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19 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 24

Conheça o transporte de 1º mundo: o de São Paulo
Por: Coré-Etuba M. da Luz



E aí pessoal.

Vamos mais uma vez falar do transporte coletivo.

Ao contrário do mito popular, a cidade de São Paulo tem hoje um sistema muito melhor que o de Curitiba.
Conheço os dois a fundo e sei o que digo. Mas você não precisa crer em minha palavra, por isso lhes mando sempre as fotos e os dados.
Já lhes falei das redes de metrô (mais de 60km) e trens de subúrbio (cerca de 250km) que cortam todas as regiões da Grande SP (ambas estão passando por um vigoroso processo de expansão, enquanto o 'metrô curitibano' só existe no discurso do Beto Richa e nos cartazes do Ratinho Jr.), e também da integração no cartão, que é muito melhor que a dos terminais. Digo, os terminais são uma excelente ideia, mas a integração no cartão pode ser adotada também, ao menos nos ônibus amarelos que não param em terminais.

Vamos abordar um novo aspecto hoje, o da integração ônibus-bicicleta (inimaginável aqui, como a integração temporal, mas realidade por lá) e os ônibus de piso baixo (quase a mesma coisa, aqui só há uns 4 ou 5 circulando, e lá devem ser bem uns 2 mil – eu não estou brincando). Tudo, como sempre, referendado pelas fotos, para que vejam com seus próprios olhos.
Comecemos pelo caos que se instalou aqui e depois veremos as soluções que outras cidades adotaram, e que copiaríamos se tivéssemos um mínimo de humildade.

Como é sabido por todos que utilizam ônibus em nossa cidade, o transporte coletivo em Curitiba está ruim.

Há muito tempo atrás, nos anos 80, ele realmente foi o modelo para o país, o primeiro a contar com canaletas exclusivas e terminais de integração. Mas de lá para cá já se passaram 30 anos. Outras cidades se modernizaram e a aqui parece que 'o tempo parou'.

O último terminal no município foi inaugurado há já distantes 11 anos. É verdade, a Linha Verde e o Ligeirão do Boqueirão foram boas ideias, mas é preciso fazer mais. Já que a cidade se fia na integração física (via terminais) e não na temporal (via cartão, como muitas outras cidades fazem com sucesso), não pode simplesmente passar mais de uma década sem construir um novo espaço sequer de integração. As estações da Linha Verde são mini-terminais, e foram uma boa ideia, mas nelas não se pode sequer passar de um sentido ao outro (a estação do outro lado da pista). E há várias linhas que só param de um lado. Mas, repito, a Linha Verde é um paliativo.

Precisamos urgente de novos terminais, e dois em caráter urgentíssimo: um de grande porte no Tatuquara (Zona Sul), por ser o extremo sul a região que mais cresce em Curitiba, tanto em termos quantitativos (número de habitantes) quanto qualitativos (número de pessoas que utilizam ônibus diariamente). Ali, já há transporte integrado, mas é preciso desafogar o Pinheirinho. Há, no entanto, o caso oposto: outras regiões que não estão crescendo tanto mas são 'zonas de sombra' do sistema, com pouquíssimas opções de linhas integradas. O caso mais crítico é a região da Vista Alegre e Pilarzinho (divisa das zonas Oeste e Norte). Ali, o terminal poderia ser bem pequeno, bastava integrar o Interbairros 2 a umas três linhas locais (que poderiam ser feitas até com micro-ônibus), além de um ligeirinho e um ônibus amarelo indo até o Centro.

Mas é claro que minhas palavras ficarão 'jogadas ao vento', pois entramos numa espécie de realidade paralela, em que insistimos em vermos apenas o que queremos.


Muita gente ainda crê que somos a única cidade a ter transporte integrado.

O sem caráter do vereador Mário Celso escreveu isso no jornal um tempo atrás, por exemplo, para justificar um dos inúmeros aumentos de tarifa da gestão Taniguchi. Ele sabe muito bem que isso não corresponde a realidade mas se aproveitou da ignorância das massas para justificar o injustificável. Ao mentir, explorando a estupidez e orgulho coletivos (especialmente pronunciados em Curitiba) adquiriu karma gravíssimo, mas enfim, isso é livre-arbítrio dele.

O que nos concerne aqui é tentar apaziguar, ao menos um pouco, esse mito estúpido de que Curitiba possui o melhor transporte do país (algumas versões não se furtam em dizer 'um dos melhores do planeta'). Como é sabido, quem menos utiliza ônibus é quem mais diz que eles são excelentes. Nosso sistema foi sim o melhor, mas há muito tempo. De lá pra cá, enquanto só decaímos (e nossa cegueira nos impede de constatar o fato), outras cidades se modernizaram.

Tudo isso já é sabido, eu mesmo já lhes escrevi algumas vezes. Vamos então mostrar que outras cidades adotaram soluções baratas e eficientes, inclusive facilitando o uso de bicicletas
Eu me concentro muito sobre os ônibus, por serem um mal menor sobre a cultura do automóvel. 
Mas é claro que pedalar ou caminhar é que seria de fato a solução ideal. Porém, aí esbarramos em um novo mito, mais um aspecto nojento dessa máquina de propaganda que se instalou no poder por aqui e não quer largar o osso.

O sistema de ciclovias de Curitiba é péssimo, decididamente é só para 'inglês ver'.
A que acompanha o Rio Belém, por exemplo, tem diversos trechos em que foi engolida pelo leito do rio, e isso sem aviso prévio. Se você vem numa velocidade elevada, corre o risco de se machucar seriamente, e são vários os pontos com esse problema. As demais ciclovias enfrentam problemas similares.

A da Mariano Torres, citando outro exemplo, não tem sinais pra pedestres e ciclistas nas esquinas em que é possível virar a esquerda a partir da rua Mariano Torres, só nas ruas em que o tráfego flui no sentido oposto. Há o sinal do outro lado da rua, mas aí, quadra sim, quadra não, é preciso ficar cruzando a Mariano Torres, em zigue-zague, pra poder atravessar suas transversais.
Mais um exemplo que o sistema é feito pra privilegiar os carros, e jamais quem anda a pé ou de bicicleta (pois locomover-se por esses meios é de graça, logo você não faz girar dinheiro para as indústrias automobilística, de petróleo e da guerra). Todos que pedalam nessa cidade sabem dos inúmeros problemas.

Não por acaso diversas pessoas vão pela canaleta do expresso, pois é mais seguro ir por ali do que pelo espaço dos carros. Já pedalei bastante em Curitiba e lhes asseguro que é fato. É claro que se houvesse de verdade uma rede de ciclovias, ninguém se arriscaria entre os ônibus, mas a estrutura para pedalar aqui é precária e pouco funcional. Privilegia a burguesia que usa o pedal como lazer no fim de semana, não sendo pensada para quem quer ir trabalhar de bicicleta. Mas a mídia repete incessantemente as mentiras criadas pela mente sinistra que é Jaime Lerner, e os imbecis (independente de classe social ou grau de intelectualidade) que veem os branquinhos pedalando no Parque Barigui aos domingos agem como papagaios, perpetuando a 'Grande Mentira'.

Goebbels, o gênio da propaganda nazista, já nos ensinou que você deve explorar o orgulho e a preguiça espiritual da multidão, repetindo um milhão de vezes uma mentira, para que ela se pareça verdade. O “Reich de mil anos” caiu bem antes disso mas deixou frutos aqui em Curitiba. Claro que não estou sugerindo que nossa cidade odeia uma raça em particular e coloca essas pessoas em guetos como o de Varsóvia e nem em campos de concentração, para depois cometer genocídio. Longe disso, graças a Deus. Mas que a máquina de propaganda da cidade de '1º mundo' tem elementos da 'raça perfeita' alemã, isso é inegável.

Voltando às bicicletas: a rede de ciclovias, exatamente como a dos ônibus, é ruim, só funcionando bem na mídia e nas mentes fracas que gravitam em torno da propaganda mentirosa que adula o orgulho dos que não querem evoluir.

Mas não iremos nos focar nos problemas, e sim mostrar que há soluções. Algumas delas não requerem quase nenhum dinheiro, apenas um pouco de vontade.

Como é notório a nós busólgos, no exterior é comum, principalmente em cidades de praia, os ônibus terem suporte para você deixar a magrela na frente. Agora, através das fotos, vou 'exoterizar' (tornar pública, ao contrário de esoterizar, que é manter apenas para os iniciados) esse fato aos que, ao contrário de mim, não têm o hábito de passar horas em frente ao computador vendo como funcionam os sistemas de ônibus do mundo todo.

Enfim, as imagens dizem tudo por si mesmas: ônibus e bicicletas funcionando em harmonia, o pior pesadelo da General Motors e da Shell. 
São Paulo - ônibus com suporte
para bicicleta


Me alegro em te dizer que a ideia está pegando no Brasil também. Já havia visto fotos de um bichão desses na grande Santos (SP) e agora já existem também na capital paulista. Espero que um dia chegue aqui em Curitiba também, e o quanto antes.

Mato a cobra e mostro o pau. Envio pra vocês a foto de São Paulo e de Miami.


Isso sim é real evolução: usar a inteligência para integrar e privilegiar as formas de deslocamento mais racionais, que privilegiem esforço próprio e o compartilhamento com os irmãos em detrimento do conforto (preguiça) e individualismo (egoísmo) dos carros. Fora que as bicis não poluem e os ônibus poluem 7 vezes menos que os carros, em termos per capita. Além de jogarem menos fumaça na atmosfera, os coletivos ocupam 15 vezes menos espaço nas ruas, sempre calculando pelo mesmo número de pessoas transportadas. Os que reclamam dos engarrafamentos deveriam pensar sinceramente em deixar o carro na garagem, uma vez por semana que fosse.

Miame - ônibus com suporte para bicicletas

Além disso, todas as estações de trem e metrô em São Paulo contam com um bicicletário seguro (ou estão em obras para te-lo em breve). Fora dos horários de pico (2ª a 6ª depois das 8 da noite, sábado depois das 2 da tarde e domingo o dia inteiro) esse até é dispensável, aliás. É possível então entrar com sua magrela dentro do vagão do trem do trem ou metrô. 
Você imagina alguém de bicicleta dentro do bi-articulado? Nos cegamos tanto ao adular nosso orgulho, que dizia que éramos superiores a todos, que coisas simples, reais a apenas 400 km daqui, nos parecem outra galáxia.

Um último detalhe: como você pode ver, o buso azul de São Paulo é piso baixo. É infinitamente melhor e mais barato que os elevadores para cadeirantes tão comuns aqui. O elevador atrasa triplamente o embarque e desembarque: por si só é demorado, o cobrador tem que ir operá-lo, interrompendo a cobrança de passagens, e, mesmo quando não está sendo utilizado, rouba um espaço precioso na porta do meio, que agora tem metade do tamanho anterior. Repare em um terminal como nos ônibus mais antigos, ainda sem elevador, o embarque e desembarque é infinitamente mais rápido do que nos ônibus que já o possuem. Além disso, alguns idosos e os que andam de muleta têm grande dificuldade em subir as escadas e não são beneficiados.

É claro que não quero deixar os cadeirantes à míngua, mas proponho adotarmos aqui algo que será melhor para todos: os ônibus de piso baixo. Esse sim será bom também para os idosos, e a rampa que dá acesso aos cadeirantes é infinitamente mais barata que o elevador. Além disso, a porta pode ser larga, facilitando para todos.

Em São Paulo, há literalmente milhares de ônibus com piso baixo, inclusive centenas de articulados (mando a foto de um deles).
Aqui, o sistema foi apenas testado. A Luz e a Glória tiveram um ônibus cada desse modelo e a Tamandaré dois ou três. Ou seja, nunca passou de 5 veículos, dos 1500 da rede. Em São Paulo, repito, há mais ônibus com piso baixo que toda nossa frota.

Articulado piso baixo - SP
Isso pra não falar dos tubos, que são péssimos. Num próximo texto, mandarei fotos de como são as estações de ônibus em Uberlândia-MG. Você vai chorar de inveja.

Nossa prefeitura e classe dominante pensam que somos cachorros-quentes, por isso gostamos de ser 'prensados' nas portas dos tubos. 

Novamente eles existem como ferramentas de lavagem cerebral, sendo péssimos para o transporte de massa mas rendendo excelentes fotos aos turistas, que se encantam sem imaginar como é estar ali dentro nos horários de pico. Natural, posto que provavelmente não pegam ônibus onde moram, da mesma forma.

Enfim, os tubos são ruins e não vão mudar, pois rendem frutos políticos para a 'máquina de propaganda', tenho consciência disso.
Mas eles poderiam ao menos adotar as rampas ao invés dos elevadores: é infinitamente mais barato, prático, não quebra nem dá manutenção, não tira o cobrador de seu posto e nem deixa o deficiente na mão – como é sabido, centenas de elevadores estão quebrados, obrigando os cobradores a subirem a cadeira 'no muque'. E as rampas também poderiam beneficiar os idosos, sem atrapalhar a circulação geral. Mas, assim como o próprio tubo, o elevador anexo é um excelente instrumento para moldar a 'Grande Mentira'.

Aí eu pergunto: Por quê?

Quem está se beneficiando de um sistema caro e ineficiente, que só é de '1º mundo' para aqueles que não o utilizam?
Até quando seremos apenas massa de manobra das elites política, econômica e intelectual? Quando essa situação (sofrimento de muitos para o lucro de poucos) começará a mudar?

Responda quem puder.........

Continua.

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