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8 de dez de 2011

SUS...e o dia chegou e deu no que deu!

Por André Luiz Aguiar, usuário do SUS.
Descobri o verdadeiro doente!


Como alguns lembram, no mês de outubro de 2011 fui à Unidade de Saúde perto de minha casa cujo agendamento ficou estabelecido para o "próximo" dia 07/Dezembro/2011  isto mesmo quase 2 meses de espera!
Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho-Curitiba 

Eis que chegou o dia e.....deu no que deu.


No primeiro instante até que fui atendido rapidamente pois a unidade estava não lotada (diferente de vazia).

Tinha que chegar meia hora mais cedo do horário agendado (13h30min) para confirmar a consulta. Foi o que fiz.

Por volta de 13h40 fui chamado para a tão esperada sala do "
Doutor Médico".

Entrei na sala, duas cadeiras vazias esperando a próxima anca moribunda sentar, uma mesa, um computador, uma impressora, materiais avulsos de escritório e um "
Doutor Médico".

Dei-lhe a mão para os cumprimentos cordiais, recebi de volta um:

– Não me cumprimente, pois você está contaminado com a rua.

Atônito, quase que genuflexo ante a preparação 
tamanha da interpessoalidade, da anamnesia e da falta de morigeração de tal "Doutor Médico", sentei-me como que criando mais uma doença no imo para que futuros "doutores" analisem. 

Iniciei a contar meu problema no ouvido/tímpano e lhe disse que tinha mais três para que "analisasse"; já que 
 como eu disse para o "doutor"  os homens tem a infeliz mania de ir ao médico somente quando a coisa está feia e, desta forma, eu aproveitaria e iria dizer os demais problemas.

Todavia, ao terminar de contar a primeira coisa e tentar iniciar a segunda, ele me interrompe e diz:

– Não posso analisar mais de uma situação. Você terá que ir lá embaixo [estávamos no 1° andar] e agendar um outro clínico-geral para dizer este teu outro problema.
O que eu vou fazer é somente te encaminhar para o especialista: Otorrinolaringologista.


A anamnese não durou 1min20seg deste "
Douto médico".

Esta foi a marca deixada pelo "
Doutor Médico": a falta de alteridade e a falta de amor e cuidado com o próximo.

Sai com mais uma papelada na mão e com uma doença n'alma que quase carreguei comigo. 


Fui até lá embaixo, como que mais rebaixado no âmago do que o próprio andar do prédio, e peguei uma outra senha para marcar com o especialista e com outro clínico-geral.


Sonar de senhas avisa; é meu número.

Senha- US Ouvidor
Pardinho-Curitiba-PR-Brasil
Mais uma cadeira para mais uma mori-bunda sentar-se nesse nosocômio SUS. 
E as mesmas perguntas: teu nome, telefone, endereço.....poupa-los-ei.

Digitaram qualquer coisa no computador e saiu a reposta quanto ao especialista: 

– Prezado usuário:
Neste momento, (sic) não podemos agendar sua consulta especializada/SADT, porque todos os profissionais que atuam na especialidade solicitada estão com suas agendas lotadas. Estamos inscrevendo seu nome em fila de espera e assim que houver uma vaga disponível ela lhe será reservada.


Ah esqueci de dizer, o outro clínico-geral para as outras doenças já fora agendado entre a retirada dessa senha e o aguardo para marcar com o especialista. 


Vão ligar quando o especialista estiver vago; disseram-me na recepção!


Esperei 2 meses para chegar num clínico-geral que está, como dizia minha avó, cag**** e andando para você e que não quis tocar/cumprimentar-me pois sou "impuro", como se fora um leproso das épocas bíblicas.


Ademais, fez uma "análise" do paciente apenas olhando para o computador, como se a máquina é que estivesse com problemas. E, depois de tudo isso, ter de aguardar mais não sei quanto tempo para uma nova consulta.


O mais imbecil é ter que contar para cada médico uma dor diferente.


Na segunda eu conto do ouvido, na terça (do trimestre seguinte) conto do joelho, na quarta (do sexto mês adiante) conto da mão.....e por aí vai. 


Era mais lógico e
médico (no seu sentido profícuo) ter "avaliado" os problemas todos e encaminhar para cada especialista em momentos diferentes. 

Mas não...
o sistema é quem diz como deve ser, é o computador, é a máquina quem faz a análise, são as senhas que definem o local de estar e de ficar, são esses voláteis seres que definem quem você pode ser!

Depois os médicos fazem congressos e mais congresso por causa da "perniciosidade" das consultas virtuais do '
Google saúde'. 
Claro, grande parte não tem amor e não sabe o que é ser médico de verdade! Aí até eu prefiro saber o que a internet tem para me dizer, pois dela já sei que terei apenas dados e informações.

Sugiro um filme para estes "
Doutores médicos": Patch Adams o amor é contagioso.


Mas o pior foi o ocorrido hoje, 08/Dez/11, quando de minha nova consulta para um novo clínico-geral para falar de outro velho problema.

Estava marcado o horário exato de 11h24min, sendo necessário estar no posto 30min antes para "confirmar a vaga".


Cheguei às 11h04min, portanto 10min "
atrasado" para confirmar a vaga que já estava definida, mas 20min adiantado para a consulta.

A atendente solicita os documentos e demais papeladas, transcorre os dedos por quaisquer teclas no computador, eis que vem a resposta em tom incivil:

– Você tá (sic) atrasado para confirmar a consulta. Deveria ter chegado às 10h48min. Vai ter que ficar sentado ali [aponta qualquer cadeira na sua frente] e esperar encaixe. Ande até lá e vá falar com a enfermeira e vê o que pode fazer.

Eu digo qualquer palavra de indignação sento-me em mais uma sofrida cadeira, cujo objetivo primevo nesse nosocômio é de tudo suportar, e aguardo refletindo sobre qual o fundamento jurídico e social de tal imposição de horário (farei umas pesquisas e lhes informarei noutra oportunidade) e de perda de vaga por decurso de tempo. Ué, a saúde não é para todos? Não me recordo de nenhuma marco temporal constante na Constituição!


Impaciente, pois, além de cheia a sala, os responsáveis pelo
sistema de chamar nomes não cumpriam seu papel. Ou seja, quase 10min e nenhum nome era listado para a próxima consulta.
Sai daquele local e me destinei ao 1° andar  o mesmo que ontem eu fora atendido pelo "Doutor médico para esperar e ver se chamavam meu nome.

Vinte minutos e nada. E o meu horário de consulta se esvaia no ocaso e da lembrança dos que cuidam de vidas e da saúde do próximo.


Confuso com tamanha desatinação do Sistema Único de Saúde (único e precário a lhe [des]atender) e dos que labutam em tal local, comecei a ver as pessoas ali sentadas cada uma em sua cadeira da sorte, da esperança. 

Velhos, mulheres, crianças, homens, seres abandonados pelo sistema chamado Estado que tudo promete na Constituição e que nada faz. 

Em minhas comiserações notei principalmente um idoso no aguardo de seu nome ser chamado para que o alívio de suas dores fosse suplantado por alguns dizeres de um "
doutor". Nesse átimo, entristeci-me pois sabia que esse mesmo idoso talvez sairiam mais doente depois que adentrasse naquela sala onde constava a famigerada sapiência do "Doutor médico" que alhures disse. 

Não dominei os pensamentos e me transportei daquela minha cadeira de dores para os mais longínquos municípios e curvas de estrada espalhadas por este Brasil. 

Pensei nos infindos problemas que velhos, crianças, mulheres, homens, seres(ainda)humanos à espera de alento das dores. Perpassei os descasos, as corrupções, as picaretagens, as necessidades de intervenção do Ministério Público para o cumprimento da Constituição, em cujos artigos, parágrafos e alíneas está ínsita ser a SAÚDE direito social (art. 6°) de todos e dever do Estado (art. 196). E, nesse instante, constatei-me numa capital de Estado, dita sadia, passando por tais descasos.

Voltei dessa divagação solipsa do pensamento e, além de reforçar que meus problemas de saúde são tão ínfimos em detrimento de muitos outros, percebi que constantemente somos enganados, esquecidos, suplantados por volições de "
doutos" que visam os desejos particulares ao público; escoando os nossos sofridos recursos e tributos para escusos desideratos.

Desisti de esperar e de sofrer aqueles pensamentos. Fui embora. No relógio já constava 11h52min. Quase uma hora de constatações que não gostaria de fazer. 


Terei de retornar para agendar um outro dia para daqui 2 meses, a fim de passar por tudo isso outro vez.

Até lá, espero que minha(s) doença(s) não se agrave(m).

Quanto a mim, estarei no aguardo da minha cadeira da espera eterna e ela me aguardará pacientemente 
 foi o que uma delas me disse quando sai. 

Depois de tudo, deixei o posto de saúde da Ouvidor Pardinho não querendo carregar mais uma doença 
 aquela que o "Doutor médico" quisera me passar: a da indiferença  e com uma constatação:
Descobri que o doente é aquele que pouco ama. Descobri que quem está doente não sou eu.
 Só clamo para que as autoridades que gerem o sistema e àqueles que labutam nele bem como para os "doutores" que se lembrem que lidam com pessoas, as quais não querem passar de um nosocômio para um manicômio por tamanha falta de amor.

Um comentário:

  1. Anônimo10/12/11

    ja escrevi 2 posts enormes e esse site lixo n me deixa publicar ¬¬

    resumindo:

    é um absurdo, mas a culpa nao é dos medicos, e sim da administração que nao quer gastar dinheiro.

    medicos de pessima qualidade vem sendo formados por faculdades mercenarias e aceitos estrangeiros ruins tambem, tudo plano do governo para enfraquecer a classe medica. porque? porque nós medicos reclamamos de como as coisas sao administradas.

    quem sabe como as coisas deveriam ser feitas somos nós, entendemos que vale a pena gastar 500 reais para fazer uma pessoa parar de fumar, pois no futuro isso economizará mais de 30mil reais em tratamento e manterá a saude, é só um exemplo. mas os administradores nao querem saber de gastar dinheiro e para vencer a classe medica tentam enfraquece-la de todas as maneiras.

    e estao conseguindo, tenho medo do futuro de minha profissao, creio que terei de me sujeitar a trabalhos degradantes e frustrantes de ser pior do que a internet e atender um paciente em 2 minutos, sem nem cumprimenta-lo.

    agora "voce está sujo da rua" é inaceitavel, nunca trabalhei em unidade de saude, sempre ouvi dizer que é horrivel. tenho vergonha de saber que um colega disse isso, apesar de saber que acontece, mas imagino a frustração que leva uma pessoa, que pretendia dedicar sua vida a curar, a tornar-se insensivel.

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