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12 de jan de 2012

Um dia na Lotérica

Por: Emerson S. Foucault
[13/12/11]

Como todo bom brasileiro fui até a uma Lotérica mais próxima de minha casa a fim de fazer uma aposta na Mega-Sena -- afinal, 37 milhões é grana pra caramba!.

O relógio marcava 13horas do dia 10 de dezembro de 2011. A casa lotérica estava cheia. Peguei a senha de número 519 e o painel marcava a senha de número 487.

Como estava com o meu filho, pensei logo: --vou ao mercado, talvez dê tempo até que chegue a minha vez.
Falei ao meu filho:  -- vamos à compra rapidinho e depois voltamos aqui para apostar.
Ele consentiu e ainda disse ser uma boa ideia. 

Ao sair da casa lotérica percebi que ali estavam sentados, além de outros apostadores, 06 idosos, 02 senhoras e 04 senhores.  Achei legal ter visto dois casais de idosos que ali se encontravam, pois parecia que estavam namorando.

Fui até ao mercado fiz as compras rápidas, pois não queria perder a senha da lotérica; até por que eram 37 milhões em jogo. Ainda comentei com meu filho: -- só falta nós termos perdido a vez. 

Para minha surpresa a senha ainda estava no número 501. 
Isso depois de uns 40 minutos. Não acreditei. Mas tudo bem, o importante é que eu não tinha perdido a vez.
Fiquei conversando com os demais apostadores, falamos da Mega-Sena, de outros jogos e comentamos o quanto o governo arrecada com essas apostas e não investem devidamente na saúde, na segurança, na educação e como o governo "mete a mão" nessa grana toda. 
           
De repente nós olhamos à nossa frente e lá estavam os mesmos idosos que outrora vira.
Ahh... fiquei louco com a cena. Fui até lá na frente do caixa da lotérica e pedi para a moça parar de acionar a senha e chamar os idosos que ali estavam para serem atendidos na frente. Pois eles, como idosos, teriam a preferência.
A moça do caixa, com uma falta de educação, me respondeu:
-- Daqui não dá para ver eles. E se eles quiserem ser atendidos tinham que estar ali na frente do caixa.

Questionei a moça do caixa para saber se isso era normal. Se aquele tratamento com os idosos sempre ocorria no local. Tendo recebido como resposta que "sempre era assim e não adiantava falar nada".

Perguntei se ela conhecia o Estatuto do Idoso (LEI No 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003), todavia, fez de conta que nem ouviu. Perguntei, também, por que não havia outro caixa aberto, já que o movimento era imenso na lotérica. 

Ela respondeu-me que quem define isso é a Caixa Econômica e não o Estatuto e nem o dono da lotérica. 

Perguntei aos clientes que ali se encontravam se havia algum problema em os idosos serem atendidos naquele momento. Todos concordaram e também disseram que sempre era assim mesmo o atendimento nessa lotérica. Perguntei, ainda, se havia mais alguém com mais de 60 anos de idade fora aqueles que eu presenciei; ninguém mais se pronunciou.

E assim, os idosos foram atendidos, agradeceram e saíram felizes dali. Quando chegou o número de minha senha, 519, nesse mesmo momento entrou outro idoso. 
Perguntei se tinha mais de 60 anos e ele me respondeu: “tenho 74 anos anos meu filho"

E o número que ele pegou como senha era 547. Falei a ele: -- por favor passe a minha frente e faça valer seu direito de idoso. 

Ele olhou para os lados, assustado, indagando sobre essa minha "autorização" de "tomar" a minha vez, vendo se as outras pessoas que se encontravam ali iriam achar ruim. Porém, a resposta foi unânime de que esse senhor poderia ir sim à minha frente. 

Nossa... ele foi rapidinho. E depois do atendimento, agradeceu-me e disse:  "seu ato era digno e que bom seria se todos fizessem o que o senhor fez". Deu-me um abraço tão sorridente que, confesso, foi emocionante ver aquela pessoa sair dali contente.

Como não havia mais idoso, dirigi-me ao caixa, pois o próximo da senha seria eu. Na hora em que fui apostar, trocou a moça do caixa que iria me atender. E se a atendente anterior era mal educada essa que a substituiu era pior.
Fez algum comentário para a outra que ainda estava ao lado dela: "o pessoal fala demais. Quem define quantos caixas vão abrir é a Caixa Econômica e não nós“

Aquilo me deixou louco. Perguntei se ela conhecia o Estatuto do Idoso. Ela nem deu bola e disse ainda: ”eu sou funcionária da Caixa“.

Nem argumentei mais nada. Aquela pessoa era muito ignorante para eu conversar, só a alertei que iria buscar ajuda e tentar mudar aquele quadro em relação aos idosos. Falei que iria buscar ajuda junto ao Ministério Público. Ele disse-me que eu podia ir aonde eu quisesse e sentenciou com a famigerada: "Próximo

Pena que ela esqueceu que próximo não é designativo de sucessor mas sim de uma pessoa que está próxima a outra. E isso ele esqueceu e me tratou e tratou os idosos como mais uma senha e não como pessoa próxima dela.

Falei aos demais que ali encontravam-se que quando isso acontecesse novamente com qualquer idoso, deveria acionar a Polícia Militar, através do n°190, para que fossem tomadas as devidas providências.
Todos concordaram comigo ao acenarem com a cabeça e até me agradeceram pelo ato de alerta e luta pelos idosos.

Agora pergunto: será que a Caixa Econômica sabe que os idosos estão sendo tratados desta forma?

Será que essa lotérica está com a documentação e as máquinas de apostas certificadas para trabalhar junto à Caixa Econômica?

Segundo informações, esta casa lotérica tem outra loja no Bairro Alto, Curitiba, e essa máquina que se encontra na loja da José Veríssimo -- onde ocorreu todo esse caso -- foi transferida da loja do bairro alto.


Assim foi "um dia na Lotérica". Onde se esquecem que há uma lei e no mínimo o respeito aos mais velhos. Pois todos, um dia, seremos idosos e gostaríamos que nos tratassem com respeito.

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