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18 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 23

Curitiba: o Rei está nu
Por: Coré-Etuba M. da Luz


Dá-lhe...


Em relação ao tubo do Santa Quitéria, há pelo menos um ponto positivo em todo esse tumulto [refere-se ao atraso e demora na reforma do tubo, mais de 6 meses].

O sistema testado na estação-tubo Santa Quitéria
é usado cerca de 500 vezes por dia.
Fonte: Gazeta do Povo

Agora foi criada uma linha convencional (Buriti-Vila Velha) que para em frente ao tubo, como você já deve ter percebido, e que permite a integração através do cartão, ou seja, a primeira vez que Curitiba adota a integração temporal, em oposição à integração física. Não sei se você já pegou essa linha (eu o fiz no 1º dia que foi criada), mas é um projeto bem legal, integrou toda o Campo Comprido e Santa Quitéria, essa parte da Zona Oeste tão carente de transporte integrado.

Essa linha é o piloto, breve outras partes da cidade também serão contempladas.



Quanto antes melhor. Claro, Curitiba 'fez a fama e deitou na cama', então está muito atrasada.

Em São Paulo, já há quase uma década, 100% da frota é integrada pelo cartão, tanto que os terminais lá são apenas pontos de parada.

Se você desceu de um ônibus, entra pela frente em outro e gira a roleta, mas com o cartão não precisa pagar essa segunda condução. Nem a terceira, e nem a quarta. Com uma passagem pode pegar até 4 ônibus, num período de 3 horas. E repito: 100% da frota é integrada. Entre outras facilidades.


Aqui, você só pode recarregar o cartão pela internet. Em dinheiro vivo, só na sede da Urbs, na Rodoferroviária.

Na capital paulista o sistema é infinitamente superior: você pode comprar créditos e carregar o cartão em qualquer lotérica ou terminal, inclusive há máquinas automáticas que dispensam a fila.
Como você vê, estamos comendo poeira mesmo, mas como já disse, o orgulho precede a queda. Essa Lei é fatal. Espero que o projeto-piloto na Santa Quitéria seja estendido a outras linhas em caráter de urgência, para ao menos minorarmos o prejuízo.


Estive em Joinville essa semana [maio/10] e lá também 100% da frota é integrada, embora não seja no cartão. Todas as linhas vão para terminais, e há um terminal integrado no Centro da cidade, ao contrário daqui. De qualquer ponto a qualquer ponto da cidade, seja em São Paulo ou Joinville, você só paga uma passagem, ao contrário de Curitiba e suas inúmeras 'zonas de sombra' no sistema.
No Pilarzinho, Zona Norte, por exemplo, quase não há linhas integradas. É muito comum as pessoas pegarem um ônibus convencional e descer após 3 ou 4 pontos, só para chegar ao trajeto do Interbairros 2, onde precisam pagar de novo.
Coisas da cidade 'de 1º mundo', a 'mais sustentável' de todas.

Paulistanos e joinvillenses achariam essa situação um anátema, mas fazer o que? E SP e Joinville são apenas dois exemplos, que citei por serem próximos a nós. Diversas cidades do país, de Feira de Santana (BA) a Uberlândia (MG), de Ponta Grossa a Goiânia, dezenas delas, de Leste a Oeste, têm sistemas iguais ou melhores que os nossos.

Vão longe os tempos que eramos o modelo.

E claro, há lugares que o transporte é péssimo, sem integração nem nenhuma comodidade aos usuários. Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro podem ser citados, entre outros. Mas isso não muda o fato que a maioria das capitais e cidades médias do interior, inclusive do Nordeste, já adotaram a integração tarifária, via cartão ou terminais. Apenas nós curitibanos continuamos a achar que aqui é o único lugar do Brasil que podemos pegar várias conduções sem pagar outra passagem. Tem mais. Em várias delas (poderia te citar dezenas) a integração é total, sem 'zonas de sombra'.

Mas quem essa intrusa chamada 'realidade' pensa que é para acabar com nossas fantasias? Cristalizamos em nossas mentes infantis, desejosas de achar fatos que comprovem nossa 'superioridade', o que foi verdade 30 anos atrás, no início dos anos 80, mas que já não o é há muito tempo. Dizem que os ianques “são o único povo que acredita em sua própria propaganda”. Bem, como é nítido, os compatriotas de Obama não são os únicos que abraçam sem restrições as manipulações criadas pelas mentes sinistras que exploram o orgulho humano. Nós curitibanos competimos palmo a palmo com eles pelo título de 'povo mais estúpido e orgulhoso da Terra'.

Estadunidenses a parte, o fato é que a coisa está feia, e minhas palavras, evidentemente exageradas, visam acordar nossa cidade dessa letargia implantada por Lerner, o Mago das Ilusões, quando Curitiba completou 300 anos.

A Terra já girou em torno do Sol 17 vezes desde então, e é mais que chegada a hora do efeito dessa droga alucinógena chamada “cidade de 1º mundo” acabar, para o bem de todos, pois esta loucura está lembrando a advertência bíblica 'dos cegos que guiam outros cegos, e todos rumando ao precipício'.

Claro que a cidade tem muitos pontos positivos, e não pretendo negá-los. Ao contrário. Andar por cada canto dessa metrópole, da Água Verde a Vila Verde, do 'Champagnat' ao Xapinhal, é o que mais gosto de fazer, como é notório. Apenas é chegada a hora de pararmos com essa infantilidade, e encararmos os problemas de frente, pois eles são muitos e estão se avolumando.
É chegada a hora, eu repito, pois o tempo está se esgotando. Quando o trânsito estiver tão ruim que será mais rápido ir do Boqueirão ao Centro a pé do que de carro, quando qualquer chuva de meia-hora deixar desabrigados e trouxer inúmeros prejuízos, nos bairros ricos e pobres indistintamente, quando a cidade estiver dividida em comandos criminosos que serão verdadeiros senhores feudais (como é o Rio de Janeiro, já há algumas décadas), aí não vai adiantar nada dizer: “é, acho que não éramos tão desenvolvidos assim”.

A hora de agir é agora. Não há tempo a perder. Eu não estou brincando. Você sabe disso tanto quanto eu. Por isso, só posso aplaudir qualquer iniciativa que vise expandir a consciência das pessoas, e enterrar de uma vez por todas essa mentalidade infeliz de que Curitiba “é uma cidade diferente, verdadeira ilha europeia em meio ao oceano americano, o povo é educado, os serviços públicos funcionam e tudo é planejado”.

Pra usar uma figura de linguagem muito útil, o 'rei está nu'.

É hora de dizer isso em alto e bom som. Chega de fingir que ele está vestido. 



Paz a todos.
Deus proverá”

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