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30 de set. de 2011

Defensoria Pública no Paraná: promessa para o 2° semestre de 2011

Por: André Luiiz Aguiar


A promessa é para o 2° semestre de 2011

Boa tarde a todos.

Foi veiculado na mídia hoje[30/9/11] que foi nomeada, pelo governador Beto Richa, a 1ª Defensora Pública Geral do PR, sra. Josiane Fruet Bettini Lupion.

Vejam :
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Governador Beto Richa nomeia a primeira defensora pública geral do Paraná

http://www.aen.pr.gov.br/modules/debaser/visualizar.php?audiovideo=1&xfid=37239

Governador nomeia a primeira defensora pública geral do Paraná - 30/09/2011 11:40
http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=65852&tit=Governador-nomeia-a-primeira-defensora-publica-geral-do-Parana

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Obs: No final do texto insiro o texto completo das matérias, para que não se evaporem da internet (como tem ocorrido com algumas matérias jornalísticas, principalmente quando há alterações de governos e reestruturação de secretarias, e etc).

Um alerta, a novidade dessa matéria não está no fato de ser a nomeada uma mulher. Nada contra as mulheres, mas sim está no fato de que houve a nomeação do 1° cargo de Defensor Público Geral no PR, coisa que nunca existiu.

As considerações que gostaria de compartilhar é que a impressão e demonstração que o Governo do Estado tem veiculado não são verdadeiras no seguinte sentido: 

a) não existem defensores públicos atuando no Estado conforme estipula a Lei Complementar do PR n° 136/2011 e conforme determina a Constituição Federal;
b) a promessa de que haverá novos defensores públicos a partir do 2° semestre do corrente ano tende -- e o tempo o mostrará -- a não ser verdadeira (assim como as falácias de que o Governador impetrou ao dizer que não sairia da Prefeitura de Curitiba para disputar o Governo do Estado; ei-lo nomeando a 1ª Defensora Chefe como governador; bem como de que não haveria desapropriações ao entorno da Baixada {campo do Atlético-PR} para ser entregue ao setor privado; quem lê que entenda!)
Vocês devem lembrar o que eu havia dito em texto anterior sobre a omissão do governo em organizar a Defensoria, tendo em vista que existia comando da Constituição Federal (art. 5°, LXXIV)e que havia uma suposta lei complementar no Paraná "dizendo que existia a defensoria" (Lei Complementar n° 55 de 1991). Tá tudo lá bem explicado no referido texto, quem tiver interesse que leia-o.

O que importa é que não há defensores atuando como manda da Lei Maior e isso há 20 e tantos anos.

Alguém poderia me contra-argumentar referindo o recente edital que fazia referência a contratação de 150 defensores públicos -- como muitas matérias erroneamente publicaram.

Segue na matéria abaixo o que no próprio site da Defensoria há:
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Defensoria Pública publica Edital de Processo seletivo simplificado

A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARANÁ, com auxílio da SECRETARIA DE ESTADO DA JUSTIÇA, CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS, no uso de suas atribuições legais, mediante as condições estipuladas neste Edital e seus Anexos e tendo em vista o contrato celebrado com a Universidade Federal do Paraná – UFPR, torna pública a abertura de inscrições e estabelece as normas para a realização de processo seletivo simplificado para provimento de 150 (cento e cinquenta) cargos em comissão de Assessor de Estabelecimento Penal, simbologia DAS-5, da Defensoria Pública do Estado do Paraná, conforme Lei Complementar nº 136/2011 (Lei Orgânica da Defensoria Pública do Estado do Paraná) e Termo de Cooperação firmado entre Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e a Defensoria Pública do Estado do Paraná.
Leia o Edital
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Como bem explicita a matéria, serão 150 cargos em comissão de Assessor de Estabelecimento Penal e não 150 Defensores públicos!

O próprio edital deixa claro que serão cargos em comissão de caráter temporário e que serão extintos assim que se realizarem as provas e providos os cargos do primeiro concurso público para defensores no PR. 
Inclusive na Lei Com. 136/2011, art. 266 diz isso, de que feito o concurso, adeus cargo comissionado! 

Serão 150 chapéus; a primeira chapelaria do Estado!

Mas como todos sabem, esses defensores que atuam no Estado não são defensores como a Constituição Federal diz que tem que ser, pois não foi feito concurso (desde 1988) e demais regras estipuladas (prova , prova de títulos, nomeação, posse, e etc, para aí sim ter-se a capacidade postulatória de um defensor, é a Regra Maior). 

Ou seja, são defensores precários (sem demérito a eles). Isso serve para realçar a letargia de 20 anos de omissão do Governo do Estado em instituir a Defensoria.
Então, criam-se cargos em comissão a título precário para atender a demanda e a bagunça de ilegalidades que há nos presídios do PR. Tudo por causa de governantes omissos e legislativos inertes e lenientes. Virou-se uma  verdadeira casa da mãe-Joana!

Agora com a nomeação da 1ª Defensora Pública-Geral do PR é que será criada a carreira dos defensores públicos, como manda a norma.
Diz a lei 136/11 que: 
Art. 18 Compete privativamente ao Defensor Público-Geral do Estado, além de outras atribuições que lhe sejam conferidas por Lei ou que forem inerentes a seu cargo: 
[...]
XI - deliberar sobre a organização de concurso público para ingresso na Carreira de Defensor Público do Estado e do Quadro de Pessoal da Defensoria Pública do Estado e designar os representantes da Defensoria Pública do Estado do Paraná que integrarão a Comissão de Concurso Público;
XII - organizar os concursos para provimento dos cargos da Carreira de Defensor Público do Estado e do Quadro de Pessoal da Defensoria Pública do Estado e editar os respectivos regulamentos;

Aqui entra o meu segundo argumento.

Quando dos debates e da própria votação da PLC 359/11 (Projeto de Lei Complementar para organizar a defensoria no PR) até o sancionar da lei, o Governador Beto Richa afirmou que no 2° semestre já haveria a prova e demais procedimentos para os Cargos de Defensores públicos do PR.

Vejam:
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Concurso para 207 vagas da Defensoria Pública será no 2.º semestre 
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1127630&tit=Concurso-para-207-vagas-da-Defensoria-Publica-sera-no-2-semestre

[...]
Richa anunciou que haverá concurso público para o preenchimento de 207 vagas no segundo semestre. Ao todo, o projeto de lei aprovado prevê a criação de 333 cargos de defensor público. A previsão do governo do estado é de que os atendimentos à população terão início em 2012.
[...]
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A lei mesmo diz (art. 248) que no primeiro momento serão 207 defensores no 1° concurso (lógico, retirando os 150 assessores comissionados que vão ganhar o chapéu logo após a nomeação desses 207). 

E ela também diz (art. 244, I) que serão 333 de 3ª categoria (que são aqueles que fizerem o concurso e que irão atuar, ou seja, todos os que chegarem iniciarão nessa categoria, cf. art. 75). 

Mas a matéria não relata que ao todo serão 582 cargos de defensores criados (333 de 3ª categoria; 166 de 2ª; e 83 de 1ª). Não inventei nada, tá lá na lei (art. 244).
Só que serão 207 na primeira leva e o restante só Deus o sabe.

Segundo o Governador Beto Richa, tudo isso ocorrerá até o 2° semestre de 2011. O que eu duvido. 

Esse processo demora. A elaboração de contrato com a empresa que fará as provas, a publicação do edital, as inscrições, a realização das provas, os recursos, e por aí vai. Sem contar que a lei diz que o Conselho Superior da Defensoria Pública (que tem com membro nato o Defensor P.-Geral, no caso a sra. Josiane Fruet, recém nomeada, art. 22, I, a) deverá elaborar o regulamento do concurso a partir de 30 dias constando da aprovação da sra. Josiane Fruet, como Defensora P.-Geral, logo como ela foi nomeada hoje 30/9/11 tem-se até 30/10/11 para esses trâmites (art. 78).

Você como bom crédulo da celeridade ínsita no governo, crê efetivamente que em 02/01/12, (dia 1° pára tudo e será domingo) a Defensoria Pública do Estado do Paraná estará efetivamente funcionando em todos os 399 municípios?

Se eu for em Contenda, Capitão Leônidas Marques, Cambé, Xambrê, Umuarama....nem tão longe assim, se eu for em Curitiba eu serei atendido por um dos 207 defensores prometidos de pé junto pelo Governador até o 2° semestre de 2011?*

Quem viver verá!  

* OBS: Se isso acontecer eu me retrarei e farei questão de comentar que enfim há defensoria para os que necessitam.

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Seguem as matérias que poderão evaporar no mundo cibernético


A) Governador Beto Richa nomeia a primeira defensora pública geral do Paraná

O governador Beto Richa nomeou Josiane Fruet Bettini Lupion para o cargo de defensor público geral do Estado. Há 28 anos como advogada de carreira do poder executivo estadual, ela estava exercendo a chefia da Defensoria Pública do Paraná, até agora um órgão vinculado à Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado. Como membro da equipe da secretária Maria Tereza Uille Gomes, Josiane teve um papel importante na elaboração do projeto da Defensoria Pública do Paraná, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa e sancionado por Beto Richa, no mês de maio deste ano. Com isso, foi criado definitivamente o órgão, tirando o Paraná do incômodo lugar que ocupava como um dos dois únicos Estados brasileiros que ainda não contavam com uma Defensoria Pública na forma que exige a Constituição Federal. Segundo o governador, a Defensoria do Paraná atende a população mais carente com a assistência jurídica.// SONORA BETO RICHA// Agora, como primeira pessoa a ocupar o cargo de defensor público, Josiane terá a responsabilidade de comandar uma equipe, que neste mês de outubro vai ganhar o reforço de 150 assessores jurídicos e 10 novos defensores públicos. Eles atuavam como advogados do Estado e optaram pela carreira na nova Defensoria Pública, como previa a lei. Segundo a secretária da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Maria Tereza Uille Gomes, os novos defensores públicos vão atender necessidades básicas da população carente.// SONORA MARIA TEREZA UILLE GOMES// Entre as primeiras tarefas da defensora Josiane Fruet Bettini Lupion, está a de organizar o concurso público para a contratação de 197 defensores públicos do Paraná e de 426 profissionais que farão parte da equipe administrativa e de apoio do órgão. (Repórter: Priscila Paganotto) 
http://www.aen.pr.gov.br/modules/debaser/visualizar.php?audiovideo=1&xfid=37239
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B) Governador nomeia a primeira defensora pública geral do Paraná - 30/09/2011 11:40
O governador Beto Richa acaba de nomear Josiane Fruet Bettini Lupion para o cargo de defensor público geral do Estado. Há 28 anos como advogada de carreira do poder executivo estadual, ela vinha exercendo a chefia da Defensoria Pública do Paraná, até agora um órgão vinculado à Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Estado.

Como membro da equipe da secretária Maria Tereza Uille Gomes, Josiane teve papel importante na elaboração do projeto da Defensoria Pública do Paraná, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Paraná e sancionado por Beto Richa em 19 de maio passado. Com isso, foi criado definitivamente o órgão, tirando o Paraná do incômodo lugar que ocupava como um dos dois únicos estados brasileiros que ainda não contavam com uma Defensoria Pública na forma que exige a Constituição Federal.

Agora, como primeira pessoa a ocupar o cargo de defensor público, Josiane terá a responsabilidade de comandar uma equipe que em outubro ganhará o reforço de 150 assessores jurídicos e 10 novos defensores públicos, que atuavam como advogados do Estado e optaram pela carreira na nova Defensoria Pública, como previa a lei.

Para Josiane Fruet, o momento é histórico. “O Paraná sai do ostracismo e surge como um Estado que possui uma Defensoria Pública forte, autônoma, com orçamento próprio, pronta para atender ao clamor do cidadão carente. Ganha o povo paranaense, que reconhece a grandeza e a vontade do governador Beto Richa de cumprir a Constituição Federal”, afirma a Defensora Pública-Geral.

Entre as primeiras tarefas da defensora está organizar o concurso público para a contratação de 197 defensores públicos do Paraná e 426 profissionais que farão parte da equipe administrativa e de apoio do órgão.

“Este é um passo importante para a autonomia da Defensoria Pública do Paraná, conforme decidiu o governador Beto Richa. Com isso, definitivamente a Defensoria deixa de ser um órgão interno da Secretaria da Justiça e ganha independência para atender a população carente do Estado, e de forma especial acompanhar a maior parte dos cerca de 30 mil presos do Paraná, que não têm acesso à justiça”, destaca Maria Tereza Uille Gomes.
O governador Beto Richa acaba de nomear Josiane Fruet Bettini Lupion
 para o cargo de defensor público geral do Estado. Há 28 anos como
dvogada de carreira do poder executivo estadual, ela vinha
exercendo a chefia da Defensoria Pública do Paraná,
até agora um órgão vinculado à Secretaria da Justiça,
Cidadania e Direitos Humanos do Estado.


28 de set. de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 38


Do "Romeu & Julieta" ao "Azulão"


Por: Coré-Etuba M. da Luz
[23/8/11]



Pode crê irmão [...] durante dois dias, em 1976, operaram ônibus Romeu & Julieta em Curitiba.

Conhece esse tipo de busão? É o pai do articulado. 

Ônibus Romeu e Julieta- Rio de Janeiro-RJ
Um reboque, que só era acrescentado no horário de pico. Essa era a vantagem. A desvantagem é que precisava de um segundo cobrador, obviamente. Aqui não foi aprovado, só durou dois dias, como já disse.

Ônibus Romeu e Julieta
 Porto Alegre-RS




Mas Porto Alegre e Rio de Janeiro tiveram dezenas deles, e circularam muitos anos. Mando uma foto de cada cidade. 







Viu? Curitiba já teve Romeu & Julieta. Busologia é cultura. 

..............

Falar em ônibus, [escrevo um texto] agora mesmo sobre o transporte de Curitiba. Relato o dia que inauguraram os bi-articulados azuis. E quebrando a regra nesse dia eu tava com máquina e registrei algo, que é meu assunto. [...] 

Deus proverá 
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Eu Sou o Pioneiro

Por: Coré-Etuba M. da Luz


Boa noite.
Estava mexendo no computador e achei uma foto que tirei um tempo atrás, mas arquivei sem enviar. Bem, o faço agora.

Ligeirão Azulão- Neobus Volvo- Curitiba
É o o dia em que começaram a operar os ligerões azuis em nossa cidade.
Neobus Volvo, pra quem sabe o que isso significa.

O detalhe curioso é que um deles, o GE710 (na imagem no ponto final do Terminal Boqueirão, Zona Sul), está rodando sem placas. Isso nunca ocorreu em Curitiba. Os ônibus aqui simplesmente não circulam sem estarem emplacados. Em outras cidades é permitido, com uma licença especial no pára-brisas. Mas aqui não. Tanto que os outros nove irmãos dele, que começaram a operar no mesmo dia, já estavam emplacados - dou exemplo do GE707. Talvez com esse houve algum problema técnico, e resolveram soltar assim mesmo.


Como sempre, toda vez que há uma novidade no transporte coletivo vou no primeiro dia testar. Com os busões azuis não foi diferente. 
Em suas primeiras horas na pista, e eu estava lá.

Filma o bichão aí (empresa Cidade Sorriso/ consórcio Pioneiro) ainda sem placas. E eu já havia pego.

Voltando à questão dele rodar sem placa, houve uma situação inédita aqui em Curitiba. E eu presenciei, andei e registrei, e agora compartilho com vocês pra ficar na eternidade.

Ligeirão em seu primeiro dia, odômetro zerado, sem estar pichado, e ainda sem placas. Mas pra mim já tá velho.

Já vi, vim, e venci. Assim como o azulão, também Eu Sou Pioneiro do transporte curitibano.

Eu Sou o que o Criador É.
Esteja sempre em paz.

"Deus proverá"

Uma grande série sobre Curitiba 37


Mais um dia, mais uma favela


Por: Coré-Etuba M. da Luz



E então.



Hoje estava trabalhando no Sítio Cercado, Zona Sul, quando me deparei com uma situação que me ocorre muito esporadicamente: achei uma favela que ainda não conhecia.

É a Vila Vitória
.

Conheço 97% das favelas do município de Curitiba – são perto de 300 no total – de forma que somente a cada 3 ou 4 anos acho uma que ainda não estive. 


Veja bem, não estou falando de invasões novas, que aliás pelo menos no município diminuíram muito. 

Me refiro a invasões que já existem, mas que eu ainda não havia percorrido. Das cerca de 300, já fui em umas 290, pelo menos. Seguindo a mesma média, só voltarei a descobrir outra favela na cidade quando a Copa no Brasil já tiver sido jogada.



Por isso é tão notável quando ocorre de achar uma ainda 'virgem' pra mim. Bem, essa agora já não é mais. Fui fazer a pesquisa, que era a 3 quadras dali, e depois retornei, pra me embrenhar nos becos da Vila Vitória, Sítio Cercado, Zona Sul. Mais uma pra lista.

É vizinha às favelas da Vila Americana e México 70, esta também chamada de União Cristo Rei, formando um complexo.


Nunca havia estado na Vila Vitória, que é uma favela bem pequena, já as outras duas são velhas conhecidas minhas. A Vila Americana é média (às margens de um rio) e a México 70 é uma favela grande. Já foi infinitamente mais feia, e a conheço desde esse tempo. A prefeitura agora a urbanizou, abrindo ruas, que por enquanto ainda estão sem nome e pavimentação. Ou seja, avançou bem, porém a conclusão do trabalho ainda vai longe.


…......


Um detalhe curioso é que em uma das casas havia uma toalha que era propaganda da Fanta Limão. É isso mesmo, Fanta Limão. Os mais antigos se lembram que nos anos 80 além das clássicas Fanta Laranja e Uva, havia as Fantas Limão e Guaraná, que foram abandonadas quando a Coca-Cola lançou o Sprite e o guaraná Taí, por sua vez abandonado com a chegada do Kwat.



É, estamos ficando velhos mesmo. Me lembro do antecessor do Sprite e dos dois antecessores do Kwat. Que coisa, né?

….............


Mais um dia, mais uma favela. E a vida continua.


“Deus proverá”

Uma grande série sobre Curitiba 36


"Bem-vindos ao Território Nacional": eu avisei que isso ocorreria


Por: Coré-Etuba M. da Luz



Boa noite.

Vocês devem estar lembrados que na época da eleição houve uma invasão em área de preservação ambiental no Jardim Holandês, em Piraquara (Zona Leste metropolitana). A imprensa fez um estardalhaço constante, até que passado o pleito a PM desocupou a área.

Pouquíssimo divulgado, entretanto, é que no mesmo período houve uma outra invasão em área de preservação ambiental, dessa vez no município da capital, no distante bairro da Caximba, na extremidade da Zona Sul.
Caximba-Curitiba-Zona Sul
Os relatos dessa ocupação na mídia foram tão escassos que aposto que alguns de vocês estão sabendo agora, ao ler essas linhas, que ela ocorreu. Pois bem. Mesmo sem fazer as manchetes, a invasão da Cachimba ocorreu. Já estive lá duas vezes. Veja as fotos. Não são de minha autoria, puxei da rede. Colocaram uma bandeira de nossa amada pátria logo na entrada. 


Território Nacional Brasileiro- Caximba- Curitiba


Bem, a vila foi batizada de “Território Nacional”, então nada mais apropriado. 


Caximba-Curitiba
Caximba-Curitiba
Já a outra imagem mostra uma cena muito triste, foi uma chacina ocorrida por lá em maio, e exatamente por isso tomei conhecimento da invasão, a visitando no mesmo dia.

Um detalhe é que um dos mortos era argentino, foragido da justiça de seu país. 


Curioso, não é mesmo? Um estrangeiro assassinado num lugar chamado 'Território Nacional Brasileiro'.


Enfim, nomes e origem dos ali mortos à parte, o que quero apontar aqui é que exatamente por ter ficado longe dos holofotes midiáticos é que a favela ainda não foi retirada. Isso dá ensejo a algumas considerações.

A primeira é que eu já havia lhes dito que ocorreriam invasões perto da eleição.
É tradicionalíssimo em nossa cidade esse procedimento. Quando fiz aquela grande série sobre Curitiba [a qual continua], um dos textos foi intitulado “Se tem eleição tem invasão: isso é Curitiba”.

Os que leram se lembram. Lá, tracei um histórico mostrando que essa técnica repete desde a redemocratização, posto que nenhum político ordena desocupações antes da votação, já que o potencial pra desandar em violência é enorme. Inclusive listei as favelas que surgiram um pouco antes de votação, de 1988 até 2008.

Já detalhei o tema e não vou repetir tudo. Só como exemplo digo que aqui onde moro, o Canal Belém, foi invadido em 1990. Aliás re-invadido. A margem do Rio Belém era invadida desde o Centro até a divisa com São José dos Pinhais nos anos 60. Na década seguinte a prefeitura retirou as casas e fez um parque linear, com campos de futebol, parquinhos e ciclovias. Bem, minha rua não tem nome oficial, e no correio meu endereço é Rua Ciclovia, [...], exatamente porque reinvadiu-se onde já havia sido retirado. Não na proporção que era antes, entretanto, e mesmo assim uma boa parte foi novamente removida em 2000. Enfim, deixemos isso pra lá. Foi só pra exemplificar que a invasão do Canal Belém é de 1990, ano eleitoral, como tantas outras pela cidade.

Outro ponto a se observar é a diferença de tratamento da mídia em relação às invasões de 2010.
É de certa forma intrigante, porque as invasões, tanto a da Zona Leste (Piraquara) como a da Zona Sul (Caximba) foram na mesma época, mais ou menos do mesmo tamanho, ambas em áreas de preservação ambiental, e ambas bastante afastadas do Centro da cidade.

Entretanto, fizeram um carnaval sobre a invasão piraquarense enquanto quase não se falou na sua congênere caximbense.

Eu mesmo só fui saber que ela existia em maio, 7 meses depois do ocorrido. Se existe um assunto que pesquiso em detalhes, certamente é esse
. É um fator chave pra entendermos porque a de Piraquara foi removida enquanto a outra permaneceu. Quase despercebida, não despertou “massa crítica” de indignação na opinião pública pra pressionar o governo a agir.

E olhe que é um local inviável pra servir de moradia. É na várzea do Rio Barigui, quando chove um pouco mais forte a água toma conta de tudo. Nada mais natural. A várzea pertence ao Rio, que só está usando um espaço que é dele por direito. 

Caximba-Curitiba 
Caximba-Curitiba
As fotos atestam isso com clareza. 
Os humanos é quem deveriam abrir mão de habitar o banhado.Todas as casas, exatamente por esse motivo, são sobre estacas, um tipo de palafitas sobre o charco, pra tentar amenizar um pouco o efeito destrutivo das enchentes, ali algo tão natural quanto a alternância entre dia e noite.
…..........
Quando escrevo essas linhas não estou “denunciando” a ocupação, apenas reportando-a. Eu mesmo moro em terra invadida, se é que há algum de vocês que ainda não sabe desse fato. Então não estou tomando partido de lado algum, ou seja, não estou fazendo campanha nem pra que o governo retire as pessoas de lá nem pra que permita que elas fiquem ali em definitivo. Estou, repito, somente relatando o que vi e li.

E o que vi é o seguinte: a invasão está crescendo rapidamente. Se foi mesmo iniciada por 400 famílias, certamente já dobrou de tamanho. Nos dois meses que se passaram entre minhas visitas a invasão cresceu bem umas 50 casas. Todos os dias estão chegando mais famílias, vindas principalmente de boa parte da Zona Sul (onde incluo o município de Araucária, que é limítrofe a Caximba, exatamente é o Rio Barigui que os divide), mas também de outras partes da cidade e mesmo do interior e outros estados.

Observam nas fotos que quando tudo começou havia enorme espaço entre um barraco e outro. Agora tudo está muito mais denso, inclusive já foram as ruas, quadras e casas já foram numeradas. Em maio, em minha primeira visita, quase toda a baixada já havia sido ocupada. Mas onde começa a rua já existente - também não oficial, pois igualmente era resultado de invasão - não havia nada. Digo do lado direito de quem desce rumo ao rio. Do lado esquerdo já havia uma invasão, chamada 1º de Setembro. 
Aliás, nessa parte, invasões é o que não faltam. Bem próximo dali há as Vilas Juliana e Sapolândia.

Na verdade a nova favela se une a Sapolândia pela margem do rio. Ou seja as 4 favelas estão sendo unificadas em uma só. Logo poderemos falar em Complexo da Caximba, emprestando a nomenclatura carioca, assim como eu já falo dos Complexos do Uberaba e do Cajuru, ambos na Zona Leste.

Mas voltemos o foco ao Território Nacional, a caçula das invasões caximbenses. No início só a várzea do rio estava ocupada, situação que se manteve desde que o local surgiu, em outubro, até maio. Agora, como os moradores veem que a favela permanece, estão começando a subir a rua, pela parte seca. Nesse ritmo, como novas glebas sendo ocupadas por casas, logo não haverá como distinguir o que é Território Nacional e o que é 1º de Setembro.
….............

Esse é outro ponto que vale considerar. Embora não esteja opinando se a invasão deve ser retirada ou legalizada, isso se refere apenas a parte seca, mais alta, onde pode-se debater qual rumo tomar. Já em relação a várzea do rio não há o que discutir, ela não pode ser ocupada, e isso não é questão de ideologia, e sim de Natureza. A várzea pertence ao rio. A Grande Vida (Deus, a Mãe-Natureza, chame como quiser, tudo é a mesma coisa) quis assim. Transferindo ou não os invasores pra outro local, o fato é que a prefeitura e o estado não podem permitir palafitas nas margens do Barigui nem de qualquer outro rio, pois aliás já estão sendo gastos milhões pra retirar as margens de rios já ocupadas. E isso pra própria segurança dos invasores.

Se o poder público for retirar a invasão, tem que agir o quanto antes. Pois senão vai criando 'direito adquirido'. 9 meses já se passaram desde a ocupação. Não há mais aqueles barracos que viram nas fotos. Agora são casas de verdade, com porta, chão, forro, etc. Até mesmo residências de alvenaria estão sendo erguidas. Então se demorarem mais alguns meses não poderão simplesmente desocupar a área, precisarão fornecer outro local pra remoção das famílias, como ocorre nas urbanizações de favelas mais antigas. Isso incentivará novas invasões.

Outra coisa: com a favela subindo pela parte mais alta, e portanto fora da várzea do rio, aumentam as chances de que pelo menos parte do Território Nacional ficará onde está. Pois a prefeitura só remove os moradores que estão em área de risco. Os que estão em terreno invadido, porém em condições salubres, são regularizados onde estão. Toda a vizinha vila 1º de Setembro cedo ou tarde será regularizada, e não há razões pra remoção.

Então. A parte alta da nova ocupação também poderá ficar ali também, pois está na área que não alaga. Certamente é com isso que contam os que estão chegando agora, e por isso o ritmo de construção novas casas está [...] tão acentuado que pode ser chamado de frenético. Enquanto a área não for desocupada, a cada dois meses eu irei lá pra ver como a coisa evolui.
............

Esse é um procedimento padrão de minha parte. Sempre que há uma ocupação irregular eu vou verificar assim que fico sabendo. E depois permaneço acompanhando até a definição, que é remoção ou consolidação. A invasão da CIC (Zona Oeste) em 2008, que acabou retirada, eu visitei 3 vezes, e isso que não ficou lá nem 2 meses. Estive na invasão de Piraquara também, bem como nas 4 que ocorreram na Zona Oeste (Santa Quitéria e Campo Comprido) em março de 2007.

A do Campo Comprido foi removida, as da Santa Quitéria (que são vizinhas e formam uma favela só, chamada Portelinha, que se somou a uma invasão que já havia no local) estão lá até hoje. Essa do Campo Comprido é de 2007. Não confunda com a que ocorreu na Rua João Dembinski, perto da Vila Sandra, no ano seguinte, pois ali é Cidade Industrial, e não Campo Comprido ou Fazendinha como a mídia reportou imbecilmente.

Enfim, eu fui em todas essas e em muitas outras. Por isso posso contar a diferença entre as abordagens adotadas pelos invasores. 

Não por acaso a favela Território Nacional já completou nove [agora onze] meses sem ser retirada. Porque aqui eles fizeram uma invasão pra ficar. Em 3 casos nas eleições de 2008 e 10 não era esse o propósito.As invasões da CIC e a do Contorno Norte (em Colombo, Zona Norte metropolitana), ambas em 2008, e a de Piraquara ano passado, visavam não dar moradia a pessoas sem-teto mas sim eleger alguns políticos.

Na Zona Oeste (CIC) a invasão foi no terreno de Marcelo Almeida, filho do lendário empreiteiro Cecílio do Rego Almeida. Marcelo era candidato a vereador e contava com os votos dos invasores pra se eleger. Em Colombo a cabeça do esquema era Bete Pavin, ex-prefeita, que tentava voltar ao cargo. Ambas as iniciativas soçobraram, nem Bete nem Marcelo tiveram sucesso na urnas, e as famílias que ocupavam as áreas foram expulsas dali pela polícia. Como eu disse, essas invasões visavam qualquer coisa exceto assentar sem-tetos.

Estive 3 vezes na invasão da CIC. O comércio de lotes estava descarado, comentava-se abertamente. No pico o local abrigou perto de mil e quinhentas casas – a área é muito grande, dobraria a Vila Sandra de tamanho se tivesse ficado, e a Vila Sandra não é uma favela pequena. Porém eram muitos mas poucos que precisavam de verdade. Apenas cerca de 300 famílias eram carentes e precisavam daquilo pra tentar fugir do aluguel, o resto eram aproveitadores.

Ouvi o motorista de ônibus da linha Augusta, que passa perto dali, falando que comprou 3 lotes. Dois ele já havia vendido, e feito um bom lucro, e o outro ele iria esperar pra ver se valorizava mais. Outra mulher, que já tinha casa própria, dizia que invadiu pra ver se conseguia mais um terreno, “pra mãe dela” em sua versão. Porém nem ela nem a mãe pagavam aluguel pois moravam ambas em um outro lote que já havia sido legalizado pela Cohab. Resumindo, havia muitos gananciosos e poucos necessitados na invasão que ocorreu na CIC.

Os que necessitavam mesmo foram usados como massa de manobra. Creio que se Marcelo Almeida tivesse sido eleito não teria havido desocupação. Claro que ele não trocaria o terreno pela vaga na Câmara Municipal. Seria indenizado pelo poder público, ou seja tentou ser eleito e ainda vender a área ao poder público por uma valor provavelmente acima do valor de mercado. Vi com meus próprios olhos cartazes pedindo voto a ele no meio da ocupação irregular. Na ocasião da desocupação, alguns moradores protestavam com um cartaz que dizia “primeiro pedem nosso voto, depois derrubam nossa casa”, o que é um forte indício que Marcelo Almeida prometeu a legalização da área se fosse vitorioso nas urnas.

O fato é que não deu certo. Marcelo perdeu e a invasão foi desmantelada. Era muito grande, num lugar muito visível, com políticos pedindo votos abertamente, além do comércio de lotes sendo anunciado aos quatro cantos. Se quer que uma invasão permaneça tem que ser o contrário, ela deve atrair a menor atenção possível da mídia e sociedade civil em geral. Tem que ser pequena, em um lugar afastado das vias de grande circulação.

Essas 3 que citei acima contrariavam todas essas regras. Foram muito grandes, e sempre em vias principais, a da CIC na João Dembinski, a de Colombo no Contorno Norte e a de Piraquara na Rodovia João Leopoldo Jacomel (antiga Estrada do Encanamento), a via principal de acesso ao município. Somado ao comércio descarado que ocorreu no caso da CIC, pelo menos, a permanência ficou inviável.

Na Caximba foi feito corretamente, seguindo essa lógica. É o mais afastado possível da visão de qualquer pessoa. Na beira do rio em área não urbanizada, no fim de uma rua sem saída. O mais distante do Centro possível também. Quem vê a invasão são só os moradores da invasão vizinha, a 1º de Setembro. Também estão lá apenas pessoas que precisam de verdade. Claro, devem haver alguns atravessadores. Mas são minoria. A maioria é carente de fato. Quem não tem outro lugar pra ir se agarra com unhas e dentes a essa oportunidade. Os atravessadores, ao contrário, fogem como ratos de um navio se o caldo engrossa.

Já disse que vou a todas as invasões quando surgem. Pelo número de carros que há nas imediações dá pra ter uma noção se são pessoas pobres mesmo ou malandros. Nas duas grandes invasões da Zona Oeste (tanto a do Campo Comprido-07 quanto da CIC-08) a quantia de carros era imensa, mostrando que não eram sem-teto mas oportunistas, em boa medida. Já em Piraquara e na Caximba havia bem menos carros, indicativo sólido que há menos especulação. A de Piraquara não permaneceu por estar muito visível, pelo tamanho e localização.

O Território Nacional ainda resiste.
…............

Enfim, a invasão da Caximba, enquanto permanecer, quebra uma tendência recente. A última invasão que houve no município de Curitiba que não foi retirada foi exatamente as três que formaram a favela Portelinha, na divisa entre Santa Quitéria e Portão (duas na Santa Quitéria e uma no Portão, pra ser mais exato, embora as 3 sejam contíguas), em março de 2007. De lá pra cá não houve novas invasões que tenham vingado. A do Campo Comprido também em março de 2007 e a da CIC em 2008 não permaneceram.

Em outros locais não houve invasões de áreas novas. Eu ando a cidade inteira. Todos os bairros, Zona Sul, Oeste, Central, Leste e Norte, todo o tempo. Nunca passa um ano sem que eu vá às entranhas de todos e de cada um dos 75 bairros dessa cidade que é minha paixão e razão de viver. Não importa quão distante seja, imagine um lugar que fique no município de Curitiba, eu estive lá nos últimos 12 meses, em alguns casos dezenas de vezes, especialmente se for aqui na Zona Sul. Por isso lhes asseguro que não houve invasões entre abril de 2007 e setembro de 2010, excetuando a da CIC, que não se firmou.

Claro, as favelas que já existem estão sendo ampliadas. Posso, entre outras, citar o caso de 3 favelas que aumentaram: Santos Andrade (Campo Comprido, Zona Oeste), Vila Rurbana (Campo de Santana, Zona Sul: o nome quer dizer que é meio rural e meio urbana – não é brincadeira) e Vila Nova (Alto Boqueirão, Zona Sul). Mas nos 3 casos são favelas antigas, bem estabelecidas, que aumentaram sua área. Invasão de novas áreas não havia ocorrido. Isso no município de Curitiba.

Na Região Metropolitana a situação é distinta, houve algumas invasões no período. Dou como exemplo a favela do Arvoredo, Araucária (Zona Sul metropolitana), que dobrou de tamanho – e já não era pequena antes. No Habitar Brasil, em Contenda, também houve enorme ocupação do bosque. Acompanhei tudo, é claro, em Contenda com detalhes [...], assim vi a invasão nascer e ficar maior a cada mês.

Mas esses dois casos, embora sejam Grande Curitiba, pertencem a outros municípios. No município de Curitiba, digo de novo, foram 3 anos e 7 meses sem surgir nova invasão que tenha dado certo. Relatei a muitas pessoas que as invasões haviam cessado, e até outubro do ano [2010] passado essa era a verdade. Porém essa verdade foi engolfada por uma verdade maior: a de que


Conforme eu já havia apontado.

Que Deus ilumine a toda humanidade.

“Deus proverá”

27 de set. de 2011

É bela mas é fera: é a favela


Por: Coré-Etuba M. da Luz




Bom dia a todos.

Recebi de uma colega um texto falando sobre as favelas, com muitas fotos. As imagens são muito interessantes. O que estava estava escrito de certa forma também, embora não tenha me trazido nenhuma novidade, já que sou estudioso do assunto desde sempre. Não por outro motivo vim morar em uma favela da Zona Sul de Curitiba, pra unir teoria e prática.

Reparto com vocês o que recebi, e depois a resposta que enviei a ela. Começando pelo texto sobre as favelas, em itálico [...]. Vamos lá.


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FAVELA, COMO HOJE CONHECEMOS, E SUA ORIGEM


Você já parou para pensar qual o motivo de chamarmos os bairros pobres e sem infraestrutura de "FAVELAS"? Eu sempre achei que fosse um nome indígena ou qualquer coisa assim,mas a história é bem mais interessante que isto.
O origem do nome "FAVELA" remete a um fato marcante ocorrido no Brasil na passagem do século XIX para o século XX: a Guerra de Canudos.
A Favela (Cnidoscolus
phyllacanthus) -
família das EUPHORBIACEAE 
Na Caatinga nordestina, é muito comum uma planta    espinhenta e extremamente resistente chamada "FAVELA".
Entre 1896 e 1897, liderados por Antônio Conselheiro,   milhares de sertanejos cansados da humilhação e dificuldades  de sobrevivência num Nordeste tomado de latifúndios  improdutivos e secas, criam a cidadela de Canudos, no interior da Bahia, revoltando-se contra a situação calamitosa em que viviam.
Em Canudos, muitos sertanejos se instalaram nos arredores do "MORRO DA FAVELA", batizado em homenagem a esta planta. Hoje há uma estátua de Conselheiro protegendo Nova Canudos, pra onde foram transferidos os moradores da Canudos original, alagada pra construção de um açude.
Mapa-Canudos-BA
Com medo de que a revolta minasse as bases da República recém instaurada, foi realizado um verdadeiro massacre em Canudos, com milhares de mortes, torturas e estupros em massa, num dos mais negros episódios da história militar brasileira, feito com maciço apoio popular.
Estátua em Canudos-BA

Quando os soldados republicanos voltaram ao Rio de Janeiro, deixaram de receber seus soldos, e por falta de condições de vida mais digna, instalaram-se em casas de madeira sem nenhuma infraestrutura em morros da cidade (o primeiro local foi o atual "Morro da Providência"), ao qual passaram a chamar de "FAVELA", relembrando as péssimas condições que encontraram em Canudos.
Este tipo de sub-moradia já era utilizado a alguns anos pelos escravos libertos, que sem condições financeiras de viver nas cidades, passaram também a habitar as encostas. O termo pegou e todos estes agrupamentos passaram a chamar-se FAVELAS.
Alto da favela Canudos-BA

Canudos antiga











Mas existem vários "MITOS" sobre as Favelas que precisam ser avaliados...
30 maiores favelas do Mundo
01 - Costumamos achar que as maiores Favelas do mundo encontram-se no Brasil, mas é um engano. Nenhuma comunidade brasileira aparece entre as 30 maiores do Mundo. México, Colômbia, Peru e Venezuela lideram o Ranking, em mais um triste recorde para a América Latina.
Maior favela do mundo
Neza-México
Segundo algumas fontes, a Favela de NEZA, nas  proximidades da Cidade do México, é a Maior do Mundo, com mais de 2,5 milhões de Habitantes



 02 - Outro engano comum é achar que as Favelas são um fenômeno "terceiro-mundista", restrito a países subdesenvolvidos ou emergentes. Apesar de em quantidade bem menor, países desenvolvidos como Espanha também tem suas Favelas, chamadas por lá de "Chabolas".
Chabolas-Madrid


03 - E um terceiro mito é o de que as Favelas apenas 
aumentam, não importa o que o governo faça. A especulação imobiliária e planos governamentais já acabaram com algumas favelas, mesmo no Rio de Janeiro. 
O caso mais famoso é o da Favela da Catacumba, ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, que foi extinta em 1970. A Favela do Pinto também é um outro exemplo.



ORIGEM DOS NOMES DE ALGUMAS FAVELAS DO RJ

Babilônia-RJ

Babilônia
A vegetação exuberante e a vista privilegiada de Copacabana levou os moradores a compararem o local com os "Jardins Suspensos da Babilônia".





Rocinha-RJ


Rocinha
Nos anos 30, após a crise da Bolsa de 1929 que levou vários produtores de café à bancarrota, o terreno da Fazenda Quebra-Cangalha foi invadido e dividido em pequenas chácaras, que vendiam sua produção na Praça Santos Dumont, responsável pelo abastecimento de toda a Zona Sul da cidade. Quando os clientes perguntavam de onde vinham os legumes, diziam: "É de uma tal Rocinha lá no Alto da Gávea"



Mangueira-RJ

Mangueira
Nos anos 40, na entrada da trilha de subida do Morro, que na época ainda era coberto pela mata, foi colocada uma placa que dizia: "Em breve neste local, Fábrica de Chapéus Mangueira". A fábrica nunca foi construída, mas a placa permaneceu, batizando uma das mais emblemáticas comunidades cariocas.

Vidigal
Morro do Vidigal
Em homenagem ao dono original do terreno onde hoje se localiza a Favela, o Major Miguel Nunes Vidigal, figura muito influente durante o Império.



“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião. Pra odiar, as pessoas precisam aprender, e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”
Nelson Mandela”
Aqui se encerra o que já recebi pronto da internet. Daqui pra baixo é minha resposta, e mais uma vez e sempre, mesmo o que estiver em itálico é de minha autoria.
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Gostei das fotos das favelas cariocas e espanholas. Já o texto não me trouxe qualquer novidade, ao contrário, tudo que dizia lá eu já sabia, e ainda posso acrescentar e fazer retificações. 
Sabia que favela é uma planta do sertão nordestino, sabia que o Morro da Providência (Zona Central do Rio) é a primeira favela brasileira, surgida em 1897, se não me engano, e sabia que tanto a nomenclatura 'favela' quanto o surgimento da própria se deve a volta dos soldados que combateram Antônio Conselheiro. E que a primeira favela se chamava, bem, “Morro da Favela”. Algumas versões dão conta que os soldados inclusive trouxeram mudas de favela, e plantaram elas nos morros do Rio.

Morro Providência-RJ -
1ª favela do Brasil
Morro Providência-RJ - hoje
Tudo isso o texto já informou. Vamos ao que ele não informou. Por que a primeira favela, primeiro “Morro da Favela”, e atual Morro da Providência, se instalou nesse local, e por que tem esse nome? Eu lhe digo: quem conhece o Centro do Rio sabe que essa favela, primeira do Brasil, se localiza em frente a estação de trem Central do Brasil, imortalizada no filme homônimo, ponto final das composições que diariamente trazem centenas de milhares de trabalhadores dos subúrbios, as Zonas Oeste, Norte e a Baixada Fluminense.

No mesmo local está o prédio do que hoje é o Comando Militar do Leste do Exército Brasileiro. No final do século 19, entretanto, o prédio tinha uma importância maior que atualmente. O Rio era a capital, e no local era a sede de todo o Exército, não apenas de um comando regional, que abrange apenas os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, e sem incluir o Triângulo Mineiro.

Era a sede então do Ministério da Guerra, a cúpula militar do país, hoje em Brasília. E os soldados que regressavam da Bahia estavam desempregados e sem-teto. Por isso acamparam em frente ao comando geral, pra pressionar o governo. E por isso o nome Morro da Providência, pois eles exigiam providências do exército. Bem, a única providência que veio foi o local adotar esse nome, a favela ainda está no mesmo local onde surgiu.

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Outra coisa. Sei também que a cultura popular incha o número de habitantes da Rocinha. Alguns falam em meio milhão de habitantes, o que é notoriamente impossível. O município do Rio de Janeiro abriga perto de 6 milhões de pessoas. Basta você olhar um mapa da cidade é verá que a Rocinha não ocupa nem 1% da área urbanizada da cidade. Então obviamente não há como abrigar quase 10% de sua população. Sim, ela é densamente habitada, mas também o é a maior parte do Rio. Os subúrbios das Zonas Norte e Oeste são formigueiros humanos, e as Zonas Sul e Central também são densas, pela grande quantia de prédios.

Eu diria que 100 mil habitantes é um número bem mais próximo da realidade, que podemos aceitar, agora, meio milhão é um despropósito, que só mostra debilidade mental de quem repete absurdos sem raciocinar. A Rocinha não é sequer a maior favela do Rio, quanto mais do mundo. As Favelas da Maré e do Alemão (complexos de favelas, na verdade), ambas na Zona Norte, são maiores.

E também sei há muito que as favelas brasileiras não são as maiores do mundo.
Se você for na Zona Sul de Bogotá ou nas Zona Norte e Leste de Medellin, verá complexos de favelas que colocam a Rocinha, a Maré e o Alemão no Chinelo. Há 4 ou 5 Rocinhas enfileiradas nesses locais, como já escrevi. E não precisa ir pessoalmente a outro país, basta estudar o assunto. Nem começamos a falar da Índia, por exemplo. Nunca fui a Ásia, mas sei por fotos que as favelas da Índia são gigantescas, superam fácil a marca de um milhão de habitantes.

Quanto há Europa, também não é me segredo que há favelas por lá. Madri, Paris, Roma, Lisboa, todas elas têm favelas, embora menores que aqui. Em Lisboa são tantas que já as localizei no Google Mapas, já andei nelas pelo modo de visão de rua.

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Sobre o terceiro mito, 'de que as favelas só aumentam', se alguém crê nisso só pode ser débil mental. As favelas são um termômetro da sociedade, e seu aumento ou diminuição refletem se a sociedade está ou não dando atenção a área social. 

Aqui em Curitiba, por exemplo, as favelas aumentaram exponencialmente nas décadas de 70, 80 e 90. Não por acaso, claro, acabei de dizer que o aumento das favelas é consequência de escolhas políticas que uma sociedade faz, e não um fenômeno natural e inevitável.

Senão vejamos. Esse período de 3 décadas foi extremamente confuso em nosso país. A década de 70 foi o pico da repressão política. O governo só estava interessado em matar e torturar, assim nada mais natural que nossas cidades se tornassem mais feias. Os anos 80 foram a transição, veio o malfadado Sarney, e a confusão foi geral, tumulto que prosseguiu nos anos 90, quando veio Collor (deu no que deu, todos se lembram). Eram épocas de inflação altíssima, e claro que a destruição só poderia florescer em ambiente tão nefasto.

A seguir veio FHC. Fez excelente trabalho ao domar a inflação, e embora eu seja lulista (mas não sou petista, ao contrário, me oponho a Dilma e votei nulo, como escrevi muitas vezes) reconheço isso, pois não sou partidário ou sectário nem adepto de 'patriotadas' de qualquer tipo. Mas na área social FHC foi um desastre, continuou com a mentalidade das elites (casa grande & senzala) que havia vigorado em nosso país desde sempre, prosseguindo com o mesmo descaso as classes populares que já haviam caracterizado as eras militar, Sarney e Collor. Assim nada mais natural que as invasões de terras continuassem 'crescendo e se multiplicando'.

Em Curitiba tudo isso foi agravado pelo fato dos anos 90 terem sido o pico da lavagem cerebral que dizia ser aqui tudo de “1º mundo”, propaganda grotesca de tão mentirosa, asquerosa no melhor sentido do termo, e que acabou por cegar a enlouquecer a consciência da cidade, sendo a causa da hiper-violência (sobe o que já escrevi com detalhes anteriormente) que enfrentamos hoje. Então a consequência lógica seria mesmo o aumento das favelas.

Em São Paulo e outras capitais do Sudeste o ciclo que inchou as favelas começou antes, nos anos 60 já haviam enormes invasões nessas cidades. Mas com algumas adaptações o que escrevi aqui continua válido.

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Só que na última década o fluxo se inverteu. Nesses últimos 10 anos as favelas diminuíram, em Curitiba, São Paulo e diversas outras cidades. Pois nossa civilização brasileira se deu conta que não adianta apenas reprimir, as favelas estão aí e vieram pra ficar, então é preciso integrá-las à cidade. Então muitas das piores áreas estão sendo urbanizadas, quando possível, ou removidas pra locais habitáveis, quando irremediavelmente insalubres. É fato.

Se você mora em São Paulo, repare que algumas das piores favelas que existiam nas ilhas da Marginal Tietê já desapareceram, inclusiva a maior invasão da Zona Central, a antiga Favela do Gato, no Bom Retiro, é agora um conjunto civilizado de prédios. O mesmo vale pra região da Berrini, bem, os mais velhos lembram nitidamente do famoso 'Buraco Quente' que ocupava toda a várzea do córrego Água Espraiada, onde hoje é uma avenida, e as favelas que permaneceram estão também sendo retiradas. A maior delas, na esquina com a Marginal, já se foi.

Em Curitiba ocorre o mesmo, algumas das piores favelas como as Vilas Capanema (Z/C), Parolin (também Z/C), Zumbi (Z/N metropolitana), Holandês (Z/L metropolitana), todo os complexos do Cajuru, Uberaba e Bairro Alto (Z/L), Terra Santa, Xapinhal e Osternack (todas na Z/S), Sandra, Barigui e Conquista (Z/O), entre muitos outros, podia citar dezenas, foram ou estão sendo urbanizados. Ainda há muito por fazer, certamente. Mas está sendo feito. 

As favelas, em Curitiba e todo o país, diminuíram muito na última década, só mentes infantis, que se apegam as suas próprias visões distorcidas, podem crer que 'as favelas aumentam o tempo todo, geometricamente'.

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Uma curiosidade: o autor fez um texto sobre as favelas cariocas, e o encerrou citando Nélson Mandela, o famoso ativista negro sul-africano, líder da luta que acabou com o odioso regime de 'apartheid' implantado pela covarde (nisso como em tudo) raça anglo-holandesa na África do Sul. Bem, Nélson Mandela é o nome de uma favela no Rio, na Zona Norte, se não me engano perto do complexo de favelas chamado Faixa de Gaza (o nome já diz tudo), que se não me engano novamente é em Irajá, perto do Ceasa.

Talvez o autor nem conheça a Favela Nélson Mandela, já que ele não conhece sequer a Favela Chapéu-Mangueira, na Zona Sul, confundindo-a com a Mangueira original da Zona Norte. Falarei disso abaixo. E olhe que Chapéu-Mangueira é muito mais famosa, pois é quase a beira-mar, no Leme, que é como chama o começo de Copacabana, praia mais famosa não só do Rio como do Brasil, e uma das mais famosas do mundo.Quando o Chapéu-Mangueira se expande, o Leme se recolhe. Sabem o que quero dizer com isso. O mesmo vale pra vizinha Babilônia.

…..........


Por fim, uma retificação importante. O [texto] que recebi diz que a origem do nome do Morro da Mangueira (na Zona Norte do Rio, próxima ao Maracanã) é uma placa “Breve fábrica de Chapéus Mangueira”. É um erro grotesco. O nome Mangueira se deve a que o morro, bem, tinha muitas mangueiras. Então se instalou no local a fábrica de chapéus Mangueira. O morro nomeou a indústria, e não a indústria ao morro. Se instalou de fato, não houve placa alguma. Isso na Favela da Mangueira original, Zona Norte. Ficava atrás da fábrica que existiu, e não atrás de uma placa anunciando construção fictícia.

E o futebol comprova que a fábrica de chapéus Mangueira foi muito mais que uma placa. É sabido entre os que apreciam esse esporte que o Flamengo, time mais popular do Brasil e do mundo, venceu seu primeiro jogo por expressivos 16x2. Não, não errei na digitação, foi dezesseis a dois mesmo. Qual era o adversário? Um clube chamado Mangueira. E quem eram os jogadores desse clube? Ninguém menos que os operários da fábrica de chapéus Mangueira, que na Zona Norte não só existiu como tinha até um time de futebol – embora de qualidade duvidosa, convenhamos que saldo negativo de 14 em um jogo só é demais. O que quero enfatizar aqui é que a fábrica existiu, o autor confundiu com uma favela da Zona Sul, como explico abaixo.

No Leme, há a Favela Chapéu-Mangueira. Essa sim tem origem na placa. A fábrica, que existiu de fato, com sede na Zona Norte, ia abrir uma filial na Zona Sul. Colocou a placa. Atrás dela surgiu a favela. Ali sim a indústria nunca saiu do papel. Antes de ler a história, sempre soube que tinha que ter uma ligação entre as favelas do Morro da Mangueira, Zona Norte, e do Morro do Chapéu-Mangueira, Zona Sul. E de fato há. Quem escreveu esse texto apenas confundiu as duas favelas, talvez nem conheça a Favela do Chapéu-Mangueira, Leme, Zona Sul, que eu conheço desde sempre.

Pra finalizar, também conhecia a finada Favela da Catacumba, sei que foi ela quem originou boa parte da famosa Cidade de Deus, Jacarepaguá, Zona Oeste. Sua remoção deu esperança a classe média que pretendia acabar com a Rocinha (Gávea-São Conrado), Vidigal (São Conrado), Babilônia (Leme), Chapéu-Mangueira (Leme), Parque da Cidade (Gávea), Chácara do Céu (Gávea-Leblon), Morro Azul (Flamengo), Cantagalo (Ipanema), Tabajaras (Copacabana), Cabritos (Copacabana), Pavão-Pavãozinho (Ipanema-Copacabana), Santa Marta (Botafogo) e todas as outras favelas da Zona Sul.

Favela Catacumba-RJ - removida

Anúncios de prédios chegaram a circular com imagens de onde é a Rocinha sem a favela, com a área já reflorestada, pois a burguesia ansiava em ver a Zona Sul livre dos irmãos 'indesejáveis'. Não deu certo. A Catacumba foi a primeira e única grande favela retirada da orla. As outras estão lá até agora.



É isso aí. Assim é a favela. É bela mas é fera, como já definiu o 'rap'.



Que Deus ilumine a todos.
Deus proverá”