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18 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 19

Conheça o ligeirão que funciona: o de São Paulo
Por: Coré-Etuba M. da Luz


Boa tarde galera.


Vamos enfim encerrar a longa série sobre o transporte curitibano.

Já falei:
  • [a] do  encampamento ilegal de funções da esfera estadual pela prefeitura municipal; 
  • [b] da falta de licitação (sendo que licitação de fachada é o mesmo que nenhuma); 
  • [c] da concentração de 50% da frota numa só família; 
  • [d] da burrice que é insistir em não construir metrô nem trem mas ao mesmo tempo continuar a enganar a população dizendo que o metrô vai sair; 
  • [e] de que o número de ônibus seria insuficiente mesmo se houvesse o metrô, e absolutamente insuficiente sem ele;
  • [f] da recusa em ampliar o sistema e da doença que se apossou da cidade, que impede de construir novos terminais e não permite nem que os que são construídos pelo governo passem a operar, exceto se a justiça obrigar, e, por último mas não menos importante;
  • [g] da lavagem cerebral que faz com que muitos pensem que esse estado tenebroso de coisas seja como o ápice da evolução humana – é claro que quanto menos você usa os ônibus curitibanos melhores eles lhe parecem. Sobrou até respingos pra Europa e Oriente Médio (esse nem todos receberão porque o assunto é 'vermelho').



Vou agora falar como mesmo sem ampliar a frota, os terminais e fazer sistema ferroviário, os ônibus daqui são piores que os de São Paulo, ao contrário do que a mídia induz de forma errônea, propositadamente, claro.

F
açamos um comparativo sobre as rede de Curitiba e São Paulo. Conheço a fundo os dois sistemas. 

Que já fui de ônibus a todas as partes de Curitiba todos os que me conhecem sabem. Então, já fiz o mesmo em São Paulo também.
É claro que guardadas as devidas proporções. A Grande São Paulo é seis vezes maior que a Grande Curitiba, e eu moro aqui, enquanto passo lá 10 dias por ano, na média. Mas sempre que vou pra lá tiro uma tarde inteira pra dar uma volta. Conheço todas as estações de trem e metrô da cidade, e a maioria dos terminais. A rede, tanto ferroviária quanto de ônibus, não é pequena. São 260 km de trem e metrô – e já percorri todos, repito – e 28 terminais de ônibus, dos quais já fui em mais de 20.

Mando-lhes o mapa da rede ferroviária. 

Mapa rede ferroviária SP
O que está em pontilhado é que está em construção. Depois que esse mapa foi elaborado, mais dois trechos foram inaugurados: 2 estações da linha amarela (aquela mesma em que uns anos atrás a obra desabou e engoliu um micro-ônibus, infelizmente) e mais uma na linha verde, integrando com o trem que vai pro ABC.

Isso me permite falar com propriedade.
E posso lhes afirmar que hoje o transporte de São paulo é muito melhor que o de Curitiba. Por várias razões. Vamos falar um pouco de algumas delas.

Comecemos pela própria existência de metrô e trem.
São 260 km, que cobrem todas as regiões da Grande São Paulo. É possível andar por toda a rede pagando uma só passagem. Curitiba teria algo remotamente parecido?

Ônibus-SP
Mas isso é só o começo.
Mesmo sem considerar a rede ferroviária, há mais ônibus por habitante em São Paulo do que em Curitiba, como já lhes falei.
O município de São Paulo tem 11 milhões de habitantes e 16 mil ônibus. Curitiba tem 1,9 milhão e 1,5 mil ônibus. Faça as contas. Contra números definitivamente não há argumentos.
Alimentador do ligeirão-SP




Há mais, muito mais. 
Os políticos mentirosos insistem em dizer que o transporte de Curitiba é o melhor do Brasil, senão do mundo, porque 'só aqui se anda com vários ônibus pagando uma só passagem'.

É duplamente mentira essa afirmação.

Bi-articulado-SP
Isso foi realidade até o final dos anos 80. Desde o início dos anos 90 que diversas cidades no Brasil e boa parte da América (Santiago, Lima, Bogotá, Guaiaquil-Equador e Cidade do México, por exemplo) adotou o sistema de terminais e canaletas. Até em Manaus você pode andar toda a cidade com uma passagem. E não é só nas capitais não. Mesmo Feira de Santana-BA tem transporte integrado hoje.

E segundo, aqui, como é sabido, os convencionais e o Interbairros 1 não são integrados, pois a integração depende dos terminais. Em São Paulo e outras cidades, a integração não é física, é feita no cartão. No caso da capital paulista, você pode pegar até 4 ônibus pagando uma só passagem. E por ser pelo cartão, 100% da frota é integrada. É isso mesmo, 100%, todos os ônibus, todas as linhas. Integração total, sem zonas de sombra, sem precisar desviar de seu caminho pra ter que ir até um terminal. Parece um sonho, mas é realidade. E não na Suécia ou na Suíça, mas em uma cidade de terceiro mundo que tem 11 milhões no município-núcleo (mais que o Paraná inteiro) e 20 milhões contando os subúrbios (só a Grande São Paulo seria o segundo estado mais populoso do Brasil se fosse independente do estado de São Paulo, empatando com Minas Gerais).
E uma metrópole de terceiro mundo com milhões sobre milhões de miseráveis empilhados em seus morros consegue ter transporte melhor que o de Curitiba.

Mesmo sem falar no metrô, a integração no cartão é infinitamente melhor que a física, pois o fluxo é melhor dividido. Logicamente. Lá não se veem expressos (integrados) hiper-lotados ao lado de ônibus convencionais (não-integrados) ociosos.

É claro que há problemas não quero idealizar a capital paulista.
A questão é o nível em Curitiba decaiu tanto que não está difícil oferecer um serviço melhor que o daqui.

Vou exemplificar pelo 'ligeirão' de lá, chamado Expresso Tiradentes, porque quando estiver concluído ligará o Centro ao bairro Cidade Tiradentes, no extremo da Zona Leste. Por enquanto há dois trecho inaugurados, o primeiro até o Sacomã (Zona Sul) e o segundo até a Vila Prudente (Zona Leste). Apesar de um bairro se na Z/ Sul e outro na Leste, são vizinhos, o ônibus vai quase na divisa das duas regiões.

Enfim, o Terminal Sacomã é em frente a Favela Heliópolis, a maior da cidade, onde moram cerca de 150 mil pessoas - maior que Paranaguá, quem conhece essa cidade do litoral do PR sabe então o tamanho da favela, quase uma cidade, Cidade Heliópolis para íntimos. Dista uns 10 km do Centro, a mesma distância do Terminal Boqueirão a praça Carlos Gomes, onde foi implantado o ligeirão daqui.

Ou seja, a mesma distância, o que dá base de comparação excelente. Dez quilômetros que o ligeirão curitibano leva 25 minutos pra vencer, enquanto o paulistano gasta metade, 13 minutos - cronometrado por mim no relógio. E por que a diferença?

Por que em São Paulo o ligeirão não para em sinaleiros, seu trajeto é todo suspenso.

Ligeirão - SP viaduto e estação
O verdadeiro metrô sobre pneus.
Não há semáforos-SP
Se as canaletas curitibanas fossem assim, eu concordaria que o metrô era dispensável. É tão eficiente que fiz questão de levar minha mulher pra andar, mesmo não sendo nem remotamente perto. Pra ela poder presenciar os fatos e desmentir a lavagem cerebral ela também.

Tem mais. Veja o terminal. 

É um verdadeiro 'estado de arte'. 3 andares. No térreo param os alimentadores, no segundo andar estão as lojas e lanchonetes e no terceiro saem os ligeirões, o expresso como eles chamam lá.
Há uma linha que vai pelo chão, cumpre exatamente o mesmo trajeto do que vai pelo elevado, só que enfrentando sinais e com mais paradas. Leva 45 minutos. Já tive a oportunidade de pegar ele também.
Estação - Ligeirão - SP
Estação - Ligeirão - SP
Mas não para por aí.
 
Circulam nesse corredor (como chamam as canaletas por lá) dezenas de ônibus, igual a esse que foi testado por aqui com grande alarde. 

Eu disse dezenas. E sem tumulto na mídia. Pois em São Paulo ônibus não poluidor é pra rodar e não pra ser fotografado. Não para por aí. Lá as estações de embarque são confortáveis, e não esses tubos ridículos que há por aqui. Pra não dizer que eu só critico, os tubos da Linha Verde são excelentes, largos e abrem todas as portas dos ônibus que ali encostam. Aí eu pergunto: todos os tubos da marechal foram retirados na reforma da avenida [refere-se à avenida Marechal Floriano Peixoto] pra acomodar o Ligeirão Boqueirão e o Pinheirinho-Carlos Gomes.

Porque não foram então colocados tubos maiores, em que o ônibus pudessem abrir as cinco portas? Afinal, os tubos que voltaram não foram os mesmos. Por que então não se colocou um mais eficiente? É proposital essa sacanagem, espremer todo mundo na porta três? Ou eles deixaram pra ampliar os tubos num próximo ciclo eleitoral, quando então haverá outra concorrência de cartas marcadas? Só que eles não se importam com o transtorno das pessoas, tendo que parar toda a Marechal de novo? Por que o tubo maior já não foi colocado, eu repito a pergunta. Responda quem puder.

Aliás, falar nisso, reconheço que a Linha Verde, e o Ligeirão Boqueirão, que veio junto, foi uma boa obra. Melhorou muito pra nós aqui da Zona Sul, e os tubos são bons, amplos e permitem embarque e desembarque por todas as portas, evitando o temido 'efeito funil' do embarque exclusivo pela porta 3. Além disso a integração com os alimentadores também ajudou muito.

Não tenho intenção só de malhar. Aliás não tenho intenção nenhuma de criticar por criticar.
Quero levantar o debate pra que os erros sejam corrigidos. Amo Curitiba, especialmente a Cidade Industrial de Curitiba, que é onde meu coração muda de frequência. Mas amo os outros 75 bairros também, inclusive o Batel e o Jardim Social. Amor esse que é estendido para os municípios da Região Metropolitana também, é claro. Conheço cada palmo dessa cidade, como sabem, e não pode haver prova de amor maior que essa.

Sou Um com Curitiba, é minha razão de viver morar aqui, e o sentimento que tenho por ela não pode ser posto em palavras.
Só que o amor pela cidade não se traduz automaticamente em submissão à classe dominante nem aceitar mentiras que privilegiam meia dúzia a custa do sacrifício de milhões. 

Exatamente porque muito gosta daqui é que digo a verdade, como vejo a verdade, pelo menos. Pois quero que aqui volte a ser modelo de planejamento, e não de lavagens cerebrais.

Mas voltando ao que dizia, não critico por criticar. Quando eles acertam, eu digo. A Linha Verde foi boa, mas é preciso por integração no cartão em todos os tubos, e não apenas no São Pedro. E deveriam ter sido feitas trincheiras e passarelas, pra que o ônibus pudesse seguir sem sinais, e as pessoas pudessem então atravessar com segurança. Além disso, os tubos são muito distantes entre si, 1km. Quem mora bem no meio precisa andar 500 metros, e sob chuva ou sol forte não é fácil. Poderia-se fazer algumas trincheiras e colocar mais uns 3 tubos, que aí nem precisam ser tão grandes, pois não precisariam integrar. Então poderia-se criar o Pinheirinho-Carlos Gomes direto, sem nenhuma parada, e o Pinheirinho-Carlos Gomes parador, que vai parando em todos os tubos, exatamente como é no Boqueirão. Em São Paulo isso já foi feito, como acabei de dizer.

Bi-articulado piso baixo total-SP
Bi-articulado piso baixo total-SP
Articulado piso baixo-SP










Mas há outros pontos que Curitiba está comendo poeira. 
Lá há muito mais ônibus com ar-condicionado. Aqui creio que não tem nenhum atualmente, havia um ligeirinho da Cidade Sorriso mas acho que o ar foi desativado. E em São Paulo o ônibus com ar não é mais caro, ao contrário do Rio. Tem mais: aqui só há 4 ônibus com piso baixo no sistema inteiro, em São Paulo devem ser bem uns 4 mil.
O piso baixo é infinitamente melhor que o elevador, que foi adotado aqui. Não atrapalha o embarque e desembarque, não precisa ser operado por ninguém, não quebra e ajuda também idosos e pessoas com dificuldade de locomoção mas que não são cadeirantes.
Há centenas de articulados com piso baixo em São Paulo, coisa que só podemos sonhar.

Não acabei ainda. Há outro ponto muito importante. A localização do motor, em São Paulo há muitos anos é proibido novos ônibus com motor dianteiro, o que resulta que atualmente 80% da frota tem motor traseiro (ou central). Aqui é o inverso, acho que 80% é dianteiro. Quem não anda de ônibus pode achar que é apenas um fetiche de nós busólogos. Nada poderia ser mais distante da realidade. Um ônibus com motor dianteiro é como uma TV sem controle remoto: uma tecnologia ultrapassada que não tem razão de existir.

O motor dianteiro atrapalha o embarque e ensurdece o motorista e cobrador. Mas é mais barato. E então aqui, na 'cidade de primeiro mundo', 'que estabeleceu um padrão tão alto que os forasteiros não tem mesmo como competir' (estou repetindo a infeliz definição de um colunista da Gazeta do Povo do Batel, essa aberração, que não é só incômoda como também perigosa continua a ser rotina.

Tudo somado, como já havia lhes dito, o padrão de Curitiba não é mais alto, é mais baixo que o de outras cidades. Que o de São Paulo com certeza. Não li isso em algum lugar, presenciei os fatos onde eles ocorrem. Se a cidade não vai mesmo fazer metrô, que aprimore então o sistema de ônibus.

Comece banindo ônibus com motor dianteiro. O mentiroso que se elegeu governador disse que “Curitiba tem os ônibus mais modernos do mundo, com GPS, etc”. É uma falsificação grotesca, mas o que esperar do homem que jurou de pés juntos que não abandonaria a prefeitura com menos da metade do segundo mandato? Pra não falar do caixa 2 e outras passagens menos recomendáveis de sua biografia.

Segundo: podem insistir nos tubos. Nada contra o formato de nossas estações. Mas façam, pra ontem, tubos iguais aos da Linha Verde em todos as canaletas de expresso, que abra as cinco portas, ou ao menos 4. como está, não funciona. É um princípio básico que você precisa criar corrente, ou seja, fazer as pessoas embarcarem por um local em desembarcarem em outro. Até em termos de física a situação atual é um desastre, fluxo e contra-fluxo na mesma porta, no caso dos ligeirinhos, e dos ligeirões também, pois como sé se entra pela porta 3, muitos não conseguem sair dali e desembarcam por ela também. Não dá certo, claro, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo, ao menos não na dimensão física. Os tubos tem que abrir 5 ou ao menos 4 portas, e o ideal seria entrar pela 1 e 2 e desembarcar pela 3, 4 e 5 (essa última se houver). E não podemos esperar 20 anos até isso tornar-se realidades.
Expresso-Uberlândia-MG


Pra não dizerem que eu só puxo o saco de São Paulo, mando também foto das estações de Uberlândia-MG: tudo como tem que ser, largas, vários acessos aos ônibus, expresso na esquerda, alimentadores na direita. Como a nossa Linha Verdade.


Mini-terminal-Uberlândia-MG

Terceiro
: parem de falar em 'renovação' de frota e 
comecem a ampliar a mesma. Curitiba tem 1,5 mil ônibus no município e 1,9 mil na Rede Integrada que inclui boa parte da RM. Pra esse negócio começar a ficar com um nível mínimo de qualidade, são necessários mais 500 ônibus já. Não é pra ter excedente, é pra cobrir o déficit. Isso eu digo se o metrô for mesmo sair, o que não ponho nenhuma fé. Sem metrô são necessários de 700 a 800 novos ônibus circulando urgente.

Quarto: façam integração no cartão onde não há opção de rede integrada. Quando vou pra Zona Norte, por exemplo, preciso descer no Cefet, atravessar a rua e pagar outra vez. Ali era um local excelente pra integração no cartão. Eles vão alegar que se eu for de ligeirinho troco de graça no Centro Cívico. De fato. Só que aí pelos congestionamentos e desvios de trajeto (pois é preciso ir mais longe pra integrar no tubo) leva uma hora a mais.

Quinto: parem de retirar os ônibus de circulação. Hoje, eles calculam matematicamente o número mínimo possível de 'carros' em cada linha sem que o sistema dê colapso. Por carro quero dizer ônibus, estou usando o jargão do meio. Enfim, eles calculam milimetricamente, visando apenas o lucro máximo pros mesmo de sempre. O resultado todos que andam de ônibus conhecem, estão sempre lotados. É claro que não quero idealizar outras cidades, num estilo 'a grama do vizinho é mais verde'. Nada disso. Estive em várias partes do Brasil e de outros 3 países da América, e sempre usando transporte coletivo, pois não tenho carro. É claro que sei que às 6 da tarde os ônibus (e trens, onde há) ficam super-lotados. É universal.

Só que os que não andam de ônibus em outras cidades talvez não tenham se dado conta de uma coisa:

Só em Curitiba os ônibus são lotados aos domingos. É fato. E é absolutamente vergonho estarmos em último lugar nesse quesito, pra tentar aplacar a ganância insaciável da Urbs e meia dúzia de donos de empresas.

Nas outras cidades os ônibus demoram sim um pouco a mais no domingo que no meio de semana, mas então chegam vazios. Aqui eles levam uma eternidade, a maioria das linhas é de hora em hora, as mais movimentadas de meia em meia hora, inclusive a que passa em minha casa, o Interbairros 3 – excluindo os expressos, que são a única categoria que não demora tanto. E não venham com a conversa fiada de tarifa domingueira que outras cidades já adotaram promoções também. Em Porto Alegre, um domingo por mês o ônibus é gratuito. Em São Paulo você só paga uma passagem o dia inteiro, e pode pegar até 4 ônibus. Se usar os 4, a tarifa sai R$ 0,68, bem menos que o R$ 1 daqui. E o ônibus em São Paulo é vazio aos domingos, nunca é demais repetir. Até porque já comprovei muitas vezes, não estou repetindo lavagem cerebral, como muitos fazem por aqui.

Como viram falei só de medidas que poderiam melhorar a vida dos usuários sem mexer no cartel. Sei que não virá mesmo nenhuma licitação, nenhuma digna do nome, pelo menos. Que seja. Se querem roubar, roubem. Entretanto que ofereçam um serviço com o mínimo de qualidade. Em São Paulo o transporte também é dominado por uma máfia, que está no poder há décadas. Mas várias linhas lá são operadas por cooperativas, o que ameniza um pouco o poder dos cartéis. E desonestos como são os donos de viação, o serviço é melhor que aqui, mesmo a cidade sendo seis vezes maior.
................

Enfim, galera, é isso aí. Chegamos então ao fim dessa longa série. Lhes disse que o terminal de São José dos Pinhais está pronto desde 1/07/10 e ainda está fechado. O de Fazenda Rio Grande (Zona Sul) foi inaugurado também fechado na mesma data. Mas antes de escrever, procurei na internet pra ver se a situação perdurava. Fiquei sabendo que foi inaugurado sábado. Antes tarde que nunca. Estou indo até lá conferir se a situação procede. Depois relato.

Vamos agora as fotos. [vide acima]
A primeira é o mapa da rede de transporte ferroviário em São Paulo. Também entraram algumas canaletas de ônibus de responsabilidade do governo estadual. Lembre-se que o mapa já está desatualizado. São Paulo tem 260 km de rede ferroviária, sendo ampliados em cerca de 30 km. Nem vou falar da ampliação da rede de terminais e canaletas de ônibus pra não humilhar demais Curitiba.

As duas próximas são de Uberlândia-MG: um mini-terminal e um expresso. É um Marcopolo Torino obviamente.
A seguir todas as fotos são de busões paulistanos. Comecemos pelo ligeirão deles, chamado Expresso Tiradentes, como já disse.
As duas primeiras fotos mostram os articulados circulando pelas vias elevadas, onde não há semáforos. São ambos Caio Mondego (esse modelo não existe em Curitiba). Operam na Zona Sul da cidade. Observe ao fundo a favela que falei. Está sendo urbanizada, aqueles prédios altos é a Cohab pra onde os moradores estão sendo transferidos.
Agora o terminal, que como lhes disse tem 3 andares. Em cima os articulados, no térreo os alimentadores. O que aparece na foto é um Caio Milênio II. Também circula pela Zona Sul.

Depois alguns ônibus não-articulados. Híbridos, como o que foi testado aqui. 
A diferença é que lá há dezenas, o prefeito não fica tirando foto ao volante, pois a função é transportar pessoas e não ser modelo pra lavagens cerebrais. Os dois primeiros são ainda desse ligeirão que estamos falando. O primeiro está operando. 
Ligeirão-SP onibus-hibrido


Repare que a linha diz “Via Elevado”. 


O segundo espera entrar em serviço. A linha diz “Terminal Mercado”, que é o ponto final no Centro, no Parque Dom Pedro 2º.

Híbrido-SP-sem alarde na mídia
O terceiro é também um híbrido, mas indo pra outra parte, o “Terminal Santo amaro” - onde já fui dezenas de vezes. Os 3 são Marcopolo Gran Viale, e operam na Zona Sul, mas esse último não é ligeirão, ou seja, tem catraca, o que os ligeirões (lá também) não tem. 

Piso baixo-SP
Vejamos agora alguns articulados nas estações. São piso baixo, o que dispensa elevador e todo o incômodo que ele acarreta. São todos Caio Mondego, e claro, todos circulam pela Zona sul, por tratar-se da mesma canaleta.

Articulado piso baixo-SP
Na foto seguinte vemos um bi-articulado piso baixo na rua. Ainda sem placas. Também um Caio, da mesma empresa que opera o Expresso Tiradentes. Depois, mais um bi-articulado piso baixo, Caio-Volvo, que também circula na Zona Sul, mas em outra parte. Em São Paulo a cor do ônibus indica sua região e não categoria. Ou seja, expressos e alimentadores da zona verde-escura são todos verde-escuros, expressos e alimentadores da zona laranja são todos laranjas. 

Seguimos com mais dois Caio. O amarelo opera na Zona Leste e é piso baixo. É um Mondego. O bairro de São Miguel Paulista, pra onde ele ruma, é um distante e pobre subúrbio, nas margens da Rodovia dos Trabalhadores (atual Ayrton Senna). O segundo, que opera na Zona Sul e segue em direção ao Largo São Francisco, no Centro, é um Top Bus (ambos os modelos inexistem em Curitiba). Você devia ver esse Top Bus por dentro. O painel parece de avião. O motorista ocupa toda a frente do veículo, não há espaço pra passageiros ao seu lado, não por acaso a porta de entrada é recuada. Se os ônibus de Curitiba são 'os mais modernos do mundo', como assegurou Beto Richa, São Paulo pertence a outro planeta, porque esse veículo deixa as latas velhas que aqui circulam comendo poeira. Mas acho mais provável que São Paulo seja mesmo parte desse mundo e o nosso futuro governador resolveu mais uma vez mentir – só pra não perder o hábito.

Vejamos agora alguns articulados metropolitanos, que por isso ostentam pintura diversa. O primeiro é um alimentador do ligeirão. Exato, um alimentador articulado. Está vindo do pobre e distante município de Mauá, na periferia do ABC, Zona Leste. É um Ciferal. Como o Top Bus acima, esse também não é piso baixo.

Depois, um Caio Milênio II, que também circula no ABC. Sua empresa está sediada no município de São Caetano, que é o oposto de Mauá. Rico, plano, pequeno em área, não tem favelas e é bem mais central.

Troleibus-piso baixo-SP
Vamos seguir no ABC. 
Esse é um troleibus, ônibus também elétrico. Só que esse não tem motor híbrido, puxa a eletricidade direto do fio, através daquela haste que vocês veem acima do veículo. É um Busscar Urbanus Pluss. A pintura é especial pra essa canaleta, todos os outros ônibus intermunicipais da Grande São Paulo (e também da Grande Campinas e Grande Santos) são azuis como os dois que viu acima. Enfim, essa linha liga as Zonas Sul e Leste do município de São Paulo via ABC. É claro que também é piso baixo.

Mais duas fotos pra fechar. O amarelo é um Caio Milênio II que se prepara pra zarpar rumo ao Terminal Cidade Tiradentes, no extremo Leste da cidade. Ali será o ponto final do Expresso Tiradentes, como o nome indica, quando a expansão da rede estiver concluída. Também com piso baixo. O seu irmão atrás é do mesmo modelo e empresa.
Por fim um ônibus da Zona Norte. É mais um Caio Milênio II, e, adivinhe, também piso baixo. Trucado atrás, ao contrário dos híbridos que abri a série de fotos, trucados na frente.

Como viram, todos os ônibus retratados tem motor traseiro ou central. Como lhes disse, a aberração do motor dianteiro está em vias de extinção em São Paulo. Ainda existe, mas breve será só lembranças. A “cidade de primeiro mundo”, entretanto, refém de empresários que comandam o sistema sem licitação digna do nome e aproveitando a lavagem cerebral que explora a ignorância e o orgulho da raça branca, ainda não teve coragem de dar esse passo. Tudo o que escrevi é pra mudar essa triste realidade. É minha forma de amar Curitiba, andando por ela e depois lhes passando o que vejo.

Que Deus ilumine a todos.
Deus proverá”

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