Não importa. Como aqui em Curitiba não há divisão oficial entre as zonas (ao contrário de São Paulo e Rio por exemplo) cada um precisa fazer sua própria abordagem. Essa é a minha.
Os traços pontilhados próximos a Zona Central indicam que aquele bairro pode ser tanto Zona Central quanto a Zona adjacente, já que se um bairro é Zona Central ou não é parte mais polêmica da tarefa. Pra mim não [há] qualquer dúvida se nenhum bairro é Zona Sul ou Leste, ou então Sul ou Oeste, ou então se é Zona Leste ou Norte, ou por último se é Zona Norte ou Oeste. Mas se é Zona Central ou outra é mais difícil definir. Pois no caso dos pontos cardeais a divisão é mais geográfica que social. Agora se é Zona Central ou não os critérios são mais sociais que geográficos. Bom Retiro, por exemplo, pode ser Zona Norte ou Central, Cristo Rei pode ser tanto Zona Central quanto Leste, e assim vai.
O quarto e o quinto mapas que são os mais interessantes, pois retratam a violência 'per capita'.
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| Violência per capita- Curitiba |
Esse é um ponto que a Gazeta e a Tribuna não abordaram. Um bairro ou município que tenha tido poucos assassinatos não se destacou no mapa que mostra os números absolutos, mas se sua população for pequena ele figura entre os lugares mais violentos. Devem ter visto na imprensa que Campina Grande do Sul (na Zona Leste da RMC) é um dos municípios mais violentos do Brasil. E é de fato. É mentira a desculpa oficial, que foram contabilizados em seus números pessoas que foram baleados em outros municípios mas vieram a falecer no Hospital Angelina Caron, em território campinense. É caozagem, mentira descarada, e as autoridades do município sabem disso.
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| Violência per capita - RM |
Enfim, deixemos as negativas oficiais pra lá, já disse que se sei que se algo é verdade não me importam nem a negativas nem as confirmações e explicações oficiais. Mando-lhes minhas conclusões pra que cada um julgue se são válidas ou não.
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Vamos continuar falando dos mapas. Ao analisarmos seus dados, nos deparamos com várias surpresas. Sobre Campina Grande já falei. Vou resumir então porque alguns bairros da capital que não são tidos como violentos figuraram na lista.
Há 3 causas principais, que se combinam: 1) aquele que já falei, a população pode ser pequena, assim um número baixo de homicídios pesa mais proporcionalmente. 2) pode haver uma favela violenta no bairro, aí aquele pequeno pedaço violento arrasta todo o bairro pra estatística. E 3) o bairro pode fazer divisa com outro mais violento, absorvendo então parte do tumulto que emana do vizinho. Exporei então a razão de alguns casos que me chamaram a atenção.
Augusta (Z/O): população pequena, apenas 4 mil habitantes. Assim embora só tenham havido 2 assassinatos lá o ano passado, eles pesam muito proporcionalmente. Também conta o fato de ter uma grande área de divisa com a Cidade Industrial, disparado o bairro mais violento da cidade, em termos absolutos. Assim as duas mortes ocorridas lá também podem ser digamos uma 'expansão' da violência na CIC. Embora a Augusta ainda seja em boa parte a Colônia Augusta que já falamos, ou seja, ainda tenha muitas partes rurais, várias vilas e favelas da CIC estão transbordando pro território augustense. Exemplo é a favela Colina Verde, metade na Augusta, metade na CIC - não confundir com o conjunto homônimo no Bairro Alto, Zona Leste, que nomeia o alimentador que sai do Cabral.
Campina do Siqueira (Z/O): por causa da favela Bom Menino, também conhecida por Favela do Campina, perto do Carrefour, que o bairro compartilha com o vizinho Mossunguê.
Cascatinha (também Z/O): população pequena, só teve um assassinato, que no entanto pesa muito na pequena população de 3 mil pessoas.
Caximba (Z/S): população pequena, só 2 assassinatos mas divididos por menos de 3 mil pessoas. Também conta com um complexo de favelas que engloba as vilas Juliana, 1º de Setembro e Sapolândia, às margens do Rio Barigui, na divisa com Araucária.
Tarumã (Z/L): população pequena, apenas 2 mortes, mas dividas por 8 mil habitantes.
Umbará (Z/S): é um bairro que ainda tem boa parte de seu território ocupado por área rural e mesmo por casas de alto padrão, mas também há a presença de algumas favelas violentas como Favela da Tripa e Amigos Unidos. A criminalidade do vizinho e violento Tatuquara também transborda, a Tripa é na divisa com o Tatuquara, e há rivalidade com a violenta Vila Palmeira, que fica do outro lado da Rua Nicola Pellanda mas já em território tatuquarense.
Ganchinho (Z/S): exatamente igual ao seu vizinho Umbará, também é em boa medida rural. Mas há as violentas favelas do Complexo da Vila Osternack, e se ainda fosse pouco esse complexo é compartilhado com o violento bairro do Sítio Cercado. Várias vilas do Sítio Cercado ficam próximas ao Ganchinho, além da já citada destacam-se as vilas Sambaqui e Novo Horizonte, que são remoções de favelas de diversas partes da cidade, e por isso ganharam o revelador apelido de “Cidade de Deus”. Não há porque comentar além disso.
Jardim Social (Z/L): Sim, é aquele Jardim Social. Está na lista dos bairros mais violentos porque a Gazeta informou que ocorreram 3 homicídios lá em 2010. Divididos por seus meros 6 mil habitantes, colocou o local entre os mais perigosos de Curitiba.
Parolin (Z/C): obviamente por causa da Favela do Parolin, conhecida pelos mais antigos como Valetão.
Prado Velho (Z/C): mesmo caso, é a favela, chamada Vila Capanema pelos seus moradores e conhecida na imprensa por Vila das Torres.
Santa Quitéria (Z/O): o bairro já tinha 2 favelas, uma na parte baixa às margens do Rio Barigui, e outra na parte alta e seca, ao lado da linha de alta tensão. Em março de 2007 ocorreram mais 3 invasões vizinhas à favela da parte alta, aliás foi a última invasão que vingou no município de Curitiba. Enfim, a que já existia e as 3 novas tornaram-se uma favela só, conhecida como Portelinha por conta novela da Globo.
Rebouças (Z/C): absorveu parte da violência de seus vizinhos, o Centro e a favela Vila Capanema.
Santo Inácio (Z/O): população pequena, apenas dois assassinatos porém somente 7 mil habitantes.
São Francisco (Z/C): população pequena, 3 mortes divididas pra 6 mil habitantes. Esses assassinatos provavelmente foram transbordamento da violência do vizinho Centro que ocorreram em território franciscano.
Pra finalizar, vamos falar um pouco de como a violência se distribui na cidade.
Primeiro abordarei o município de Curitiba. Assim, nesse parágrafo e no próximo, quando eu falar em Zona Norte não incluo Colombo e Tamandaré na conta, por exemplo. Falaremos da RM depois.
Veem que a maior parte dos bairros mais violentos se localiza na Zona Sul da cidade, sua Zona Vermelha por excelência, daí o título.
Mas em verdade ele seria melhor grafado “A Ferradura sangra”.
Pois a Zona Vermelha de Curitiba, embora tenha seu núcleo duro na Zona Sul (notadamente Sítio Cercado e Tatuquara) abrange um arco, que vai do Oeste (Cidade Industrial) ao Leste (Cajuru e Uberaba), via Extremidade Sul. É uma região compacta de grande violência, infelizmente, e sempre foi assim, desde os anos 80 pelo menos, quando a cidade tinha 20 assassinatos por ano. Hoje tem isso por semana.
É claro que há focos de violência em outras partes, na Zona Central (Vilas Capanema, Parolin e a própria Cracolândia que há entre a Rua 24 Horas/Praça Osório até o Passeio Público, passando pelas praças Rui Barbosa e Tiradentes, no Centro), e acima dela, notadamente o Bairro Alto na Zona Leste e os bairros Atuba, Pilarzinho e Cachoeira, na Zona Norte. Mas são ilhas de violência cercadas por um mar de bairros mais seguros. Na Ferradura que vai da Zona Oeste a Zona Leste via Extremidade Sul é o contrário, um mar de violência interposto por algumas regiões mais seguras.
Um outro detalhe aqui: em relação aos bairros mais violentos de todos (em termos absolutos) eu retirei os dados da Tribuna. Porém aqueles em que a violência foi intermediária (digamos entre 5 a 15 assassinatos no ano passado) os dados são da Gazeta. E seus repórteres não são muito bons de geografia, devo lhes alertar. Pra colorir o mapa eu mantive seus números como se fossem corretos. Mas preciso fazer essa ressalva: há vários casos em que eu creio que a Gazeta está colocando assassinatos ocorridos em algum bairro como se tivesse ocorrido em outro vizinho, mais famoso. Na hora de dividir pra ver a violência 'per capita', pode haver uma grande distorção se o bairro que 'herdou' as mortes não tiver população muito grande, como é óbvio.
Exemplificando fica mais fácil visualizar. Eu creio que alguns dos assassinatos que a Gazeta disse que ocorreram na Barreirinha (Zona Norte) na verdade ocorreram no vizinho bairro da Cachoeira, mais precisamente a maior parte deles na favela da Vila Leonice, divisa com Almirante Tamandaré – não poucas vezes vi na imprensa que o local fica na Barreirinha, o que é um absurdo mas é o corrente entre os ignorantes.
Na Zona Oeste a questão é mais grave: boa porção dos homicídios que eles colocaram em Santa Felicidade na realidade foram no vizinho Butiatuvinha, notadamente na favela Três Pinheiros, que também sai no jornal como sendo Santa Felicidade. Na CIC então o problema é crônico: a maior parte do que eles atribuem ao Campo Comprido e Fazendinha se você for ver bem certinho já foram dentro da Cidade Industrial. É que boa parte dos moradores da CIC, Cachoeira e Butiatuvinha, por ignorância e orgulho, de fato dizem que moram no Campo Comprido e Fazendinha, Barreirinha e Santa Felicidade, respectivamente, e a Gazeta cristaliza o erro. Quando leio no varejo um caso de assassinato ocorrido no “Campo Comprido ou Fazendinha”, imediatamente abro o endereço no google mapas. Em 90% dos casos foi na CIC. O mesmo vale pra Barreirinha e Santa Felicidade.
Como no atacado não tenho como verificar o local das mortes, pra colorir o mapa mantive o que eles publicaram. É por isso que Barreirinha e Santa Felicidade estão mais escuros que Cachoeira e Butiatuvinha. E é por isso que Campo Comprido e Fazendinha estão bem escuros. Lhes alerto pra que fiquem atentos, entretanto, a esse erro, mistura de ignorância e orgulho, tanto dos moradores quanto dos repórteres da Gazeta, uns e outros no geral nunca viram um mapa de Curitiba em todas as suas vidas, exceto pra achar algum endereço que precisavam se dirigir.
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Quanto a Região Metropolitana, a parte Oeste é menos violenta. Campo Largo é e sempre foi a cidade menos violenta da Grande Curitiba. Campo Magro, logo acima, é muito violenta, porém como consta que só houve 9 homicídios lá o ano passado, toda a Zona Oeste ficou mais clara no mapa metropolitano. A Zona Leste metropolitana, ao contrário, foi a parte mais vermelha, as 3 cidades mais violentas 'per capita' (Campina Grande do Sul, Piraquara e Pinhais) ficam pra esse lado. As Zonas Norte e Sul metropolitanas ficaram em nível intermediário, com altíssimo índice de assassinatos é claro, mas falando em termos de Curitiba, tiveram mais que a parte Oeste e menos que a Leste. Isso porque no ano passado Almirante Tamandaré (Zona Norte) e Fazenda Rio Grande (Zona Sul) ficaram mais 'calmos'. Digo, é claro que ocorreram muitos assassinatos por lá, mas um pouco menos que a média histórica. O mesmo ocorreu com o bairro do Uberaba, na Zona Leste da capital.
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