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12 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 1

Curitiba-Paraná-Brasil
Por: Coré-Etuba M. da Luz

Bom dia pessoal.

Vamos iniciar uma série de escritos sobre a cidade de Curitiba.

Convido todos a participarem escrevendo também suas opiniões sobre a cidade.
Falaremos dos bairros, sua geografia, história e fatos curiosos, do Centro Cívico a Cidade Industrial.

Pra começar, vamos falar um pouco de como a cidade se divide.

Dividi a cidade da seguinte forma: a Zona Sul é a Zona Vermelha, a Zona Leste é a Zona Amarela, a Zona Norte é a Zona Azul, a Zona Oeste é a Zona Verde e por fim a Zona Central é a Zona Cinza.
Hoje vou lhes mandar o mapa pintado com as cores de cada região. Com o tempo, vou falando mais porque adotei esse critério, e convido novamente a todos a apresentar outra classificação, se lhes parecer lógico. Apenas é claro peço que baseiem suas objeções, evitando discordar apenas por discordar. Bem argumentadas, todas as dissidências são bem-vindas. O Universo é holístico e uma análise não impede outras.

Se vamos nos aprofundar sobre a cidade, você precisa saber com exatidão a que região cada bairro pertence. E pra iniciarmos então a discussão vou falar um pouco do porque isso é mais difícil aqui do que em outras cidades: Em Curitiba, por razões ideológicas, durante muito tempo se evitou dividir a cidade em zonas, tipo, Zona Leste, Zona Sul, etc. Isso se deve a estupidez característica do curitibano, e foi explorada propositadamente pela máquina de propaganda, que não foi criada pelo Lerner mas teve nele seu zênite.

Todas as cidades são divididas por zonas. Exatamente por isso se evitou (e ainda se evita) falar nesse termo aqui.
Veja que a prefeitura até hoje ainda tem a palavra 'zona' como tabu. Quando é preciso utilizar, eles falam em "Região Sul". A causa dessa hipocrisia é aquela que eu falei: todas as cidades, mas notadamente São Paulo e Rio de Janeiro, são divididas por zonas. Mas não só essas. Londrina, Cascavel, Belo Horizonte, Porto Alegre, Goiânia, Chicago, Londres, Los Angeles, enfim, o mundo todo adota. Só não é usado em locais que a geografia não permite classificar dessa forma, como Brasília, Nova Iorque, Salvador e Florianópolis, que tem suas próprias classificações.

Só que Curitiba é uma cidade natural (diferente de Brasília), que não é dividida entre ilhas e o continente (Florianópolis e Nova Iorque) e nem é numa península (Salvador). Tem um Centro que é cercado de bairros pelos quatro lados. Logo, aqui o caminho mais natural era seguir o mundo todo, ou seja, classificar por zonas.

Só que exatamente porque o mundo todo adota esse critério é que Curitiba se recusou, e em boa medida ainda se recusa, a usar.

Porque um bando de imbecis que há por aqui acha que somos 'diferentes' de todo o resto. Pra te falar a verdade, acho que eu fui o primeiro que grafei os termos 'Zona Sul', 'Zona Oeste', etc, na Gazeta do Povo. Foi em 2000. 10 anos atrás, a Gazeta proibia que eles fosse utilizados no jornal, seguindo determinação da prefeitura. Não sei se se lembram, mas até 2000 a Gazeta era apenas um diário oficial. Não havia qualquer contestação ao poder. Hoje ainda há um pouco, mas até 2000 não existia. Por isso era tabu falar em zonas na Gazeta, seguindo a linha oficial. Nesse ano, que foi quando me formei em jornalismo, fiz lá um estágio de um mês, e publiquei duas matérias, uma sobre política (que não pude assinar pois não era formado) e outra sobre o rap em nossa cidade. Nessa última, o jornalista era meu professor, e aproveitando que o caderno de cultura tem um pouco mais de flexibilidade, ele me deixou assinar, mas a liberdade de expressão foi além:

Coloquei na matéria propositadamente os termos 'Zona Norte', 'Zona Central', etc.

Repito pra você. Acho que foi a primeira vez que a Gazeta grafou essa denominação, que é lugar comum em qualquer cidade, mas aqui era tabu.

Se não foi a primeira vez, foi uma das primeiras com certeza. Mas há enormes chances de ter sido de fato a estreia. Hoje a cidade cresceu muito, veio muita gente de fora, então já não causa tanto espanto alguém dizer que mora na Zona Leste. Até mesmo a Gazeta as vezes usa o termo, embora os mais conservadores ainda prefiram 'região'.

Pra você ter uma ideia, esses dias esse mesmo jornal publicou uma matéria em que dizia que dividir a cidade por zonas e lutar pra defender território é coisa de gangues. Como sempre faz esse jornalismo hipócrita, se aproveitaram de uma meia-verdade pra tentar empurrar uma mentira inteira. É claro que um imbecil agredir outra pessoa porque um mora na Zona Leste e o outro na Zona Sul é coisa de retardados, até porque muitas vezes eles são vizinhos, apenas cada um mora de um lado de uma avenida, ou de um rio. Brigar pela divisão é coisa de gangues, que indubitavelmente são mais fortes na periferia - a burguesia também tem maldade, e a exerce até de uma forma pior, pois é mais organizada mentalmente e menos visível fisicamente, mas definitivamente os jovens que tem dinheiro não se matam por cada um morar em uma parte da cidade.

Voltando a questão principal, brigar pela divisão é coisa de idiotas do subúrbio. Mas a divisão em si não é coisa de gangues. Não é só nas quebradas que a cidade é dividida em zonas. Bairros mais centrais, e que não são violentos, também são de alguma zona. O Bacacheri, por exemplo, faz parte da Zona Norte, e isso independe do número de assassinatos que há no bairro, pois é um critério geográfico e não social, e muito menos policial. O Santo Inácio faz parte da Zona Oeste, e o Jardim Social da Zona Leste, e olhe que nunca ouvi falar de um homicídio ocorrido nesses bairros, nessas duas décadas que leio a Tribuna. As vezes, no entanto, a Gazeta se rende as evidências e usa o termo corretamente, apenas pra mostrar em que parte da cidade o bairro se situa, sem dar uma conotação policial. Esses dias li uma matéria em que o cara falava 'Boqueirão, na Zona Sul, Cidade Industrial e Campo Comprido, na Zona Oeste', como é universal em todos os lugares.

Mas a resistência ainda é forte, a prefeitura mesmo ainda se recusa a admitir essa nomenclatura. Eu não me importo com os idiotas que insistem na lavagem cerebral de 'cidade do 1º mundo' mesmo esta tendo sido posta por terra aos olhos de todos – o que eu ajudei a fazer ao menos em dois campos, quando pichei os viadutos por fora ainda em 93 e quando escrevi 'Zona Sul' no então diário oficial ainda em 2000. Nos dois casos, fui o primeiro a fazê-lo. Na pichação lhe dou certeza, e no jornal não posso assegurar 100%, mas lhe dou 99% de chances que eu tenha sido o primeiro também. Aliás, quando pichava, eu escrevia claramente nos muros ZONA LESTE, o que também ajudou a assentar o termo na mente coletiva, quando esse conceito ainda era estranho a multidão, em 1993. Não tenho com isso intenção de chamar atenção pra minha pessoa, mas é fato que sempre tive vocação pra fazer diferente. Só faço o que me faz sentido, e nunca porque 'todo mundo faz assim'. Se o que todo mundo faz me parece lógico, eu abraço, se não, eu adapto. Sempre foi assim e sempre vai ser.

Voltemos a falar de Curitiba. Falei isso apenas pra por no contexto de porque muita gente aqui não sabe em que em que zona mora. Some-se a isso o problema que a Zona Norte tem um problema de personalidade, querendo abocanhar bairros que não lhe pertencem. Alguns acham que tudo que é a norte do Centro é Zona Norte. Evidente que a norte do Centro não pode ser Zona Sul, mas eles se esquecem que existem as Zonas Leste e Oeste também. Assim, quando você ver que Mercês e Bairro Alto são Zona Norte, já sabe o porque. É uma inverdade. O Bairro Alto faz parte da Zona Leste e Mercês pode ser classificado como Zona Oeste ou Central, mas Norte jamais. A medida que fomos aprofundando o debate, falaremos o porque desse 'complexo de superioridade' da ZN. Tem tudo a ver com o motivo que a classifiquei de Cidade Azul, pois é a parte mais europeizada de Curitiba, e azul é a cor que representa o orgulho europeu – não por acaso a bandeira da União Europeia é inteira azul.

Encerro esse contato. Ainda hoje lhe mando o mapa pintado.

Deus ilumine a todos.



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