Pesquisar nesta mnemônica

Translate

Print Friendly Version of this pagePrint Get a PDF version of this webpagePDF

15 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 15

As irregularidades no Transporte Curitibano:
 É preciso metrô e mais 600 ônibus já!

Por: Coré-Etuba M. da Luz


Continuemos nossa série que vai abrir a caixa-preta do transporte curitibano.
Já que uma imagem vale por mil palavras, abrirei com as fotos que mostram o sistema ferroviário já existente em (a lista é longa, só Curitiba não participa dela): a)Natal-RN, b)Maceió-AL, c)Teresina-PI, d)João Pessoa-PB, e)Belo Horizonte-MG, f)Brasília-DF, g)Porto Alegre-RS, h)Fortaleza-CE, i)Recife-PE, j)Salvador-BA.


Propositadamente, comecei pelas capitais menores e mais pobres do Nordeste, aquelas que nem sede de copa serão (exceto Natal), pra deixar bem claro que é falta de vontade política implantar um sistema ferroviário aqui em Curitiba, além de estupidez no limite que os seres humanos podem ser estúpidos. Só os cegos continuam negando essa realidade.


Não é só Salvador, Fortaleza e Recife que tem metrô, até capitais menores e pouco influentes politicamente contam com sistema de trem, se quiserem. Nem me dei ao trabalho de puxar fotos de São Paulo e Rio de Janeiro, pois, como as duas metrópoles nacionais que são, nada mais natural que contem com uma extensa linha ferroviária (mais de 200 km nos dois casos). Procurei me focar em cidades do mesmo porte, tanto em níveis populacionais quanto econômicos, culturais e políticos (Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e as 3 maiores do Nordeste), mas indo além: até cidades muito mais pobres e cuja área metropolitana é um terço da nossa têm sistema de trem. 
Eu sei, já foi dito isso, mas é hora de acabar com essa estupidez curitibana. É hora de abrir os olhos dessa população ignorante e orgulhosa que aqui habita. Não perdemos apenas pra Recife, o que não seria nenhum demérito, mas estamos ficando pra trás até de Teresina. E mesmo cidades ainda mais pobres do interior do Nordeste, como Arapiraca-AL e Sobral-CE estão fazendo sistemas ferroviários. E elas nem capitais são, obviamente.


Então isso nos leva a alguns questionamentos básicos.
Até quando vamos ser reféns dos Gulin e da Urbs? Até quando? O tempo está passando, o sistema de ônibus de nossa cidade (que sim, um dia foi modelo, mas 3 décadas já se passaram) está claramente entrando em colapso. Quando essa situação vai mudar?
Quando vamos abandonar essa cegueira e enxergarmos que Curitiba precisa do metrô, e precisa urgentemente? 
É por isso que continuo lhes escrevendo essa séria, e mostrando inclusive com fotos que poderia ser diferente. Vamos lá.


Citarei alguns problemas que são de conhecimento de todos que estudaram o assunto, mas que poucos ousam falar porque são gananciosos, então silenciam sua consciência por dinheiro. Eu não sou ganancioso, o dinheiro sujo das máfias não me interessa em nada, por isso divulgo o que muitos sabem mas preferem abafar.


Precisa ser levantada a questão do regime que a Urbs impões aos trabalhadores do sistema. 


[vide em 25/8/11Ducci determina suspensão de multas a cobradores
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1162234]


É uma exploração brutal, em todos os aspectos.
A começar pela Urbs fazer eles trabalharem horas-extras sem receber.
Funciona assim: a Urbs cronometra o tempo de uma viagem no domingo, sem congestionamentos. E quer que os motoristas cumpram essa tabela no trânsito infernal dos dias úteis, às 18h da tarde. Obviamente, não é possível. Essa informação de que o parâmetro da Urbs é tomando no domingo não é oficial, mas é a única explicação possível se quisermos considerar que eles estão de boa-fé, pois o tempo estipulado na planilha é nitidamente inferior ao necessário. Resta então a opção que a Urbs não está de boa-fé, o que eu acho bem mais provável.


O fato é que aí o motorista atrasa de 5 a 15 minutos por viagem. E ele precisa cumprir o número de viagens que está em sua escala. Somando alguns minutos de atraso em cada viagem, ao final de seu turno ele está mais de uma hora atrasado. Mas não pode entregar o carro sem cumprir tudo. Disso resulta o que você está pensando: ele trabalha mais de uma hora sem receber um centavo de hora-extra.


Pra tentar tirar um pouco seu prejuízo, o motorista é obrigado a furar alguns sinais amarelos (e às vezes até vermelhos) e fechar a porta em cima dos passageiros, pois o ônibus precisa zarpar. Não estou justificando a falta de educação de alguns motoristas – que é fato. Mas os passageiros não imaginam que o motorista está sob pressão imensa da máfia, digo, da Urbs. Essa situação somada ao fato que a prefeitura corta o número de carros em circulação ao máximo (pois ela paga às empresas por quilômetro rodado, lembre-se), gera uma situação explosiva: há menos veículos do que seria necessário e os motoristas precisam partir, pois já estão trabalhando sem receber. 
Por isso as pessoas vão ficando pelo caminho. Quando você presenciar uma situação dessas, lembre-se que a culpa é mais da prefeitura que do trabalhador.
Faltam pelo menos 400 ônibus em Curitiba. Escreverei com mais detalhes sobre esses números posteriormente.


Os motoristas também são obrigados a coibir invasões e depredações e nos micros cobrar a passagem. Ou seja, tem que ser motorista, policial e cobrador, sem receber sequer as horas-extras, e cumprindo um horário que é inviável. Pior é a situação dos que cobram e dirigem. Esses ônibus são sempre micros ou os chamados micrões – veículos com altura e largura de um ônibus convencional, porém mais curto. Ou seja, demitiu-se o cobrador, e a prefeitura repassa um valor menor à empresa, pois o quilômetro rodado do micro ou micrão é mais barato que do ônibus de tamanho normal. Mas o motorista só ganha mais pressão por dirigir essa porcaria, não há adicional pela dupla função, ou pelo menos não havia até a última vez que me informei, há pouco tempo. 
Precisa cobrar a passagem e dirigir, sem aumento de salário. A situação então piorou triplamente, pois ele não pode furar o caixa nem bater o veículo, e o tempo cobrado das passagens é tempo que ele não está dirigindo – e mesmo que não fosse também cobrador a Urbs quer que ele faça a viagem no tempo menor que o real.


Assim, ele é obrigado a ir dando o troco com o carro em movimento, o que aumenta ainda mais o risco de acidentes e também o de errar na conta do troco, o que faz com que os passageiros reclamem, aumentando uma pressão que já não é pequena. Ele já está acumulando funções, trabalhando sem receber hora-extra e mesmo que não fosse responsável pela roleta o tempo marcado pra viagem é menor que o necessário pra fazê-la com segurança.


Tudo isso só é possível porque o 'sindicato' dos motoristas e cobradores é uma tremenda quadrilha. Nunca defendeu os trabalhadores, sendo apenas uma fachada pra Urbs oprimir mais a classe trabalhadora e oferecer um transporte cada vez pior. Não vou citar o nome do ex-presidente dessa máfia, que comandou o 'sindicato' por muitos anos, perdendo a eleição que foi realizada semana passada [out/10]. Isso porque esse texto pode circular e não quero responder processo. Mas ele esteve preso recentemente e é vereador de Curitiba. Pesquise 'Sindimoc' no Google que verá de quem estou falando.


É um tremendo marginal esse ex-presidente. Ele é suspeito de dois assassinatos de oponentes políticos. O filho de um dos assassinados era um dos cabeças da chapa que enfim pôs esse criminoso pra correr. Em tempo, ele ganhava $ 5 mil por mês pra ser pelego da Urbs. Se você conhece algum motorista ou cobrador, pergunte a ele quem é esse cidadão que comandou o Sindimoc por muitos anos. Tenho certeza que a resposta dele baterá com o que estou dizendo.


Enfim, com a vitória da oposição, espero que as coisas melhorem. Já está na hora de um sindicato de verdade, e não de uma máfia que é fachada de outra máfia ainda maior.
........
A prefeitura vem cada vez mais cortando o número de carros em cada linha, o que resulta que o ônibus demora cada vez mais a passar. 10 anos atrás, o Interbairros 3 tinha um intervalo de 16 minutos fora do horário de pico. O infeliz do ex-prefeito Taniguchi fez diversos cortes, aumentando o intervalo pra 18, 19 e por fim 20 minutos. O outro infeliz que acaba de ser eleito governador continuou essa política, aumentando o intervalo pra 21 e agora 22 minutos em alguns horários. Cada minuto cortado é ao menos um ônibus que deixou de circular.


Essa situação se repete pela cidade toda. É matemática.


Curitiba deveria ter 400 ônibus a mais em circulação.


Compare os números. Historicamente, é preciso ter pelo menos um ônibus pra cada mil habitantes.
O município de Curitiba tem 1,9 milhão de pessoas e 1,5 mil ônibus. A prefeitura divulga um número de 1,9 mil ônibus, mas aí estão incluídos todos os que operam pela Rede Integrada de Transportes (RIT), que também atende a região metropolitana. A defasagem então apenas aumenta, pois são então 2,5 milhões de habitantes. Uma matemática simples comprova como esse número é grosseiramente insuficiente. Já escrevi esses dados com mais detalhes em outro texto, mas vamos repassar por alto aqui.


Como é óbvio, aqui não há trem nem metrô. E mesmo assim há 400 ônibus a menos do que a relação 1 veículo/1000 pessoas. 
Peguemos como comparação uma capital do Sul, outra do Nordeste, outra do Sudeste e por fim a capital federal, no Centro-Oeste.


São Paulo (apenas o município da capital) tem 11 milhões de habitantes e 16 mil ônibus. A grande São Paulo ainda conta com 260 km de metrô e trem, e essa rede está sendo ampliada em cerca de 30 km. Porto Alegre 1,5 milhão de habitantes e 2 mil ônibus (1,6 convencionais e 400 táxi-lotação). E ainda 33 km de trem, sendo ampliados em mais 9. O Distrito Federal tem 2,5 milhão de habitantes, que contam com 2,8 mil ônibus. Além disso, são 46 km de metrô sendo ampliados em mais 15. Nas 3 há mais de um veículo por 1000 habitantes.
A Grande Recife tem 2,7 mil ônibus pra uma população de cerca de 3 milhões de pessoas. Lá como aqui há um déficit de ônibus, se a proporção 1/1000 for respeitada.Só que a Grande Recife, contando metrô e trem, tem uma rede ferroviária de 71 km,  que ainda está sendo ampliada em mais 5.


Falando nisso, uma das fotos que lhe mando é a Estação Camaragibe do metrô.


Até Camaragibe -PE tem metrô
Pra quem não é íntimo da geo-política recifense e nunca ouviu falar de Camaragibe, eu apresento: é um município extremamente pobre, populoso, distante e violento da Grande Recife, fazendo parte da Zona Oeste desta. É o equivalente deles a Fazenda Rio Grande ou Piraquara. E, vejam vocês, Camaragibe tem todos esses problemas mas conta com uma linha de metrô que leva seus habitantes direto ao Centro do Recife com conforto, rapidez e segurança. A viagem deve levar cerca de meia hora, enquanto os moradores de Fazenda Rio Grande ou Piraquara ficam uma hora e meia dentro do ônibus pra chegar ao Centro da capital. Faça um simples exercício de imaginação: você imagina a estação de metrô Piraquara no meio do Jardim Holandês?


Só Curitiba não tem metrô


Mas a estação Camaragibe está lá, operando há tempos, e mando-lhes a foto pra quem vejam com seus próprios olhos.


Chega a ser cruel a comparação. Curitiba não consegue ter metrô ligando seus bairros mais ricos e centrais ao núcleo da cidade, quanto mais seus subúrbios mais pobres e distantes. Não temos nem as estações Água Verde ou Batel, imagine Fazenda Rio Grande ou Almirante Tamandaré. Nesse ritmo (inexistente) de obras, levará literalmente mais de um século pra o metrô curitibano chegar as partes mais pobres da RM, se é que vai existir algum dia, mesmo na Zona Central.


Vejamos o quadro:

Cidade
Ônibus por mil habitantes
Metrô e trem: operando + expansão
São Paulo
1,4
260 + 30
Porto Alegre
1,3
33 + 9
Brasília
1,1
46 + 15
Recife
0,9
71 + 5
Curitiba
0,7
Só na internet:



Pesquisei por alto esses dados, pois já o fiz com maior precisão no outro email que escrevi sobre o assunto. Mas mesmo que haja algum erro nos números, a linha geral está correta: o transporte de Curitiba está ruim porque faltam pelo menos 500 ônibus em circulação.


Outras cidades têm mais ônibus por habitantes além do sistema ferroviário. É fato que todas tem sistema ferroviário aumentando e sendo ampliado, inclusive as demais que não entraram nessa tabela. E, não custa repetir, até o interior do Nordeste, em cidades como Arapiraca-AL e Juazeiro do Norte e Sobral (ambas no Ceará) estão implantando trens urbanos. Cidades mais ricas do Centro-Sul estão fazendo o mesmo, como Santos-SP.


Contra números não há argumentos. 


Chega de falar em 'renovação' de frota. Precisamos urgente de uma ampliação


A população não quer saber se o veículo tem GPS ou letreiro eletrônico. Quer que o ônibus passe na hora, e não venha superlotado. Um ônibus pode circular 30 ou mesmo 40 anos se a manutenção for adequada. Vejam os caminhões nas estradas brasileiras. Quantos Scanias e Mercedes dos anos 70 continuam na ativa? Dezenas de milhares. Tudo bem, não precisamos chegar nesse radicalismo. Mas tampouco precisamos cair no outro extremo, de ter poucos ônibus nas ruas, mas os que circulam serem novíssimos e 'os mais modernos do mundo', nas palavras do ex-prefeito que infelizmente se elegeu governador.


Com boa manutenção, um veículo pode circular tranquilamente 20 anos. É fato. Então, se a prefeitura quer comprar ônibus novos com GPS, letreiro eletrônico e um monte de outras coisas que não alteram em nada pro usuário, que o faça. Mas precisamos urgentemente começar a falar em ampliação de frota, e não em renovação.
Porque quando a prefeitura entrega 30 ônibus novos, imediatamente retira outros 30 da frota. Se quiser ver com seus próprios olhos, passe em frente a garagem da Redentor, no trevo entre a BR-116 e o Contorno Sul, na Cidade Industrial. Lá está à venda um lote de dezenas de ônibus, relativamente novos e em excelente estado, que podiam rodar mais 10 anos por aqui sem qualquer problema. Mas saíram de cena porque chegaram alguns zero km.

Então, a questão é essa. Mesmo cidade que tem sistemas de trem e/ou metrô (já existentes e sendo ampliados) tem mais ônibus por habitante que Curitiba. O que resulta que mesmo com o metrô CIC-Centro já operando ainda seriam precisos uns 300 a 400 ônibus a mais nas ruas. Sem metrô (e sem previsão de fazê-lo, ao menos fora da internet), seriam necessários em caráter de urgência.

Se a cidade quer ignorar o modelo ferroviário, tem que parar de brincar de 'transporte de primeiro mundo' e investir de verdade no sistema de ônibus. Fazer novos terminais, já que a última grande leva de novos terminais foi em 1993, e já se vão 17 longos anos. Escreverei mais sobre isso em outro texto. E ampliar a frota, e não por pra rodar pouquíssimos ônibus no sistema já existente, apenas porque esses têm GPS e um monte de outros lixos que não interessam em nada pra quem os pega. Qualquer questionamento do transporte tem que falar sobre esses dois pontos: a) o de porque aqui não há sistema ferroviário; e b)do porque nossa frota é muito, mas muito menor do que seria necessário.

Continua.

Paz a toda humanidade.
“Deus proverá”
Trem Teresina-PI

Metrô Porto Alegre-RS

Metrô Belo Horizonte-MG

Metrô Brasília-DF

Metrô Fortaleza-CE

Trem- Fortaleza-CE (sendo convertido em metrô)

Trem de subúrbio de Maceió-AL

Trem João Pessoa-PB

Trem Natal-RN

Trem Salvador-BA (metrô em obras em outra parte)

Trem suburbano Recife-PE (além do metrô)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PARE, PENSE, TOQUE E, SE NECESSÁRIO, COMENTE!
Obs: Haverá MODERAÇÃO do seu comentário!