiba: a)São José dos Pinhais, b)Piraquara, c)Colombo, d)Pinhais, e)Quatro Barras, f)Campina Grande do Sul, g)Rio Branco do Sul, h)Almirante Tamandaré, i)Itaperuçu, j)Campo Magro, k)Campo Largo, l)Araucária e m)Fazenda Rio Grande.


Ainda não são RMC, mas estão se metropolizando, e podem vir a sê-lo nas próximas décadas: n)Bocaiúva do Sul, o)Mandirituba, p)Balsa Nova e q)Contenda.


Não tem nada a ver com a RMC, fazem parte dela oficialmente por falcatruas políticas: r)Lapa, s)Agudos do Sul, t)Tijucas do Sul, u)Quitandinha, v)Cerro Azul, x)Tunas do Paraná e z)Doutor Ulysses.


Aqui vai a relação das cidades que na minha opinião formam de fato a Grande Curitiba. Ainda essa semana mando mais coisas sobre o tema.


Municípios
População (2009)


Almirante Tamandaré: 97.523
Araucária: 117.964
Campina Grande do Sul: 36.825
Campo Largo: 112.548
Campo Magro: 23.607
Colombo: 247.268
Curitiba: 1.851.215
Fazenda Rio Grande: 80.868
Itaperuçu: 23.501
Pinhais: 118.319
Piraquara: 87.285
Quatro Barras: 19.277
Rio Branco do Sul: 33.142
São José dos Pinhais: 279.297


Agora as fotos.
A primeira mostra o Centro de Araucária, na Zona Sul da Grande Curitiba.


Centro de Araucária (Zona Sul da RMC)
Observem a pequena quantidade de prédios altos. A igreja é a catedral matriz do município. Ausente na foto, mas bem próximo da região mostrada, está o Terminal Central de Araucária, ponto final dos ônibus que saem de Curitiba – o ligeirinho e o amarelo das proximidades da Praça Rui Barbosa (e do terminal do Capão Raso, no caso do ligeirinho) e os alimentadores laranjas que partem dos Terminais do Portão e Pinheirinho.Pra quem não conhece, hoje é um terminal de integração, de onde se pode pegar sem pagar nova tarifa alimentadores pros bairros do município.


Em Araucária, esses ônibus são diferentes do padrão da Grande Curitiba, que segue o modelo municipal da capital, pois lá eles são gerenciados pela prefeitura municipal, ainda que sejam integrados a rede da Grande Curitiba. De forma que eles não são laranjas como em Pinhais, Piraquara, Colombo, Tamandaré e Fazenda Rio Grande. Em Araucária são cinzas, como mostra a segunda foto. 
Tropical - Viação Tindiquera


O coletivo em questão está deixando o terminal referido acima rumo ao bairro Tropical, como a linha indica. É um Marcopolo Torino Mercedes Benz da Viação Tindiquera, cujo número na frota é 189. A placa é AVT-0189, ou seja, igual a numeração do coletivo. AVT são as iniciais de Auto Viação Tindiquera. Na Grande Curitiba, essa é a única empresa que 'casa' a placa com a numeração do ônibus. O nome da viação é o antigo nome de Araucária.




Detalhes busólogos a parte, voltemos a falar da cidade. Observe no alto a direita a torre de uma igreja. É a mesma catedral que se pode ver na foto anterior, na vista aérea. Outra curiosidade: esse terminal central é chamado pelos mais antigos de “Rodoviária de Araucária”, pois antigamente não era um terminal integrado, sendo somente ponto final de várias linhas de ônibus. Se você desembarcasse de uma das linhas que vão de Curitiba, precisava pagar novamente pra acessar os bairros mais distantes.


Esse detalhe, o de que um terminal urbano ainda é chamado de 'Rodoviária' pelos mais velhos, nos leva a última foto. 
Terminal Guadalupe - Centro
É o Terminal Guadalupe, no Centro de Curitiba, de onde saem várias linhas metropolitanas. Como é notório, as pessoas mais idosas se referem a ele como “Rodoviária Velha”. Hoje, muitos dos que pegaram ônibus de viagem ali (ou seja quando o local era a Rodoviária de Curitiba) já desencarnaram, então podemos nos referir a Rodoferroviária apenas como 'Rodoviária'. Mas nos anos 80 era preciso falar “Rodoviária Nova”, pois se falássemos apenas “Rodoviária” muitos pensavam no Guadalupe, a “Rodoviária Velha”. A foto é de 1997.


Paz a todos.
“Deus proverá”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PARE, PENSE, TOQUE E, SE NECESSÁRIO, COMENTE!
Obs: Haverá MODERAÇÃO do seu comentário!