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19 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 27

Curitiba: capital do Brasil
Por: Coré-Etuba M. da Luz


Boa tarde a todos.

Vocês sabiam que Curitiba já foi a capital do Brasil?
Eu não sabia, fiquei sabendo hoje, quando recebi de um colega uma ligação falando desse período pouco conhecido de nossa história.

Durou apenas 4 dias, em março de 1969.
Foi uma mudança curta, mas efetiva enquanto durou, todos os ministérios e principalmente o comando militar (que era quem dirigia com mão de ferro o país na época, como sabem) se instalaram aqui. É claro que tudo foi uma peça de propaganda, que visava dar suporte à ditadura em seu período mais sangrento. Por isso resolvi compartilhar com todos essa troca de correspondência. Comecemos pelo material que recebi, que contem a dita ligação pros estudos de história:

Lhe envio a ligação de uma reportagem do jornal da UFPR que conta que Curitiba foi capital do país durante 4 dias em 1969, isso devido ao seu contínuo apoio ao regime militar. Dá uma olhada, acho que a matéria é eloquente sobre o carácter de nossa cidade.
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Curitiba já foi capital do Brasil e é mais antiga do que se imagina

SOCIEDADE | Publicada em 09/09/10 às 09h28


Pesquisadores revisitam a história da cidade e apontam fatos históricos desconhecidos pela população
Reportagem FELIPE NASCIMENTO
Edição RENATA PORTELA
GEHAD HAJA - ARQUIVO PESSOAL


Por quatro dias Curitiba foi capital do Brasil
Responda a seguinte pergunta: quais cidades foram capitais do Brasil? Um bom estudante de história responderia Salvador, Rio de Janeiro e Brasília. Mas o que poucos sabem é que Curitiba já foi oficialmente capital brasileira. Esse é somente um dos fatos históricos pouco conhecidos sobre a cidade apontados por dois pesquisadores da história do Paraná.
Gehad Hajar, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro do Paraná, é um desses pesquisadores. Ele está realizando a pesquisa “Curitiba: de povoado à capital do Brasil”, que deverá ser lançada em livro no segundo semestre de 2011. A cidade foi capital federal entre 24 e 27 de março de 1969, época em que vigorava a ditadura militar. De acordo com o pesquisador, a mudança foi por uma questão propagandística. “Curitiba era uma das capitais brasileiras que não fizeram oposição ao regime militar. A esposa do presidente Costa e Silva era curitibana e convenceu o presidente a transferir a capital para agregar valor aos políticos daqui que eram favoráveis à ditadura”, conta.
A mudança da capital brasileira para Curitiba havia sido planejada com antecedência e prevista para durar pouco tempo. Na ocasião, houve a transferência do poder executivo ao palácio Iguaçu e das forças armadas e ministérios para outros locais da cidade. “Foram dias festivos no Paraná, o presidente inaugurou diversas obras na cidade e a Ponte da Amizade em Foz do Iguaçu”, diz o pesquisador.
A efetividade da mudança, entretanto, é questionável. O professor do Departamento de História da UFPR Magnus Roberto de Mello Pereira acredita que o fato, na verdade, possui apenas um caráter simbólico. “É como acontece hoje em dia quando um governante visita uma cidade para ganhar apoio”, contesta. Gehad Hajar concorda que as mudanças foram de caráter cívico e não administrativo, embora discorde de que o fato não legitime a mudança da capital. “Quando o governo se 'instala' em uma cidade, é apenas uma formalidade. Não há instalação de todos os ministérios, das forças armadas, de palácios, de decretos, de solenidades, e toda a comitiva. Em Curitiba foi diferente. Tudo isso foi feito. Curitiba foi de fato capital do país”, enfatiza.
Um outro aspecto que também é pouco conhecido pela população diz respeito à fundação da cidade. “A data oficial de fundação de Curitiba é 29 de março de 1693. A questão é que essa data é da fundação da câmara municipal, e não se funda a cidade no dia da fundação da câmara”, afirma Hajar.
Antes disso, Curitiba teve outros marcos que poderiam ser considerados data de fundação, como a instalação do pelourinho em 4 de novembro de 1668. Em 1654 é datado um mapa da vila de Curitiba, que teria sido fundada oficialmente pelos portugueses em 1648 em um local onde é atualmente o Bairro Alto. Por volta de 1650 já existia às margens do rio Atuba uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Luz.
“Não existe data correta, fundação é sempre uma data arbitrária escolhida por alguém, é uma convenção”, afirma o professor Magnus Pereira. Hajar, entretanto, explica que existem algumas regras que caracterizam a fundação de uma cidade. De acordo com o pesquisador, o direito português estabelece a instalação do pelourinho como marco da fundação de uma vila. Uma outra questão descrita por Hajar é que as cidades brasileiras geralmente são fundadas no dia de sua padroeira. “Oito de setembro pode ser a data mais correta, resta saber em qual ano foi”, opina.
Importância histórica
Embora a transferência da capital brasileira para Curitiba tenha sido momentânea e de pouco impacto à administração da cidade, o fato de ela estar alinhada ao regime ditatorial ajudou no seu desenvolvimento. É o que defende Gehad Hajar:“Todos os governadores do Paraná eram simpáticos à ditadura e isso favoreceu o estado e Curitiba como um todo. Grandes obras de urbanização se beneficiaram com o alinhamento ideológico, não se pode apagar isso da história”. O pesquisador também acredita que o fato de Curitiba ter sido capital federal simboliza o crescimento da cidade. “Não importa por qual motivo e quanto tempo durou, o fato é que uma cidade acanhada, uma pequena possessão portuguesa em território espanhol, foi capital do país”, comenta.
A revisão da história dessa “pequena possessão portuguesa em território espanhol” coloca a cidade como sendo de fundamental importância à geografia do Brasil. “Curitiba, na revisão histórica de sua fundação, é uma das primeiras cidades brasileiras em território espanhol, o que contribuiu à revogação do Tratado de Tordesilhas e expansão territorial do país. A data oficial acaba apagando uma importância significativa da cidade”, explica o pesquisador.
Porém, esses e outros fatos ainda são pouco conhecidos pela população de Curitiba, aspecto que Gehad Hajar considera como prejudicial ao desenvolvimento da identidade do estado do Paraná e de sua capital. “Não temos a cultura de conhecer a própria história. Na mídia, na educação básica, no vestibular, ela é pouco abordada. A história paranaense acaba ficando apenas em nível acadêmico”, lamenta.
A padroeira de Curitiba
Curitiba comemora seu feriado municipal em 8 de setembro, dia de Nossa Senhora da Luz, padroeira da cidade. Na metade do século XVII, às margens do rio Atuba, já existia uma capela erigida à santa. Conta a lenda que sua imagem amanhecia todos os dias virada para uma região rica em pinheiros. Interpretando o fato como um aviso para desbravar o local, os portugueses armaram-se para lutar contra os índios caingangues que dominavam o espaço. Entretanto, os nativos acolheram os portugueses e cederam a região. A conciliação entre os povos teria ocorrido onde hoje é a praça Tiradentes, na qual se encontra a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz.
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Aqui se encerra o que ele enviou. A partir daqui, tudo é de minha autoria, mesmo o que estiver em itálico, como sempre.
Se já leram a ligação, viram que a matéria também faz referência a Curitiba ser mais antiga que a história oficial estabelece, na verdade nossa cidade começou bem antes de 1693, tendo seu marco zero não na Praça Tiradentes, mas sim nas margens do Rio Atuba, atual Bairro Alto, Zona Leste. Por isso a foto que ilustra o texto, e por isso o inicio fazendo referência a esse fato. Vejam minha resposta na íntegra:

Então.

Aqui começou Curitiba-Vilinha-Bairro Alto
Eu sabia que Curitiba é mais antiga do que se diz, inclusive já fui na chamada “Vilinha”, às margens do Rio Atuba (Bairro Alto, Zona Leste), primeiro povoamento europeu em nossa cidade. O detalhe é que o local que Curitiba começou está no atual município de Pinhais, já que fica do outro lado do rio, tendo o município da capital como referência. 

Vilinha - Parque Histórico

Entretanto não sabia que aqui já foi capital.
E os caras queriam mesmo estabelecer esse marco, imagine o custo de se transferir toda a Esplanada dos Ministérios pra permanecer 4 dias.
A mudança, ida e volta, levou dez vezes mais tempo, certamente. Mais ou menos como as guerras de agressão ianques, elas consomem tanto combustível que logo todo o petróleo roubado do Iraque só será suficiente pra manter as próprias tropas de ocupação no mesmo Iraque, ou seja será todo gasto ali, nenhuma gota cruzando o Atlântico. Lógica similar a que fez Curitiba ser capital, inversão de fins pelos meios. A guerra passa a ser um fim em si mesma, e não um meio pra algo maior (ainda que desonesto e cruel). A mudança da capital também foi um fim em si mesmo, um processo custoso que não se justificaria por nenhum argumento lógico. Mas pra que lógica e debates quando se tem a força bruta dos tanques?

E o período escolhido não poderia ter sido mais propício. Março de 1969, pico dos picos da repressão. O Ato Institucional número 5 – o negativamente famoso AI-5 – data de dezembro de 1968, não custa lembrar. Se tiver que dizer qual foi o pior do pior da repressão, não hesito em escolher o triênio 1969-1971, com o tri futebolístico no México marcando o ponto culminante, que deu carta branca aos assassinos pelo ópio que forneceu as massas. Só não sabia que essa triste fase foi inaugurada aqui.

Mas nada mais natural. É mesmo a cara da cidade ser “a mais leal” ao regime militar. Na época do império, Dom Pedro classificou Porto Alegre-RS como “a mais leal das cidades brasileiras”. E com justa razão. A capital do Rio Grande do Sul nunca caiu nas mãos dos rebeldes da revolução farroupilha, exceto por pouquíssimos dias logo no início do confronto. Mas foi retomada pelos que queriam manter o Brasil unido e nunca mais cedeu. Por isso sofreu o maior cerco que uma cidade brasileira jamais presenciou. E não caiu, repito. Manteve-se sempre leal ao Brasil, forçando os rebeldes a recuarem e instalarem a “capital” de sua insanidade na pequena cidade de Piratini, o que selou negativamente o destino da revolta. 


Por Porto Alegre e por Rio Grande (na época maior cidade da província, pois era seu maior porto, num tempo que o transporte marítimo era infinitamente mais importante que hoje) terem se mantido fiéis ao Brasil, sem nunca terem sido controladas pelos covardes separatistas, é que hoje o Brasil vai até o Chuí, mantendo o Rio Grande do Sul na federação. Por isso e por tudo, Deus abençoe a cidade de Rio Grande, e Deus abençoe Porto Alegre, a mais fiel cidade brasileira.

Nota sobre isso. É evidente que a república é um meio de governo infinitamente melhor que o império. A intenção inicial dos revoltosos farroupilhas nunca foi separar o Rio Grande do Sul de nosso país. Era sim implantar a república em todo Brasil, com o RS fazendo parte dessa república brasileira. Eram contra o regime imperial e não contra o Brasil como nação, posição que eu ratifico, também sou totalmente contrário a monarquias. Sua ideia era deflagar em todo território nacional uma guerra civil de republicanos contra monarquistas, iniciando um foco no Rio Grande do Sul que eles esperavam que fosse se espalhar por outras províncias – tanto que as forças republicanas gaúchas receberam apoio de forças republicanas baianas e de outras províncias. Sua luta, se não tivesse se desviado, culminaria com a tomada da capital Rio de Janeiro pelas forças republicanas, o que então aboliria o império e declararia a República do Brasil, na qual o Rio Grande do Sul estaria incluído em posição de honra, afirmo novamente.

O problema é que alguns idiotas se precipitaram e tentaram o separatismo, razão pela qual foram violentamente combatidos por muitos gaúchos que tinham mais consciência, e pretendiam manter a província no território brasileiro. O general Osório é um exemplo. Rio-grandense da gema, pois nasceu na cidade que hoje leva seu nome no litoral gaúcho, lutou do lado brasileiro contra os covardes separatistas. Porque os que se mantiveram fiéis ao Brasil sabiam que cedo ou tarde nosso país seria transformado em república, com o RS sendo um estado da federação. Como aliás ocorreu 5 décadas depois. Resumindo, se a revolução foi pra manter o Brasil unido, mas republicano, eu apoio, no entanto combato violentamente os que pretendem usá-la hoje com o pretexto pra dividir nossa pátria. A intenção separatista falhou precisamente porque sua própria capital, de modo sábio, reconheceu sua insanidade e se recusou a aderir a essa estupidez. O Rio Grande do Sul é Brasil, e sempre será. No que depender de mim certamente.
…..........

Vamos concluir. Escrevi os parágrafos acima apenas pra dizer Porto Alegre foi “a mais leal” à nossa nação brasileira, pelo que merece todo nosso reconhecimento e gratidão. Enquanto isso Curitiba foi “a mais leal” ao sangrento regime militar, tendo aliás feito as honras exatamente quando seu período mais cruel se iniciou. Semelhante atrai semelhante, definitivamente. Ser fiel à pátria é uma coisa, ser fiel ao regime ditatorial é outra bem diferente.

Enfim, cada cidade escolhe o que melhor reflete suas inclinações.

Eu amo Curitiba, e a prova é que conheço todos os seus bairros e vilas. E amo o Rio Grande do Sul também. Por isso coloquei ambas as bandeiras pra ilustrar esse texto, precedidas é claro pela de nossa nação brasileira, Alfa e Ômega de minha existência.

E é por amar Curitiba e o Rio Grande do Sul que combaterei sempre os fascistas que se organizam aqui e lá.

Assim Eternamente É.
Paz a toda humanidade.
“Deus proverá”

Brasil
Curitiba
Rio Grande do Sul

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