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18 de set de 2011

Uma grande série sobre Curitiba 22

Curitiba: o orgulho precede a queda
Por: Coré-Etuba M. da Luz


Grande....


Sobre o prêmio que Curitiba recebeu, só posso dizer uma coisa: a máquina de propaganda (a "Grande Mentira") continua a todo vapor. 

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refere-se ao prêmio Globe Sustainable City Award 2010


http://www.globeaward.org/winner-city-2010
The Brazilian city Curitiba awarded the Globe Sustainable City Award 2010

STOCKHOLM, April 7, 2010 - The Brazilian city Curitiba wins the Globe Sustainable City Award 2010. The city of Curitiba is awarded for excellent sustainable urban development. The Globe Award statuette will be presented to representatives from the City of Curitiba on April 29th at a gala dinner at the Nordic Museum in Stockholm, Sweden.
See the complete list of nominees hereThe Globe Sustainable City Award is now presented for the second year. The aim of the City Award is to underline cities and municipalities, which excel in sustainable urban development, and to set a positive example for others.

The Jury’s Motivation

“The City of Curitiba shows maturity in their understanding of sustainable city development – both regarding policy and implementation. The holistic approach is well framed and managed in order to create a strong and healthy community, integrating the environmental dimension with other dimensions like intellectual, cultural, economic and social."
The jury group for the Sustainable City Award is chaired by Jan Sturesson, World Economic Forum, in the global agenda council "future of Government", Partner PricewaterhouseCoopers and Global Leader of Government and Public Service in Sweden.
"I congratulate Curitiba to the prestigious award for most sustainable city 2010. It is a very solid winner with a holistic municipal master plan integrating all strategic resources linked to innovation and future sustainability." - says Jan Sturesson

The Jury

The jury for the Globe Sustainable City Award consists of highly experienced and internationally recognized experts. The overall chairman of all four jury groups is Lars-Olle Larsson, Partner PricewaterhouseCoopers Sweden.
Jan Sturesson – World Economic Forum in the global agenda council "future of Government", Partner in PwC and Global Leader of Government and Public Service, Sweden
Lawrence Bloom – Deputy Chairman of Noble Cities Plc., Former Chair and Current Member of the World Economic Forum Global Agenda Council on Urban Management, Chairman of the UN Environmental Programme, Green Economy Initiative, sector on Green Cities, Buildings and Transport. and the UK Chair of the Intergovernmental Renewable Energy Organisation
Marilyn Hamilton – PhD, CGA is the founder of Integral City Meshworks Inc. and TDG Global Learning Connections, Canada
C. S. Kiang – professor, Chairman of Peking University Environment Fund, China
Carlos Arruda – PhD, Chairman of the Unicon, Director of the International Relations and coordinator of the Innovation Central Fundação Dom Cabral (FDC), Brazil

About the Winner

Curitiba, Brazil – Municipal Master Plan indicates reorganization of the urban territory, considering drainage basins as basic planning units, institutional strengthening, seeking the development of transversality in planning and environmental management processes as well as changes in production and consumption standards, reducing costs and waste.

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Não é que eu queira ver só o lado negativo não, eu amo essa cidade e é claro que ela tem muitas coisas boas. É exatamente por muito amar Curitiba que quero interromper essa lavagem cerebral, que acabará na destruição total se nosso orgulho como cidade continuar sendo adulado dessa forma irracional.
A questão é a seguinte: embora reconheçamos que no passado Curitiba foi um exemplo de planejamento, e esses acertos deixaram frutos que ainda estão sendo colhidos, de uns tempos pra cá as coisas não andam nada bem.




Poderia citar inúmeros exemplos, a começar pela política de habitação da gestão Beto Richa, que inclui urbanização das favelas mas vai além. No primeiro mandato, tudo correu muito bem. 

Várias favelas tiveram seu trabalho iniciado e paralelamente a isso a Cohab estava entregando muitos prédios e conjuntos de casas, pra quem estava na fila. Por isso as invasões diminuíram. Podia-se dizer que a havia mudado 'da água pro vinho' desde os tempos sinistros de Taniguchi, em que a fila simplesmente não andava. Na verdade esse japonês sem caráter havia informalmente privatizado a companhia, então você esperava mais de seis anos na fila e quando era chamado era pra um loteamento particular, caso do Rio Bonito por exemplo. A Cohab não deixou de existir juridicamente, apenas na prática, pois ela simplesmente 'vendia' a fila dela pra incorporadoras particulares.


Basta você andar por qualquer vila na periferia da Zona Sul (Sítio Cercado, Pinheirinho, etc.), que o que mais vê são placas dizendo: “vendo terreno no Rio Bonito”. E por que? Porque a Cohab havia sido privatizada. O Rio Bonito é um loteamento particular, da construtora Piemonte. Logo, os preço cobrados são os de mercado. Mas a carta chegou pra quem estava na fila da Cohab, em nome da Cohab. Se eu ou você víssemos essas cartas, perceberíamos na hora o engodo. Mas os que não tiveram tanta chance de estudar tem a compreensão bem mais limitada, como é lógico supor. Assim, foram iludidos achando que estavam sendo contemplados por uma política pública de habitação, quando essa era só a isca que os jogou na boca do tubarão. Não tenho nada contra loteamentos particulares, muito pelo contrário, mas eles não podem usar a insígnia da prefeitura pra iludir. Mas Taniguchi não tem ética, é tão corrupto quanto Lerner e Greca, e levou muito dinheiro para explorar os coitados que já esperavam há seis anos na fila. Assim, eles comparam e muitos não podem pagar.


Beto Richa interrompeu essa enganação. A Cohab voltou a entregar conjuntos de casas, com preços subsidiados. Visitei vários deles, e a prestação não passa de $80 (casa e terreno), enquanto nos particulares não sai por menos de $200 (apenas o terreno). Com isso, a fila de espera caiu para 2 anos. E também havia 2 décadas que não se faziam prédios da Cohab em nossa cidade. Ele não só voltou a fazê-los como fez mais do que havia sido feito em toda a história. Por isso, eu e 4 em cada cinco curitibanos votamos pela sua re-eleição. Mal sabíamos nós que ele iria trair nossa confiança, e de modo tão deslavado.


Depois que o cara se re-elegeu com aquela votação recorde (erro pelo qual eu fui um dos responsáveis, pois deveria imaginar que ele usaria o segundo mandato apenas como trampolim para a campanha para o governo), tudo mudou. As obras passaram a ir em passos de cágado, na habitação e no transporte também, que são as duas áreas que eu acompanho com mais atenção. O que poderia ser feito em um mês passou a levar um semestre ou mais para ser concluído. O tubo perto da minha casa, por exemplo, ficou fechado de setembro a março, sendo que em 3 semanas daria pra fazer a obra, e isso já sendo generoso. A urbanização da favela Terra Santa, que eu acompanho desde o início é outro exemplo. Antes da eleição tudo ia a todo vapor, e agora se for nesse ritmo ainda vai levar uns 10 anos pra acabar.


Mas falemos de outro sintoma, que ilustra com perfeição que as coisas em Curitiba estão longe de ser da forma como os suecos imaginam: a violência. 

Foi divulgado na imprensa nacional que, per capita, nossa cidade é três vezes mais violenta que São Paulo. Na verdade é mais, bem mais.
São Paulo em 2009 teve cerca de 1,2 mil homicídios. Curitiba teve mais de mil, cerca de 1.100, por aí. Faça a matemática. A população da capital paulista é de 11 milhões, e aqui nem chega a 1,9 milhão. Na verdade você vai ver que Curitiba está tendo cerca de 5 vezes mais assassinatos que São Paulo, per capita. Os números que a delegacia de homicídios na gestão Delazari divulgava não têm qualquer valor, são grosseiramente distorcidos, como aliás foi a manchete da Tribuna de ontem [6/5/10]: “Secretaria da segurança divulga dados que eram omitidos: Violência sem maquiagem”. Agora que o Pessutti botou esse safado do Delarazi pra correr, a secretaria de segurança divulgou números que são mais próximos da realidade: 240 assassinatos no município de Curitiba, em apenas 3 meses, mais 285 na RM. 

O Requião, é claro, ficou furioso pela limpeza que o Pessutti fez, porque claro, o Requião também é um bandido da pior espécie, e não colocou esse mafioso, chefe de quadrilha, do Delazari pra comandar a “segurança pública” por acaso. Apenas pela coragem de afastar esse “secretário” (que na verdade deveria estar preso) eu vou votar no Pessutti.


Sesp confirma aumento da violência no Paraná


O que ocorre é o seguinte. Eu conheço bem SP, por isso posso te dizer. Até os anos 90, a capital paulista estava em decadência total. Tinha cerca de 5 mil assassinatos por ano, fora o transporte que decaía a cada ano, a sujeira, etc. Nessa época, as pesquisas apontavam que 90% dos paulistanos iriam embora se pudessem. Hoje, são apenas 58%. Ainda é um número alto, pois a cidade tem inúmeros problemas, é claro, mas em 2 décadas 1 terço dos paulistanos (32%) pretendia emigrar e agora diz que quer ficar. Isso é significativo, prova de que a cidade reagiu. Reconheceu que estava em dificuldades, e resolveu mudar. 

Esse é o ponto: primeiro é preciso reconhecer que as coisas não vão bem. Enquanto se continua insistindo nesses prêmio idiotas de “cidade mais sustentável”, está-se negando a gravidade da situação, fazendo com que então tudo piore.

Não sei se você é familiarizado com o programa do Alcoólicos Anônimos (seguido também pelos Narcóticos Anônimos). O primeiro passo diz: “Eu tenho um problema com o álcool (drogas) e não consigo resolver sozinho”. Esse é o ponto, meu irmão. São Paulo só melhorou porque reconheceu que as coisas estavam erradas. 

Curitiba continua insistindo estupidamente na auto-negação.
Bem, quando os índices de assassinatos por aqui forem similares aos do Rio de Janeiro, Recife e Vitória (e não falta muito), vamos ver se esse narizinho orgulhoso da burguesia local vai continuar tão em pé.


Pra finalizar, apenas um pequeno adendo: a recuperação de São Paulo é apartidária, frise-se bem isso. Tanto o PSDB quanto o PT contribuíram para ela. A gestão da Marta, se meteu os pés pelas mãos em muitos aspectos (o que é uma realidade inegável), também melhorou em muito o sistema de transporte da cidade. O PSDB fez um bom trabalho recuperando o sistema ferroviário, que estava sendo sucateado, e investiu em segurança pública. Mas a queda nos índices de assassinatos não seria possível sem a redução drástica do desemprego promovida pela gestão federal do PT, pois muita polícia e presídios com índice de desemprego real de quase 50% (que foi como Fernando Henrique deixou SP com sua política ortodoxa neo-liberal) só resulta em estado de sítio. Agora a situação é distinta. Com oferta de empregos, aí sim é possível a polícia dar um aperto maior, pois os que querem trabalhar encontram opções, mesmo que seja por conta própria. E ambos os partidos investiram muito na urbanização das favelas. A mensagem final é: São Paulo reagiu porque a cidade foi humilde e reconheceu seus problemas. Não foi fruto de um partido, mas da determinação da população em mudar. 

Agora, se continuarem alardeando os 'inúmeros prêmios' que Curitiba recebe, a situação por aqui só tende a piorar. Afinal, se tudo está tão bem, com tanto reconhecimento do exterior, por que não manter o curso?


A vida é uma escola. E ela também reprova quem não faz a lição de casa.


“Aquele de vocês que quiser ser o maior de todos, que seja o mais humilde”
(Jesus, o Cristo)

Paz a todos.
“Deus proverá”

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