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14 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 10


Porque o Hospital do Cajuru não é no Cajuru?
Por: Coré-Etuba M. da Luz

Boa tarde a todos.


Após uma semana de pausa, vamos retomar nossa série sobre Curitiba. Irei sempre lhes escrevendo sobre o tópico, mas a periodicidade será variável, afinal escalas fixas são coisas da raça branca, e como todos vocês sabem, eu não sou branco, sou americano.



Definições raciais de minha pessoa à parte, vamos nos ater à cidade, que é o que nos interessa.
Conforme indiquei no título, vamos falar hoje de um paradoxo:
Por que o Hospital Cajuru não é no bairro do Cajuru?
A resposta é simples: não é hoje, mas um dia já foi.
E pra entrarmos nessa questão, iremos destrinchar um pouco da história de toda a Zona Leste curitibana. Vamos lá então.


Como é sabido, o Hospital Cajuru está localizado no Cristo Rei. A filial do Bradesco que fica exatamente em frente a Rodoferroviária também se chama agência Cajuru. Embora pouca gente saiba, ali pertence ao bairro do Jardim Botânico. A maioria das pessoas pensa que é Centro, mas não é.
A Rodoviária e o Mercado Municipal fazem parte de um enclave do bairro Jardim Botânico. Só que não é sobre isso que quero falar agora. Muitos podem pensar que a Rodoviária e Mercado ficam no Centro, mas todos sabem que não ficam no Cajuru, e tampouco o hospital está no bairro do Cajuru, também acima de qualquer dúvida. Isso pra não falar no cartório do Cajuru, que fica entre esses dois pontos, da mesma forma no coração do Cristo Rei.

Por que então tantas coisas levam o nome do Cajuru, sem estarem nele?


Pra responder a essa pergunta, é preciso voltar no tempo, até a colonização da área.
Nas últimas décadas do século 20, Curitiba cresceu bem mais pra leste do que pra oeste e norte. Tanto que a Zona Leste já está inteiramente povoada há décadas, não tem mais grandes áreas disponíveis, que ainda são encontradas nos extremos Sul, Oeste e Norte.
Mas um século atrás a situação era diferente. Curitiba havia se expandido mais pros outros lados.
Segundo os arquivos da prefeitura (depois vou lhes enviar esse mapa), na virada dos séculos 19 pro 20, ou seja, em 1900, a mancha urbana já havia ocupado todo o Centro e pelo menos partes de um ou mais bairros a Oeste, Norte e Sul. Dando nome aos bois, já eram ocupados todo o Centro e pequenas partes do Batel e Mercês a Oeste, todo o Centro, quase todo o São Francisco e parte do atual Centro Cívico (que na época pertencia a outros bairros, pois ele foi criado artificialmente na década de 50) a Norte, todo o Centro e a maior parte do Rebouças e mesmo uma pequena porção da Água Verde a Sul.

Mas pra Leste a situação era diferente. Tudo ainda era zona rural, inclusive locais que ainda pertencem ao território do Centro. O Rio Belém marcava em 1900 o limite da expansão urbana. Pra quem não sabe, ele passa por baixo da Rua Mariano Torres, ou melhor, em 1978 ele foi canalizado e a pista da avenida foi construída sobre ele. O fato é que a Leste da atual Mariano Torres ainda havia apenas chácaras em 1900, e o território do Centro vai bem pra além disso, seu limite oriental é a Rua Ubaldino do Amaral. Ou seja, nem sequer o território do Centro havia sido totalmente tomado, área urbana em bairros a Leste então nem pensar. Lembre-se que estamos em 1900.

Vamos agora avançar rapidamente 27 anos. Ou seja, descreverei como era Curitiba em 1927. 


A cidade crescia e avançava sobre as chácaras e fazendas de seu cinturão verde. A mancha urbana se expandiu vigorosamente pra Sul e Oeste. Na ocasião pra Sul a zona urbana já atingia quase todo o bairro do Rebouças e mais uma parte da Água Verde, embora a maior parte desse último bairro ainda fosse rural, até porque ele é bem extenso. Pro Oeste, a expansão da cidade assimilou quase todo o bairro do Batel e mais uma boa parte das Mercês e Bigorrilho. Pra Norte o crescimento foi menor, pegou só uma pequena parte do Alto da Glória e mais um pequeno trecho do São Francisco. Vocês não devem se esquecer que os bairros ao Norte do Centro estão em aclive em relação a este (visualize a subida da Av. João Gualberto no Alto da Glória), então em épocas sem transporte motorizado, as pessoas deram preferências às planícies a Oeste e Sul do Centro.


E também a cidade já havia crescido bastante a Norte no ciclo anterior, em 1900 o São Francisco era o único bairro (a parte do Centro, obviamente) que já majoritariamente urbano. O que resulta que da mesma forma a cidade em 1927 era muito maior pra Norte do que pra Leste, pois pra esse lado, embora não haja subidas (pelo menos se formos pela atual Av. Afonso Camargo, e a região da atual rodoviária já era habitada), ainda estava destinado a ser área rural. É claro que houve crescimento pra parte oriental, mas apenas em 1927 a mancha urbana conseguiu ocupar todo o Centro (o que os outros 3 lados já haviam atingido em 1900), e apenas uma pequena porção do (atual) Alto da XV.
Pra se fazer justiça, embora pelo Cristo Rei não haja subidas, pra ir do Centro ao Alto da XV é preciso vencer a ladeira, como alias a própria nomenclatura do bairro indica.

Aclives topográficos à parte, o fato é que em 1900 a cidade pra Norte, Sul e Oeste já ocupava todo o Centro e partes de alguns bairros. Pra Leste, nem sequer o Centro, e bairros nem pensar. Em 1927, nas 3 primeiras regiões, a mancha urbana já abrangia pelo menos a maior parte de um bairro e grandes partes de mais um ou dois, enquanto a Leste apenas havia-se atingido com 27 anos de atraso o que as outras partes já logravam na virada do século: tomar todo o Centro e uma pequena parte de um bairro. Ocupar quase todo um bairro e ainda partes de um segundo ou terceiro, novamente nem pensar.

Fiz toda essa retrospectiva histórica apenas pra mostrar o que havia dito no início, que até o começo da década de 30, a cidade havia crescido pouco pra Leste. E é com isso em mente que vamos poder entender afinal por que o Hospital Cajuru não está no Cajuru?

Como acabei de dizer, a Zona Leste até um pouco antes da 2ª guerra mundial ainda era área rural. Enquanto os três outros lados da cidade se urbanizavam e se dividiam em bairros, não houve essa necessidade pra parte oriental. Assim, tudo do que é a atual Zona Leste foi dividido em apenas duas grandes regiões: Cajuru e Tarumã. Havia uma sub-divisão, onde se acrescentava o “Alto” na frente pra indicar se era perto do Centro ou não. O Alto indicava a parte mais distante, então subentendia-se que o 'baixo' (que não era escrito) era a porção mais central. Assim: Cajuru e Alto Cajuru, Tarumã e Alto Tarumã, num processo análogo ao que culminou na secessão do Alto Boqueirão do bairro em que resido, o Boqueirão.

Mas voltemos a Zona Leste do início do século 20. À porção mais ao sul (sul da Zona Leste, e não sul de Curitiba) se deu o nome de Cajuru, e ao norte (da Zona Leste) de Tarumã. Assim, o 'Cajuru' da época englobava os atuais Cristo Rei e Jardim Botânico. Como falei antes, o Hospital Cajuru, presentemente no Cristo Rei, tem esse nome porque já pertenceu ao Cajuru, e o mesmo vale pra região da Rodoviária e do Mercado Municipal, hoje Jardim Botânico. O antigo 'Alto Cajuru' é o atual Cajuru propriamente dito. Se não me engano havia antes uma linha de ônibus chamada Alto Cajuru, mas não posso dar certeza.

Subindo um pouco no mapa, o antigo 'Tarumã' é a região onde é o atual Tarumã, aqui não houve alterações. O 'Alto Tarumã' era a denominação de uma parte do que hoje pertence ao Bairro Alto. Mais especificamente, era conhecido por Alto Tarumã a parte plana do Bairro Alto, ali próximo à Av. Vítor Ferreira do Amaral.
É por isso que existe um ônibus chamado Alto Tarumã, pois ele serve exatamente a pequena planície que há na região meridional do Bairro Alto. Quando o Terminal que leva o nome do bairro foi inaugurado em 1993, a linha foi estendida até lá, pra oferecer transporte integrado àquelas vilas. Mas a origem do nome é essa que acabei de dizer.

Vale lembrar, ainda mais uma vez, que o Bairro Alto pertence à Zona Leste, e não Norte, como é erroneamente referido com frequência. Ainda escreverei sobre as causas dessa aberração.
…...

Agora as fotos: as 3 mostram os calçadões da Rua XV de Novembro. Só que apenas as duas primeiras são do Centro de Curitiba. A terceira é de São José dos Pinhais.

Vamos falar um pouco primeiro das imagens que mostram a 'Rua das Flores', cuja última quadra é conhecida por 'Boca Maldita'.
As fotos são de 1978, e mostram uma Curitiba que já se extinguiu há muito, aquela anterior aos 'shoppings' (argh!!!!), quando o calçadão do coração da cidade ainda era seu ponto mais nobre de comércio. Eu encarnei (nasci, para os materialistas) em 1977, e me mudei pra Curitiba, com 3 anos, em 1980. Logo, não sou exatamente contemporâneo à época desses registros. Mas boa parte das características aqui mostradas se mantiveram ao longo da década de 80, então deu tempo de serem presenciadas pra ficarem em minha memória. Até porque o primeiro grande 'shopping' da cidade é o Mueller, que foi inaugurado em 1983. Porém, ainda levaram alguns anos até ele 'pegar', e matar de vez o 'glamour' do Centro, ou seja, ainda pude presenciar esse encerramento de ciclo.

Na 1ª imagem, vemos 4 carros, e curiosamente 3 eram marrons, cor hoje não mais utilizada nos automóveis novos, que dão preferência a tons metálicos, prateados. Como se percebe no entanto, em 1978 a tendência era outra. Vemos 3 carros Corcel, da Ford, dois do modelo Corcel 1 e um mais novo, Corcel 2. O outro veículo é uma imponente Belina, da Chevrolet. Os 4 carros, é óbvio, têm placa amarela, a placa cinza só foi implantada em 1991 – o Paraná foi o primeiro estado da federação a fazê-lo, por isso as chapas aqui começam com “A”.

Rua das Flores - Centro


Reparem nas faixas de pedestre: haviam flechas indicando que as pessoas deveriam seguir a direita, numa tentativa de padronizar o fluxo dos que andam a pé de forma similar ao tráfego motorizado. Deixo pra cada um julgar se era ou não boa ideia. Mas em minha visão essa é uma bizarrice típica de Curitiba, pois andando a pé não há risco de acidentes graves, então por que essa estupidez?
Por que essa necessidade patológica de tentar mostrar que aqui tudo é 'diferente', mais organizado? Essa obsessão por 'disciplina' foi a raiz do fascismo e do nazismo, que graves prejuízos trouxeram a humanidade no século que se encerrou.

É claro que é preciso achar um equilíbrio entre a padronização coletiva e a criatividade individual, pois se não tudo degenera em tumulto. Não estou propondo que anulemos a civilização e 'retornemos a natureza', ou seja, voltemos a viver nas selvas, falando de modo material e também em termos de moral. Longe disso. É certo que pra vivermos em sociedade o estado precisa estabelecer alguns padrões de comportamento. Mas daí a cair no extremo da verdadeira obsessão que a classe dirigente de nossa cidade tem em mostrar que somos mais organizados em tudo vai uma distância considerável.
Estabelecer em que parte da calçada cada um deve andar? E isso em um calçadão, onde os carros já foram retirados exatamente pros pedestres se sentirem a vontade. Faça-me o favor!!!

Só uma cidade em que o nível de estupidez e egocentrismo chega a esse nível patológico pode mesmo aceitar a lavagem cerebral de 'cidade do 1º mundo, uma das 3 melhores do planeta' que viria pouco depois, e isso mesmo tendo mais de 300 favelas.
É claro que a 'grande mentira' de cidade de 1º mundo foi formulada pelo mesmo grupo de cabeças (lideradas pela mente sinistra de Jaime Lerner) que achava uma boa ideia lhe mostrar por flechas pintadas no pavimento exatamente por onde você deve caminhar.

Outro feito dessa gangue foi mudar a cor do papai noel (??????). É triste mas é verdade. No início dos anos 90, perto de nossa cidade fazer 300 anos, quando a dosagem de mentiras estava volume máximo, o papai noel, que é e sempre foi universalmente vermelho, era verde em nossa cidade (!!!!!!!!!!). Nada contra dar um tom local as manifestações, também não estou dizendo que devemos aceitar automaticamente o que vem pronto de fora. A questão é que o papai noel ganhou roupagem verde como peça de uma campanha asquerosa de propaganda, que visava explorar o orgulho de nosso povo num sentido negativo, nos fazendo crer que somos a 'raça escolhida' apenas por sermos curitibanos.

Qualquer semelhança com o nazismo não é mera coincidência. Hoje que tudo amainou pode parecer exagero de minha parte, mas o que já estavam aqui (e têm idade pra lembrar dos detalhes) no princípio dos anos 90 sabem que estou dizendo a verdade, que na época se atribuía qualquer problema que a máquina de propaganda não podia ocultar 'aos que vieram de fora', e portanto 'ainda não entendem o modo curitibano de vida'. É uma forma de mentalidade extremamente perigosa, que na Europa degenerou pra 'soluções finais' contra os que não se adaptavam mesmo ao 'bom funcionamento' da sociedade.

Óbvio que Curitiba passou muito longe desse extremismo. Não disse, e nunca quis dizer, que se planejaram fazer campos de concentração por aqui. Mas disse e mantenho que a lavagem cerebral que aqui foi implantada jogava com o egocentrismo existente em nosso povo (e em todos os outros), e que essa é uma forma muito perigosa de se declarar amor pela cidade. 

Que agrande mentira de 'cidade de 1º mundo' teve parte de sua estrutura psicológica extraída do nazismo, isso teve e eu não retiro. Felizmente não se chegou a incluir o ódio aos diferentes no pacote, apenas uma pouco disfarçada aversão. E graças a Deus essa máquina de propaganda foi desmantelada pela piora das condições de vida em nossa cidade na década de 2000, quando aumentaram em muito os congestionamentos, violência urbana, pedintes de todos os tipos, moradores de rua e sujeira, inclusive as pichações nos muros e telhados.

Eu amo Curitiba, conheço cada palmo dela, como vocês bem o sabem. Tenho uma simbiose com essa cidade tão profunda que simplesmente não pode ser descrita em palavras materiais. Andar pelas ruas de Curitiba (e região metropolitana), seu Centro bem como seus subúrbios, suas partes ricas e pobres, é muito mais que minha missão de vida. Andar por Curitiba é minha própria vida. Como disse, amo essa cidade acima de tudo, sou um com ela, e não tenho a intenção de apenas ficar jogando pedras. Ao contrário, essa série que resolvi escrever, pra compartilhar com vocês meus estudos, é uma tentativa de por em palavras meu sentimento, que é totalmente positivo, por essa cidade. Mas não posso me calar quando vejo teorias nazistas se organizando, pois esse mal se combate enquanto é pequeno. Os europeus ignoraram essa regra no início da década de 30 e pagaram muito caro por sua omissão.
….......

Enfim, deixemos isso pra lá. Não quero doutrinar ninguém, apenas escrevi o que penso. Cada um que chegue em sua resposta se vale ou não a pena tentar equiparar o fluxo de pedestres ao de veículos, e se quiser me escreva registrando seus apontamentos.

Vamos continuar falando de como era o Centro em 1978. Reparem nas placas de ruas, logo a frente da faixa. Era branca e luminosa, ou seja, acendia a noite. Esse sinalização sofisticada só foi implantada no Centro, e não perdurou até os anos 80, ou seja, eu não presenciei. Mas até hoje ainda há uns poucos exemplares, que a prefeitura se esqueceu de retirar, e quando você andar pela Zona Central, se estiver com os olhos bem atentos, ainda pode achar algumas dessas placas brancas remanescentes.

Vamos falar agora de marcos característicos da Rua XV que permaneceram até os anos 80, ou seja, tomei conhecimento delas ao vivo. O primeiro deles é aquela forma peculiar de iluminação pública, com aquelas bolas no alto dos postes. Outro exemplo é aquela construção com cobertura azul, bem no meio da foto. Os mais novos não vão se lembrar, mas ali funcionou muito tempo um quiosque de venda de ingressos pra peças de teatro e apresentações musicais nos teatros e casas noturnas dessa cidade. Nessa foto, está escrito na fachada: “Teatro Paiol – Não me maltrate Robinson – de 10 a 12” e logo abaixo “Teatro Paiol – Música Erudita – as terças”. A propósito, eu reduzi as fotos, pra se adequar a logística. Quem quiser conferir o tamanho original pode ir direto na fonte, www.ippuc.org.br

Nem todas as fotos que lhes mando vem desse sítio (os da Região Metropolitana nenhuma, obviamente, pois o Ippuc é da prefeitura municipal), mas boa parte deles.

Enfim, havia esse posto avançado, onde se podiam comprar os ingressos antecipadamente. Hoje, essa é mais uma função que foi assumida pelos 'shoppings', infelizmente. Breve, creio que as pessoas até morarão dentro deles, aí de fato não precisarão deixá-lo em nenhum momento.

A imagem registra outro detalhe que os mais novos, que praticamente falaram suas primeiras palavras no celular, não vão se lembrar. Entre a bilheteria e a banca de revistas, há outra construção, todas com aquele mesmo telhado, que também adornava os pontos dos ônibus expressos, e que Jaime Lerner transformou na marca da cidade nos anos 70. Enfim, aquela construção do meio servia pra abrigar uma 'manada' de orelhões. É claro que havia também orelhões isolados, mas na Rua XV e em diversos outros locais do Centro, havia
esses locais onde se agrupavam uns 10 ou 15 de uma vez.

Eram disputadíssimos, eu mesmo cheguei em minha juventude a ficar na fila várias vezes, de vez em quando tínhamos que esperar até 15 minutos pra usar, e isso em pleno Centro. A maioria só fazia ligações locais, e eram amarelos. Alguns poucos eram azuis e faziam também DDD. Eu disse DDD. DDI (ligações pra outros países) de orelhão, como hoje é possível, só em contos de ficção científica. Estou relembrando essas coisas apenas pra geração mais nova, meus contemporâneos e mais velhos lembram-se muito bem desses detalhes.

O fato é que tudo era mais difícil, não por acaso a fila pra falar no orelhão era longa, pois celular também era um sonho distante. Foi lançado no início dos anos 90, e só veio mesmo a se popularizar na década de 2000. Mesmo telefone fixo era um luxo, inexistente na periferia, e um cobiçado sonho de consumo pra classe média – haviam pessoas que tinham 2 ou 3 linhas e as alugavam, como se aluga um imóvel. Eu não estou brincando, nem mesmo exagerando.

É claro que o orelhão funcionava a base das hoje extintas fichas telefônicas, outro objeto ignorado pelos mais novos. Quem era prevenido andava com várias no bolso, pois se estivesse sem, tinha que recorrer aos pontos de venda mais próximos, que geralmente cobravam ágio. Só que ou se pagava o que eles pediam ou não se telefonava, pois a maioria dos orelhões também não fazia ligações a cobrar. O primeiro telefone a cartão em Curitiba foi inaugurado na (hoje fechada) Rua 24 Horas, que é de 1991. Mas a universalização dessa nova tecnologia, e aposentadoria definitiva das fichas, só se deu na segunda metade dos anos 90.

A segunda foto mostra o mesmo local, apenas de uma ângulo mais aberto. Creio que foi tirada no mesmo dia, porque também está chuvoso, e mostra a mesma propaganda com a bandeira do Paraná no cartaz. Incluí essa imagem apenas porque mostra mais um ícone de nossa cidade que já se extinguiu: o Banco Bamerindus, cuja sede era aqui, e que chegou a ser o terceiro maior banco privado de nosso país, atrás apenas do Bradesco e Itaú.
Calçadão da R. XV - Centro

 Durou até a segunda metade dos anos 90. Vejam o logotipo em sua agência, no alto, a esquerda na foto. Abaixo da loja da C&A ainda estava ativo um cinema da prefeitura. Esse sobreviveu mais um pouco, foi fechado em 2005. Cheguei a ver vários filmes ali, só a entrada era no nível da rua, com a sala de projeção no subterrâneo.

Pra finalizar, também a esquerda, há um grande relógio, na vertical. Como se pode ver por ele, a foto foi tirada as 13:30, de um dia qualquer de 1978. Esse ainda está lá, mas não sei se está funcionando.

Pra finalizar, a última imagem. Como já foi dito, é o calçadão da Rua XV de Novembro, no Centro, mas dessa vez no município de São José dos Pinhais.
Não há muito o que acrescentar além do que vocês já estão vendo. A foto é recente. Repare-se na ausência de prédios altos. Coloquei como Zona Leste porque apesar de ser na parte mais central de São José dos Pinhais, aqui eu estou tratando da Grande Curitiba como um todo, sendo os municípios que a compões subordinados ao núcleo da grande cidade, que é uma só, independente de divisas municipais. Assim, toda São José dos Pinhais está na Zona Leste da Grande Curitiba.

R. XV de Novembro - SJP (Zona Leste da RMC)

Como uma última curiosidade, o calçadão central de Campo Largo (na Zona Oeste da RMC) também está na Rua XV de Novembro.












Amanhã, Deus permitindo, lhes envio mais material.

Paz a todos.
“Deus proverá”

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