Pesquisar nesta mnemônica

Translate

Print Friendly Version of this pagePrint Get a PDF version of this webpagePDF

14 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 9

Curitiba cresce para o Sul
Por: Coré-Etuba M. da Luz


Boa tarde.


Esse email visa complementar o anterior.


Lhes falei do que ocorreu em Curitiba, onde Marcelo Almeida promoveu uma invasão pra tentar se eleger vereador mas teve seu intento frustrado nas urnas. Ele realmente não é querido pelo povo, pois já havia perdido a eleição pra deputado em 2006, malgrado ter lançado mão das técnicas mais desonestas possíveis. Beti Pavin, outra que não é exemplo quando o assunto é ética, tentou o mesmo artifício em Colombo. Tudo isso já havia sido citado.

Esqueci porém de mencionar que no município vizinho a tentativa de se eleger criando novas favelas na cidade também foi derrotada pela vontade popular. Beti era candidata a prefeita. Ela, que já havia governado Colombo anteriormente, foi preterida nas urnas por seu concorrente J. Camargo. Como ocorreu na CIC, talvez se ela tivesse ganho a enorme ocupação irregular que ela promoveu no bairro Roça Grande, às margens do Contorno Norte, talvez tivesse permanecido - há boas razões pra se pensar assim.

Não foi o caso, porém. O vento que sopra cá também sopra lá.
......
Vamos ao mapa e as fotos.
O mapa mostra que tipo de revestimento tinham as ruas do município de Curitiba em 2005, se é que havia alguma!
90% das ruas estão no primeiro caso, enquanto 10% ainda são de terra – chamada pela prefeitura de 'saibro'.
Vamos simplificar aquela confusa legenda, falando dos tipos mais comuns:


Vermelho: asfalto.
Onipresente na região central, na periferia só era encontrado nas avenidas principais. Algumas poucas vilas tinham o privilégio de serem todas asfaltadas. Exemplos são a Vila Nossa Senhora da Luz (Cidade Industrial – Zona Sul), Conjunto Mercúrio e Vila Oficinas (ambos no Cajuru, Zona Leste), Colina Verde (Bairro Alto, Zona Leste), Conjunto Solar e Vila Esperança (Bacacheri e Atuba, respectivamente, os dois na Zona Norte). Note que o mapa retrata o que ocorria em 2005. De lá pra cá a situação se modificou muito.
A prefeitura agora não usa mais anti-pó, que provou ser 'o barato que sai caro'. Então, as novas ruas quando recebem pavimentação é direto com asfalto. O Bairro Novo (Sítio Cercado, Zona Sul) que cinco anos atrás só tinha asfalto nas suas duas vias principais (ruas Tijucas do Sul e são José dos Pinhais) agora está asfaltado em sua maior parte, e com asfalto de verdade.


Amarelo: anti-pó. 

Onipresente na periferia, 5 anos atrás e ainda hoje. Foi um dos maiores erros de nossa cidade. Nas décadas de 70 e 80, cobriu-se todo o subúrbio com esse pavimento. Os gênios da prefeitura julgaram ter achado a solução ideal, barata e que acabaria com as ruas de terra. A questão é que algumas décadas atrás, poucas pessoas nos bairros mais afastados tinham carros, e as famílias que possuíam esse que na época era um verdadeiro luxo pras classes trabalhadoras se limitavam a um veículo por residência. Com o desenrolar da história, hoje até os que moram em favelas tem transporte próprio, como é sabido. Os bairros de classe média baixa então contam com 2 ou mesmo 3 automóveis por família. Assim, o anti-pó, que foi feito pra suportar apenas tráfego leve, se esmigalhou, deixando as ruas que possuem esse 'benefício' mais esburacadas do que se fossem de terra.
Sei bem do que estou falando pois moro no Boqueirão, na Zona Sul como o endereço de email pelo qual lhes envio esse texto indica. Meu bairro e o vizinho Uberaba (já na Zona Leste) estão em estado verdadeiramente calamitoso, situação que se repete em boa parte da cidade. O anti-pó é o 'novo saibro', e será preciso asfaltar tudo de novo.
Todo o esforço das décadas de 70 e 80 foi jogado no lixo.
A prefeitura vem asfaltando algumas ruas, mas o trabalho vai ser longo. O que eles julgaram ser a solução na verdade era o problema. É claro que a prefeitura não podia prever o futuro, e não a culpo por isso. Mas que esse erro reflete a arrogância tão curitibana de julgar que as soluções criadas aqui são absolutamente geniais, isso reflete.


Verde: terra.
Na época, os três maiores bolsões sem pavimento eram na Zona Sul. À esquerda do mapa, abaixo está o Rio Bonito, no bairro Campo de Santana. É o grande loteamento que o Ippuc ignorou na projeção da população em 2007. Logo acima dele vem a metade ocidental do Tatuquara, citada no email anterior. De amarelo, com anti-pó, é o Jardim da Ordem, mais antigo. Suas expansões (mandei uma foto de uma delas no 1º email da série) na época ainda estavam com suas ruas sem qualquer pavimento. Algumas vilas da região que poderia citar são: Santa Rita, Santa Cecília, Jardim Ludovica, Jardim Paraná, Monteiro Lobato e Vila Evangélica.


Mais à direita há uma grande área com as ruas em verde. É o já citado Bairro Novo. As 3 regiões hoje estão asfaltadas em sua maior parte, e a prefeitura vem desenvolvendo um trabalho intenso pra pavimentar logo o que falta, até porque essa região, por ser muito povoada, é o 'curral eleitoral' mais disputado de nosso estado.
Não se esqueçam que a Zona Sul tem 37% da população de Curitiba, sendo os outros 63% dividido pelas zonas Oeste, Norte, Central e Leste. E essa situação só tende a se acirrar, no censo de 2020 certamente a Zona Sul abrigará 45% da população da cidade ou mais, pois todos os bairros que crescem em larga escala estão na ponta meridional do município. Já se pode dizer sem medo de errar que hoje é a Zona Sul é quem decide as eleições municipais.


Quando o pleito é estadual, como agora, esse peso se dilui, mas ainda é considerável. 13 bairros de Curitiba têm mais do 40 mil habitantes. 9 ficam na Zona Sul, sendo 7 na sua periferia. A Cidade Industrial tem a maior parte de seu território na Zona Oeste, conforme já falamos, e o Portão é na Zona Sul mas ainda próximo a Zona Central, sendo majoritariamente de classe média. Porém, 7 ficam no subúrbio, e embora todos eles tenham minorias razoáveis de classe média, a maioria é mesmo de classes mais humildes. Os 7 têm hoje 50 mil habitantes ou mais. São eles Pinheirinho, Xaxim, Novo Mundo (o único que talvez ainda não atinja 50 mil mas está muito próximo), Boqueirão, Sítio Cercado, Tatuquara e Campo de Santana. Dos outros 4 bairros que figuram entre os 13 maiores, um é a Água Verde (Zona Central), e os outros estão na Zona Leste: Cajuru, Uberaba e Bairro Alto. Vale observar que dos 13 maiores bairros, 12 estão sul do Centro, embora 1 esteja na Zona Central, 1 (parcialmente) na Zona Oeste e 2 na Zona Leste.

Só há um bairro entre os que têm mais de 40 mil pessoas a norte do Centro, o que é muito significativo. E ele está na Zona Leste. Dos 13 maiores bairros da cidade, nenhum está na Zona Norte, o que é igualmente significativo.

Curitiba cresce pra sul.

E isso só tende a se ampliar. Ia fazer apenas um pequeno comentário sobre o mapa da pavimentação e acabei escrevendo bem mais do que imaginava. Mas é fato. A Zona Sul curitibana está caminhando pra se tornar a Zona Norte carioca. Afastada do núcleo econômico e cultural da cidade, mas sede do núcleo populacional. E é por isso que a prefeitura asfaltou nesses últimos 5 anos a maior parte da áreas que estavam em verde nesse mapa, escrevi tudo isso pra chegar nesse ponto.

O que era pra ser uma nota de rodapé se tornou o núcleo do texto. Não há problema, o importante é as informações circularem. Vamos agora encerrar a análise do mapa.

Marrom: terra em ocupação irregular.As manchas se concentravam nas Zonas Leste (Cajuru e Uberaba) e Oeste (Cidade Industrial).

Azul claro: paralelepípedos.Em 2005 eram poucas calçadas dessa forma e hoje são ainda menos, pois asfalto está sendo posto por cima das pedras.
.....
Por fim, as fotos.

Portão- Zona Sul
A primeira mostra o bairro do Portão (Zona Sul). A foto é de 2000. No primeiro plano estão o terminal e o museu, na época ainda ativo, note que os tapumes que 'decoram' sua entrada hoje estão ausentes na imagem. No passado, houve ali até um cinema da Fundação Cultural, que infelizmente teve o mesmo destino de alguns de seus irmãos da Zona Central: fechou as portas. A seguir vê-se a Avenida República Argentina. Atualmente, há bem mais prédios, pois essa década foi de verticalização intensa por ali. Não por acaso o Portão passou de 40 mil habitantes no Censo que foi realizado no ano dessa foto para cerca de 55 mil hoje, um dos maiores crescimentos da cidade, digno do Extremo Sul: é o mesmo aumento verificado no Tatuquara e Sítio Cercado, por exemplo.

Na segunda fotografia vemos dois bairros da Zona Central, o Centro no primeiro plano e a seguir o Batel. Os prédios que aparecem na frente (como por exemplo um com teto triangular que conta com um relógio adornando-o, e que está na Rua Carlos de Carvalho) pertencem ao Centro, onde pode-se fazer prédios com altura ilimitada. Nos demais bairros, porém, essa condição só se aplica ao que no zoneamento é definido por 'zona estrutural', entre as vias rápidas, tendo a avenida do ônibus expresso como espinha dorsal.


Na foto se vê isso com clareza.
No Centro, os prédios altos se espalham pra todos os lados. Mas depois que se sai de seu território (no caso aqui, cruzando a Rua Desembargador Motta), a altura das torres cai bruscamente, pois nos bairros o limite é de 12 andares – ou menos, há locais em que só se pode fazer construções com 10, 8 ou 4 andares, e há bairros em que não se pode verticalizar de modo algum. Enfim, nas quadras que cercam a avenida do expresso não há limites, como já foi dito. No caso, essa avenida é a Sete de Setembro, então a área que é liberada pra prédios com 20, 30 ou mais andares é o trecho entre as avenidas Visconde de Guarapuava e Silva Jardim. Por isso a fileira de edifícios altos (que corta o meio da foto) é estreita.

Essa situação se repete nas outras partes de Curitiba. É por isso que na foto do Portão se vê que os edifícios mais altos cercam a via do expresso pelos dois lado, com a Av. República Argentina formando uma espécie de 'grand canyon'. Mas além dessa espinha dorsal as construções são bem mais baixas.
Centro e Batel - Zona Central
....
Por hoje acho que é suficiente. Em algum ponto no decorrer dessa semana retomamos a série.


Paz a todos.
“Deus proverá”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

PARE, PENSE, TOQUE E, SE NECESSÁRIO, COMENTE!
Obs: Haverá MODERAÇÃO do seu comentário!